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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — Avança SP 2026

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
qa389522
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Vinhedo
Ano
2026
Cargo
Enf ( )

(In)diferença 

 

 Aprendi há pouco que não devo  ignorar  completamente o que dizem sobre minha pessoa.  Seja  agradável  ou  não  o  que  ouço,  é  recomendável  dispor  de  pelo  menos  alguns  minutinhos para reflexão. E resolvi me observar  por  uns  dias  para  saber  em  que  e  em  quais  situações  posso  ser  indiferente.  As  conclusões  são  mesmo  conclusivas,  se  me  permite  o  pleonasmo.  Até  porque  se  trata  de  posicionamento relativo diante de circunstâncias  que podem se apresentar de formas diversas.  

 

Não  sou  indiferente  a  preconceitos,  por  exemplo.  Odeio  todos,  de  todos  os  tipos,  inclusive  os que ainda se agarram a mim e dos  quais ainda – disse ainda, de novo – não consegui  me libertar. Posso ser indiferente a racistas, pois  não  merecem  minha  atenção,  a  menos  que  necessitem de um passa-fora, tipo peteleco que se  dá  em  inseto  incômodo,  em  casos  menos  significativos  –  piadinhas  sem graça  –,  ou uma  denúncia em alto e bom som quando a ofensa é  gravíssima.  

 

Sou permanentemente  intolerante com a  intolerância.  

 

Não sou indiferente à falta de educação.  Seja no trânsito, em restaurantes, supermercados,  filas. Tenho horror a quem joga lixo no chão e  fala exageradamente alto em qualquer lugar.  

 

Não sou indiferente à crueldade cometida  diariamente contra animais indefesos, vítimas de  crimes cometidos pelos próprios guardiões. Não  sou indiferente ao sofrimento imposto aos touros  em  rodeios.  Não  sou  indiferente  aos  cães  abandonados por seus donos por motivos vários. 

(...)  

 

Não sou indiferente à mentira, à omissão,  à injustiça.  

Não sou indiferente à ignorância imposta  por uma educação capenga. 

 

Prefiro  ser  indiferente  aos  arrogantes  e  prepotentes. Sou impaciente com a deselegância  dos  que  pensam  ser  os  donos  do  mundo,  da  situação  ou  da  verdade.  Aos  que  se  autodenominam  sábios  e  não  têm  ideia  do  que  dizem,  pois  os  sábios  não  se  dizem  sábios.  A  esses,  viro  as  costas  solenemente,  com  toda  a  indiferença que consigo reunir. (...)   

 

DAMACENO,  Giovana.  (In)diferença.  Revista  Benfazeja.  Disponível  em  <https://www.avl.org.br/uploads/b889aa7f77e52e3a 5e8c0e9f930aa329indiferenca_gd.pdf>.  

Leia  o  texto  a  seguir  para  responder  à questão abaixo.   Em relação ao texto “(In)diferença”, é correto afirmar que ele se estrutura:
  1. Aem primeira pessoa, através da qual a autora  apresenta  ideias  de  outra  pessoa  sobre  várias  formas de indiferença.
  2. Bem terceira pessoa, através da qual a autora  apresenta  ideias  de  outra  pessoa  sobre  várias  formas de indiferença.
  3. Cde maneira totalmente impessoal e objetiva,  apresentando  várias  formas  de  indiferença  de  modo bastante científico.
  4. Dem primeira pessoa, apresentando ideias da  própria  autora  sobre  várias  formas  de  indiferença.
  5. Eem  terceira  pessoa,  apresentando  ideias  da  própria  autora  sobre  várias  formas  de  indiferença.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — em primeira pessoa, apresentando ideias da  própria  autora  sobre  várias  formas  de  indiferença.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estrutura do Texto "(In)diferença" — Pessoa do Discurso e Autoria

Gabarito: letra D. O texto se estrutura em primeira pessoa, pois a autora usa verbos e pronomes de 1ª pessoa ("Aprendi", "me", "minha"), e apresenta ideias da própria autora, como se vê em "Não sou indiferente a preconceitos" e "Prefiro ser indiferente aos arrogantes". A alternativa D é a única que combina corretamente os dois eixos: pessoa do discurso (1ª) e autoria (própria autora).

