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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa389418
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Vinhedo
Ano
2026
Cargo
Cont ( )

Saint-Exupéry e o mundo deserto 

 

Nos  confins  da  Líbia,  no  centro  do deserto, um avião ainda bastante primitivo toca o  chão  a uma velocidade  de 270 quilômetros por  hora. Dentro dele, o navegador André Prévot e o  piloto Antoine de Saint-Exupéry, que ainda não  havia  escrito O  Pequeno  Príncipe

Milagrosamente, sobrevivem à queda, mas agora  precisam enfrentar a sede e caminhar muito em  busca  da  salvação.  Se  fossem  sozinhos  no  mundo, desistiriam e esperariam a morte. Mas os  gritos  que  vão  dar  as  pessoas  que  esperam  por  eles são motivos para que não cruzem os braços:  é preciso continuar. 

 

São  quatro  dias  caminhando,  fazendo rastros com os pés para não perder o caminho de  volta até o avião, estendendo um pano para tentar  conseguir  alguma  gota  de  orvalho  para  beber,  delirando com miragens e temendo que os olhos  se  enchessem  de  luz  (último  estágio  antes  do fim), até finalmente encontrar um beduíno que os  livrará de uma morte certa. 

 

Esta  é  uma  das  histórias  que  Saint- Exupéry conta ao longo do comovente Terra dos  Homens, livro que, mais do que contar algumas  das suas experiências como aviador, fala da sua relação com a humanidade. Aos seus olhos, há no  mundo agonias maiores do que a de padecer em  um deserto. Ali, ele está em contato com o vento,  as estrelas, a noite, a areia e o mar, lutando com  as  forças  naturais  e  tendo  preocupações  de  ser humano.  Bem  mais  amargo  ele  julgava  o  sofrimento  das  pessoas  dos  trens  do  subúrbio,  pessoas que pensam que são pessoas, mas estão  reduzidas  ao  uso  que  delas  se  faz.  Sem  a  consciência do nosso papel no mundo, mesmo o  mais obscuro, não somos felizes, não vivemos e tampouco  morremos  em  paz  –  assim  reflete  o  aviador, feliz na sua profissão de camponês do ar,  porque sentia que ela estava ligada ao restante da  humanidade. 

 

Afinal, foi o mundo que se fez deserto e  nos deu a sede de encontrar companheiros. Um  homem a dois passos de nós é como se habitasse nas  solidões  do  Tibete,  longe,  tão  longe  que nenhum avião os levaria até lá, nunca. E a alma de uma simples mocinha é melhor protegida pelo silêncio do que os oásis do Saara pela extensão das areias. Saint-Exupéry parece fazer um apelo para que tomemos consciência e procuremos um fim que nos ligue a todos, ao que é essencial ao ser humano e que está além de ideologias, além do raciocínio que nos divide: a verdade é o que simplifica o mundo, e não o que gera o caos. (...)    

FENDRICH,  Henrique.  Saint-Exupéry  e  o mundo  deserto.  Escotilha. 

Disponível  em <https://escotilha.com.br/cronicas/henrique- fendrich/saint-exupery-e-o-mundo-deserto/>.  

Lei o texto a seguir para responder à questão abaixo:   Em relação ao texto “Saint-Exupéry e o mundo  deserto”, é correto afirmar que o autor:
  1. Amistura  a  narrativa  de  um  fato  com  o  desenvolvimento  de  ideias  sobre  o  comportamento  humano,  sem  nenhuma  relação  entre os dois.
  2. Bparte do desenvolvimento de algumas ideias  sobre  os  homens  e  apresenta,  a  partir  daí,  a  narrativa de um fato com uma personalidade.
  3. Cparte do desenvolvimento de algumas ideias  sobre  os  homens  e  apresenta,  a  partir  daí,  a  narrativa de um fato consigo mesmo.
  4. Dparte da narrativa de um fato consigo mesmo  e desenvolve, a partir dela, algumas ideias sobre  os homens.
  5. Eparte  da  narrativa  de  um  fato  com  uma  personalidade  e  desenvolve,  a  partir  dela,  algumas ideias sobre os homens.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — parte  da  narrativa  de  um  fato  com  uma  personalidade  e  desenvolve,  a  partir  dela,  algumas ideias sobre os homens.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estrutura do Texto: Narrativa e Reflexão

Gabarito: letra E. O autor parte da narrativa de um fato com uma personalidade (Saint-Exupéry) e, a partir dela, desenvolve ideias sobre os homens — exatamente o que a alternativa E afirma. A pista está na organização do texto: os três primeiros parágrafos contam o acidente e a caminhada no deserto; os dois últimos abandonam a narração e passam a refletir sobre a condição humana, como se lê em "Aos seus olhos, há no mundo agonias maiores do que a de padecer em um deserto" e no apelo final "Saint-Exupéry parece fazer um apelo para que tomemos consciência".

