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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa389594
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Manaus
Ano
2026
Cargo
Ana Mun II ( )

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

Olhai os lírios do campo

 

Estive pensando muito na fúria com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?

 

Quero que abras os olhos, Eugênio, que acordes enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio, leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo, que não trabalham nem fiam, e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles.

 

Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.

 

Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou de que o povo deva viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”. Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos que fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as armas do amor e da persuasão. Considere a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo. 

 

Quando falo em conquista, quero dizer a conquista de uma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.

 

E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há de levar.

 

(VERÍSSIMO, Érico. Olhai os lírios do campo. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.)

O título “Olhai os lírios do campo” refere-se à passagem que profere que Deus cuida da natureza, incentivando as pessoas a não se preocuparem excessivamente com as necessidades materiais, pois a verdadeira riqueza está na simplicidade e na fé, não na ganância. Ao usar a trajetória de Eugênio para instigar a reflexão sobre as escolhas de vida, entende-se que:

  1. AA vida pautada em conforto traz realização e felicidade.
  2. BA simplicidade é o verdadeiro caminho para a vida plena.
  3. CA conexão humana reflete a importância dos relacionamentos.
  4. DO vazio existencial recai sobre o conhecimento verossímil das pessoas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A simplicidade é o verdadeiro caminho para a vida plena.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A simplicidade como caminho para a vida plena

Gabarito: letra B. A alternativa B é a correta porque sintetiza a tese central do texto: a vida plena não está na acumulação material, mas na simplicidade e na valorização do que é essencial. O autor critica a "fúria com que os homens se atiram à caça do dinheiro" e defende que é preciso "dar um sentido humano às nossas construções", ou seja, priorizar valores humanos e espirituais em vez da ganância. A passagem que ancora essa leitura é o trecho em que ele cita os lírios do campo, que "não trabalham nem fiam, e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles".

O comando pede que se entenda, a partir da trajetória de Eugênio, qual é a reflexão central sobre as escolhas de vida. Isso é uma questão de compreensão — a resposta está explícita no texto, não exige inferência. O autor não está dizendo que devemos abandonar o trabalho ou a ação; pelo contrário, ele afirma que "é indispensável trabalhar" e que "há na terra um grande trabalho a realizar". O que ele propõe é um equilíbrio: não se deixar cegar pelo amor ao dinheiro e ao sucesso, mas fazer pausas para "olhar os lírios do campo e as aves do céu".

A tese do texto, portanto, é a de que a verdadeira riqueza está na simplicidade e na fé, não na ganância. O autor não faz um elogio da contemplação pura, mas defende que devemos "dar um sentido humano às nossas construções", ou seja, que o trabalho e a ação devem ser orientados por valores humanos. A simplicidade, aqui, não é passividade, mas a capacidade de reconhecer o que realmente importa na vida.

A trajetória de Eugênio serve como um convite à reflexão: o autor o exorta a "acordar enquanto é tempo" e a ler o Sermão da Montanha, onde Jesus fala dos lírios do campo. Essa passagem bíblica é usada como metáfora para a vida simples e confiante, que não se deixa dominar pela ansiedade material. O autor reforça que "quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu".

A pegadinha central desta questão é a extrapolação: várias alternativas apresentam ideias que parecem plausíveis, mas que vão além do que o texto afirma. A alternativa B, por outro lado, é uma paráfrase fiel da tese central. Para resolvê-la, o candidato deve identificar o tema e a tese do texto, e não se deixar levar por interpretações superficiais ou por conhecimentos de mundo que não estão ancorados no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — alternativas que parecem verdadeiras no mundo real, mas que o texto não sustenta. A alternativa A, por exemplo, afirma que "a vida pautada em conforto traz realização e felicidade", mas o texto critica exatamente a busca pelo conforto material. A alternativa C fala em "conexão humana", mas o texto não discute relacionamentos interpessoais. A alternativa D menciona "vazio existencial" e "conhecimento verossímil", conceitos que não aparecem no texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A afirma que "a vida pautada em conforto traz realização e felicidade". Isso contradiz o texto, que critica a "fúria com que os homens se atiram à caça do dinheiro" e a busca desenfreada por conforto material. O autor não diz que o conforto traz felicidade; pelo contrário, ele alerta que essa busca é a "causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época". A alternativa inverte o sentido do texto, transformando uma crítica em elogio.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B afirma que "a simplicidade é o verdadeiro caminho para a vida plena". Isso é uma paráfrase fiel da tese central do texto. O autor usa a passagem dos lírios do campo para ilustrar que a verdadeira riqueza está na simplicidade e na fé, não na ganância. Ele diz que os lírios "não trabalham nem fiam, e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles", mostrando que a simplicidade é superior à opulência. Além disso, ele defende que devemos "dar um sentido humano às nossas construções", ou seja, que a vida plena não está no acúmulo material, mas na valorização do que é essencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que "a conexão humana reflete a importância dos relacionamentos". Embora o texto mencione que os homens "sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura", essa não é a tese central. O texto não discute a importância dos relacionamentos interpessoais como tema principal; ele usa essa ideia como um exemplo do que é sacrificado pela busca do dinheiro. A alternativa tangencia o tema, focando em um aspecto secundário do texto, em vez da tese principal sobre a simplicidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que "o vazio existencial recai sobre o conhecimento verossímil das pessoas". Essa afirmação é uma extrapolação completa. O texto não menciona "vazio existencial" nem "conhecimento verossímil". Esses conceitos são introduzidos pela alternativa, sem qualquer base no texto. O autor fala sobre a busca pelo dinheiro e a necessidade de dar sentido humano às construções, mas não aborda o vazio existencial ou o conhecimento verossímil. A alternativa inventa uma ideia que não está no texto.

Conclusão: a questão pede que se identifique a reflexão central sobre as escolhas de vida a partir da trajetória de Eugênio. A alternativa B é a única que sintetiza fielmente a tese do texto: a simplicidade como caminho para a vida plena. As demais alternativas ou contradizem o texto, ou tangenciam o tema, ou extrapolam informações que não estão presentes. Ao resolver questões de compreensão, o candidato deve sempre buscar a alternativa que seja uma paráfrase fiel do texto, sem acrescentar informações de fora.

Gabarito: letra B

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