O Comando

A questão pede que você identifique como o texto se estrutura — ou seja, em que pessoa gramatical ele é escrito e de quem são as ideias apresentadas. Isso é uma questão de compreensão (informação explícita), não de inferência: basta observar as marcas linguísticas de pessoa e o conteúdo das afirmações.

O Texto

O texto é um relato pessoal, em que a autora reflete sobre sua própria relação com a indiferença. Ela afirma, por exemplo:

"Aprendi há pouco que não devo ignorar completamente o que dizem sobre minha pessoa."

Aqui, o verbo "Aprendi" e o pronome "minha" já indicam a 1ª pessoa. Além disso, as ideias são claramente dela: "Não sou indiferente a preconceitos", "Odeio todos", "Prefiro ser indiferente aos arrogantes". Não há qualquer indicação de que ela esteja reproduzindo o pensamento de outra pessoa.

A Técnica

Para resolver, separe os dois eixos:

  1. Pessoa do discurso: procure pronomes pessoais (eu, me, minha) e desinências verbais de 1ª pessoa (aprendi, sou, odeio, prefiro).

  2. Autoria das ideias: verifique se as opiniões são do próprio autor ou de terceiros. No texto, todas as afirmações são feitas em 1ª pessoa e expressam posicionamentos pessoais, como "Sou permanentemente intolerante com a intolerância".

A alternativa correta precisa acertar os dois aspectos. As demais erram em pelo menos um deles.

1ª pessoa
3ª pessoa
Ideias de outra pessoa
D (gabarito)
E
Ideias da autora
A
B
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que a autora apresenta ideias de outra pessoa. O texto é todo em 1ª pessoa e as ideias são dela, como em "Não sou indiferente à crueldade cometida diariamente contra animais indefesos". Não há nenhuma marca de discurso indireto ou citação de terceiros. Erro: contradiz o texto (inverte a autoria).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra duplamente: diz que o texto está em terceira pessoa e que as ideias são de outra pessoa. O texto usa "Aprendi", "me", "minha", "sou" — tudo em 1ª pessoa. E as opiniões são da própria autora. Erro: contradiz o texto (erra nos dois eixos).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao classificar o texto como totalmente impessoal e objetivo, com tom "científico". O texto é subjetivo, repleto de opiniões e sentimentos pessoais ("Odeio todos", "Tenho horror a quem joga lixo no chão"). Não há impessoalidade nem objetividade científica. Erro: contradiz o texto (inverte o tom).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a única que acerta os dois eixos: o texto está em primeira pessoa (marcas como "Aprendi", "me", "minha", "sou") e apresenta ideias da própria autora ("Não sou indiferente a preconceitos", "Prefiro ser indiferente aos arrogantes"). É uma paráfrase fiel do que o texto mostra.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao dizer que o texto está em terceira pessoa. As marcas de 1ª pessoa são evidentes: "Aprendi", "me", "minha", "sou". Embora acerte ao dizer que as ideias são da própria autora, erra no eixo da pessoa do discurso. Erro: contradiz o texto (erra na pessoa).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura os dois eixos (pessoa do discurso e autoria) para criar distratores que acertam um e erram o outro. A letra E, por exemplo, acerta a autoria, mas erra a pessoa.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a pessoa do discurso, sublinhe todos os pronomes e desinências verbais de 1ª pessoa. Se houver "eu/me/minha" ou verbos como "aprendi/sou", o texto é em 1ª pessoa, independentemente do conteúdo.

Conclusão: a resposta é a letra D, pois é a única que combina corretamente primeira pessoa e ideias da própria autora, como comprovam as marcas linguísticas e o conteúdo opinativo do texto.

Gabarito: letra D

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