Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Avança SP 2026
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa389575
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Vinhedo
Ano
2026
Cargo
Prof (Vinhedo)
Vale a pena enfiar algo goela abaixo do educando?
Uma amiga tem ideias curiosas sobre as escolas. Vivendo numa cidade do interior, viu-se diante da encruzilhada: “qual a melhor escola para o meu filho?”. Pôs-se a campo visitando as escolas tidas como as melhores, para conversar com os diretores. A cena se repetia. O diretor ou diretora se encantava com a perspectiva de uma matrícula a mais. Fazia seus melhores esforços para convencer a mãe. Mostrava as salas, os laboratórios, as quadras de esportes. Terminada a excursão, de volta à sala da diretoria, minha amiga tinha duas perguntas a fazer.
“O senhor sabe, nosso mundo é competitivo, há o vestibular no horizonte, o mercado de trabalho. Gostaria de saber como sua escola lida com esses problemas...” O diretor, seguro de sua filosofia de educação, respondia:
“Essa é nossa grande preocupação. Precisamos preparar as crianças para o futuro.
Nossos professores são orientados no sentido de apertar as crianças ao máximo para que sejam vencedoras. Quanto a isso a senhora pode estar tranquila”. Aí ela continuava:
“Sua resposta me esclareceu muito. Mas há uma última pergunta que quero fazer. As crianças passam apenas um período na escola. No outro período elas ficam com o tempo livre. O que fazer com esse tempo?”
Respondia o diretor: “A resposta a essa pergunta já está implícita no que eu disse. Não permitimos que as crianças tenham esse tempo ocioso. Damos lições para casa de forma que não sobra tempo ocioso. Elas têm de trabalhar o dia inteiro”.
Aí a minha amiga concluía:
“Sabe, senhor diretor, acho que a infância é um tempo tão bonito que é triste apertar as crianças em nome de um futuro hipotético. As crianças não podem viver hoje em função do amanhã. A vida delas é no hoje. Se elas forem ‘apertadas’, vão acabar por odiar a escola e o aprender. Além do que, as crianças devem ter um tempo livre para viver suas próprias fantasias, para brincar. Se elas tiverem todo o seu tempo tomado por deveres de casa, perderão a alegria...”
E com essas palavras despedia-se do diretor perplexo. (...)
ALVES, Rubem. Vale a pena enfiar algo goela abaixo do educando? Revista Educação.
Disponível em <https://revistaeducacao.com.br/2025/10/15/rubem-alves- cronica/>.
Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo. “Aí ela continuava: (...) ‘No outro período elas ficam com o tempo livre. O que fazer com esse tempo?’” Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita do trecho acima, de maneira correta, incluindo a pontuação adequada.
AAí ela continuava afirmando: que no outro período elas ficavam com o tempo livre, e perguntando o que se fazia com esse tempo?
BAí ela continuava afirmando que no outro período elas ficavam com o tempo livre e perguntando o que se fazia com esse tempo?
CAí ela continuava afirmando que no outro período elas ficavam com o tempo livre e perguntando o que se fazia com esse tempo.
DAí ela continuava perguntando se no outro período elas ficavam com o tempo livre e afirmando o que se fazia com esse tempo.
EAí ela continuava afirmando, que no outro período elas ficavam com o tempo livre e perguntando, o que se fazia com esse tempo.
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GabaritoC — Aí ela continuava afirmando que no outro período elas ficavam com o tempo livre e perguntando o que se fazia com esse tempo.
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Reescrita de Frases: Discurso Indireto e Pontuação
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que reescreve o trecho sem alterar o sentido e com pontuação adequada: transforma a fala direta em discurso indireto, mantém a oposição entre "afirmar" e "perguntar", e usa o ponto final (não interrogação) porque a pergunta original virou uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Como se lê no trecho original: "Aí ela continuava: (...) 'No outro período elas ficam com o tempo livre. O que fazer com esse tempo?'" — a reescrita correta deve preservar que ela afirma uma coisa e pergunta outra, sem inverter os verbos.
O Comando
A questão pede uma reescrita do trecho, ou seja, uma paráfrase que mantenha o sentido original e use a pontuação correta. Isso exige atenção a dois pontos: (1) o sentido — o que era fala direta (com dois pontos e aspas) vira discurso indireto (com "que" e "se"); (2) a pontuação — onde colocar vírgulas e que sinal final usar. Não é uma questão de compreensão ou inferência, mas de reescritura gramatical.
O Texto e o Trecho
No texto, a amiga da narradora faz duas perguntas ao diretor. O trecho destacado é a segunda pergunta, que vem depois de "Aí ela continuava:". No original, há dois enunciados: uma afirmação ("No outro período elas ficam com o tempo livre") e uma pergunta ("O que fazer com esse tempo?"). A reescrita deve manter essa estrutura: ela afirma que as crianças ficam com tempo livre e pergunta o que fazer com esse tempo.