O comando

A questão pede que você identifique como o texto se estrutura: se começa com uma narrativa e depois desenvolve ideias, ou o contrário. Isso é uma questão de compreensão global — você precisa perceber a ordem e a relação entre as partes, não apenas localizar uma informação solta. As alternativas variam em dois eixos: (1) a ordem (narrativa primeiro ou ideias primeiro) e (2) o sujeito da narrativa ("com uma personalidade" = Saint-Exupéry, ou "consigo mesmo" = o autor Henrique Fendrich).

O texto

O texto de Henrique Fendrich é uma crônica que abre com a narrativa do acidente de Saint-Exupéry no deserto da Líbia: "Nos confins da Líbia, no centro do deserto, um avião ainda bastante primitivo toca o chão a uma velocidade de 270 quilômetros por hora". Os parágrafos seguintes detalham a sobrevivência, a caminhada de quatro dias e o encontro com o beduíno. A partir do quarto parágrafo, o autor abandona a narração e passa a refletir sobre a relação de Saint-Exupéry com a humanidade, sobre o sofrimento das pessoas comuns e sobre a necessidade de consciência. Essa mudança de foco é a chave para a questão.

A técnica que decide

A alternativa correta precisa captar dois movimentos: (1) a ordem (narrativa → reflexão) e (2) o sujeito da narrativa (Saint-Exupéry, uma personalidade, não o autor). A alternativa E é a única que acerta ambos. As demais erram ao inverter a ordem (C, D), ao trocar o sujeito (B, C, D) ou ao negar a relação entre as partes (A).

  1. 1Narrativa do fato
  2. 2Com uma personalidade (Saint-Exupéry)
  3. 3Desenvolve ideias sobre os homens
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor mistura narrativa e ideias "sem nenhuma relação entre os dois". Isso contradiz o texto: a narrativa do acidente serve de ponto de partida para a reflexão. O autor usa a experiência de Saint-Exupéry para falar da condição humana: "Esta é uma das histórias que Saint-Exupéry conta ao longo do comovente Terra dos Homens, livro que, mais do que contar algumas das suas experiências como aviador, fala da sua relação com a humanidade". A relação é explícita — a narrativa ilustra a tese. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a ordem: "parte do desenvolvimento de algumas ideias sobre os homens e apresenta, a partir daí, a narrativa de um fato com uma personalidade". O texto faz o oposto: começa com a narrativa (parágrafos 1–3) e só depois desenvolve as ideias (parágrafos 4–5). Não há qualquer passagem que sugira que as ideias vêm primeiro. Erro: inverte a ordem dos elementos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra em dois pontos: (1) inverte a ordem (ideias → narrativa) e (2) troca o sujeito — diz "consigo mesmo", referindo-se ao autor Henrique Fendrich. Mas a narrativa é sobre Saint-Exupéry, uma personalidade histórica, não sobre o autor. O texto diz: "Dentro dele, o navegador André Prévot e o piloto Antoine de Saint-Exupéry". Erro: inverte a ordem e troca o sujeito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa acerta a ordem (narrativa → ideias), mas erra o sujeito: "parte da narrativa de um fato consigo mesmo". A narrativa não é sobre o autor, mas sobre Saint-Exupéry. O texto é uma crônica sobre a experiência de outra pessoa, não uma autobiografia. Erro: troca o sujeito da narrativa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E é a única que capta ambos os movimentos corretamente: "parte da narrativa de um fato com uma personalidade e desenvolve, a partir dela, algumas ideias sobre os homens". O texto começa narrando o acidente de Saint-Exupéry (uma personalidade) e, a partir dessa narrativa, desenvolve reflexões sobre a humanidade. A passagem que prova a segunda parte é: "Aos seus olhos, há no mundo agonias maiores do que a de padecer em um deserto" — aqui o autor abandona a narração e passa a expor as ideias de Saint-Exupéry sobre o sofrimento humano. A alternativa é uma paráfrase fiel da estrutura do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca do sujeito ("consigo mesmo" vs. "com uma personalidade") e a inversão da ordem (narrativa → ideias vs. ideias → narrativa). A alternativa D é a mais traiçoeira: acerta a ordem, mas erra o sujeito.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a estrutura de um texto, pergunte: (1) o que vem primeiro? (2) sobre quem é a narrativa? (3) a reflexão deriva da narrativa ou é independente? Isso elimina as alternativas que acertam um eixo, mas erram o outro.

Conclusão: a alternativa E é a única que descreve com precisão a estrutura do texto: narrativa de um fato com uma personalidade (Saint-Exupéry) seguida de reflexões sobre os homens. As demais erram ao inverter a ordem, trocar o sujeito ou negar a relação entre as partes.

Gabarito: letra E

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