A Técnica: Discurso Direto → Indireto
Quando transformamos fala direta em indireta, três coisas mudam:
Os dois pontos e as aspas desaparecem; a oração passa a ser introduzida por conectivo ("que" para afirmação, "se" para pergunta indireta).
Os tempos verbais sofrem adequação: o presente "ficam" vira pretérito imperfeito "ficavam" (para manter a simultaneidade com o verbo "continuava"); o infinitivo "fazer" permanece, pois já é forma nominal.
A pontuação final: a pergunta direta (com ponto de interrogação) vira oração subordinada substantiva objetiva direta — e, como tal, o período inteiro termina com ponto final, não com interrogação. A interrogação só permaneceria se a pergunta fosse mantida em discurso direto.
No trecho, o verbo "continuava" rege dois complementos: uma oração subordinada substantiva objetiva direta ("que no outro período elas ficavam com o tempo livre") e outra ("o que se fazia com esse tempo"). O "e" coordena essas duas orações, ambas dependentes de "afirmando" e "perguntando".
Análise das Alternativas
Discurso direto → indireto: Desaparecem dois pontos e aspas; Conectivos ("que" (afirmação), "se" (pergunta fechada), "o que" (pergunta aberta)); Tempos verbais adequados (Presente → pretérito imperfeito); Pontuação final (Pergunta vira oração subordinada, Ponto de interrogação (errado), Ponto final (correto)); Vírgula (Separa verbo do complemento (errado))
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Aí ela continuava afirmando: que no outro período elas ficavam com o tempo livre, e perguntando o que se fazia com esse tempo?"
Erro: mantém os dois pontos antes de "que" — o que é inadequado, pois no discurso indireto não se usa dois pontos antes da oração subordinada. Além disso, termina com ponto de interrogação, que não cabe, pois a pergunta virou oração subordinada. O "e" antes de "perguntando" também fica mal posicionado, separado por vírgula indevida. Erro do catálogo: pontuação inadequada (dois pontos e interrogação indevidos).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Aí ela continuava afirmando que no outro período elas ficavam com o tempo livre e perguntando o que se fazia com esse tempo?"
Erro: a estrutura está correta, mas termina com ponto de interrogação. Como a pergunta foi convertida em oração subordinada, o período é declarativo e deve terminar com ponto final. A interrogação transformaria o período em pergunta direta, o que não corresponde ao sentido original (ela não está perguntando ao diretor, está relatando o que perguntou). Erro do catálogo: pontuação final inadequada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Aí ela continuava afirmando que no outro período elas ficavam com o tempo livre e perguntando o que se fazia com esse tempo."
Correta: mantém o sentido (afirmação + pergunta), usa o conectivo "que" para a oração subordinada substantiva objetiva direta, adequa o tempo verbal ("ficavam"), e termina com ponto final, pois a pergunta virou oração subordinada. A pontuação está adequada: sem vírgulas indevidas, sem dois pontos, sem interrogação. É a paráfrase perfeita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Aí ela continuava perguntando se no outro período elas ficavam com o tempo livre e afirmando o que se fazia com esse tempo."
Erro:inverte os verbos — no original ela afirma que as crianças ficam com tempo livre e pergunta o que fazer; aqui ela pergunta se ficam com tempo livre e afirma o que se faz. Isso altera o sentido: a pergunta "se... ficavam" é uma pergunta fechada (sim/não), enquanto a original é uma pergunta aberta ("o que fazer"). Além disso, "afirmando o que se fazia" não corresponde a uma afirmação, mas a uma pergunta indireta. Erro do catálogo: troca de sentido (inversão dos verbos).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Aí ela continuava afirmando, que no outro período elas ficavam com o tempo livre e perguntando, o que se fazia com esse tempo."
Erro: usa vírgula antes de "que" e antes de "o que" — o que é proibido, pois separa o verbo de seu complemento (oração subordinada substantiva objetiva direta). A vírgula não pode separar o verbo "afirmando" de seu objeto direto, nem "perguntando" de seu objeto. Erro do catálogo: pontuação inadequada (vírgula separando verbo e complemento).
Conclusão
A reescrita correta exige: (1) manter a ordem lógica (afirmação + pergunta), (2) usar os conectivos adequados ("que" e "o que"), (3) adequar o tempo verbal, e (4) usar ponto final no período, pois a pergunta virou oração subordinada. A alternativa C é a única que cumpre todos esses requisitos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os verbos "afirmar" e "perguntar" (letra D) e usar ponto de interrogação no discurso indireto (letras A e B). Fique atento: no discurso indireto, a pergunta vira oração subordinada e o período termina com ponto final.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever fala direta em indireta, pergunte-se: "o que era pergunta direta virou oração subordinada?" Se sim, o ponto final é obrigatório. E nunca separe o verbo de seu complemento com vírgula.