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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — Instituto Consulplan 2026

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa389598
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Manaus
Ano
2026
Cargo
TMCI (CGM Manaus)

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

ChatGPT não é analista: o perigo da falsa competência digital

 

Há uma epidemia invisível que começa a se espalhar no mundo corporativo: profissionais que utilizam ferramentas de Inteligência Artificial sem realmente entender os dados, a lógica ou o significado por trás deles. Relatórios e apresentações impecáveis à primeira vista, mas que revelam, em poucos minutos de leitura, que quem os produziu não entendeu o que estava dizendo.

 

Recentemente, um cliente pediu ao seu líder de área de vendas que elaborasse uma planilha com indicadores básicos de desempenho: vendas, conversão, ticket médio e churn. O profissional reuniu os dados, mas, em vez de fazer uma análise real, pediu à IA para gerar um relatório com conclusões.

 

Em segundos, o sistema devolveu um belo relatório com frases de efeito: “O ticket médio caiu devido à perda de foco no pós-venda” e também “A conversão subiu por conta do novo layout do e-commerce”.

 

Soa convincente, mas há um detalhe inacreditável: a empresa não tem e-commerce e o profissional sequer revisou esse detalhe antes de compartilhar a brilhante conclusão. Quanto aos demais indicadores, ele também não soube justificar ou explicar a metodologia, a lógica nem as variáveis envolvidas.

 

Em outro caso, também recente, o profissional trouxe um “laudo” em que pediu ao ChatGPT para avaliar a construção da meta do mês, apontando os riscos de gerar burnout no time de vendas.

 

Seria cômico se não fosse preocupante: profissionais sustentando posições em castelos de areia e correndo o risco de que decisões importantes sejam tomadas com base em conclusões fabricadas por uma IA que não tem contexto nem senso de causalidade.

 

Essa prática de delegar à IA o pensamento analítico cria o que chamo de “falsa competência digital”: o profissional parece produtivo, parece técnico, mas, na verdade, perdeu o controle sobre o raciocínio.

 

E isso já está sendo observado cientificamente. Um estudo publicado na revista Humanities and Social Sciences Communications (Nature, 2023), conduzido com estudantes do Paquistão e da China, mostrou que o uso indiscriminado da Inteligência Artificial está associado a uma perda expressiva da capacidade de tomada de decisão humana: 27,7% dos participantes relataram dependência cognitiva ou “preguiça mental” ao delegar análises à IA.

 

Outro estudo, AI Tools in Society: Impacts on Cognitive Offloading (MDPI, 2024), aponta um fenômeno semelhante: pessoas que dependem de IA para tarefas analíticas passam a desenvolver menor proficiência em raciocínio independente, confiando demais nas respostas automatizadas, mesmo quando incorretas.

 

Ambas as pesquisas confirmam o que já se percebe no dia a dia corporativo: quanto mais terceirizamos o pensamento, mais perdemos o domínio sobre ele.

 

O verdadeiro diferencial está em quem pensa com a IA, e não por meio dela.

 

E isso exige domínio dos fundamentos, como entender indicadores, testar hipóteses, validar correlações e aplicar senso crítico sobre cada conclusão gerada.

 

A Inteligência Artificial está mudando tudo, menos o essencial: a necessidade de pensar. O futuro do trabalho exigirá menos operadores de ferramenta e mais curadores de sentido. Porque, no fim, a IA só é inteligente quando quem a usa também é.

 

O profissional do amanhã não será definido pela velocidade da entrega, mas pela profundidade do raciocínio.

 

(Por Cecília Rapassi. Disponível em: https://mercadoeconsumo.com.br. Acesso em: dezembro de 2025. Adaptado.)

Em “Seria cômico se não fosse preocupante: profissionais sustentando posições em castelos de areia e correndo o risco de que decisões importantes sejam tomadas com base em conclusões fabricadas por uma IA que não tem contexto nem senso de causalidade.”, é possível inferir, a partir da expressão grifada, que:

  1. AAlguns profissionais têm demonstrado posicionamentos frágeis e instáveis atrelados a escolhas feitas com base em inteli gência artificial.
  2. BA corrida pelo sucesso através do uso da inteligência artificial tem provocado preocupações considerando a alta competitividade sem precedentes.
  3. CO uso da tecnologia contemporânea tem se mostrado ineficaz quando o assunto se refere a decisões importantes nos mais variados setores da sociedade.
  4. DEm comparação com o século passado, o avanço da tecnologia mostra-se incalculável, justificando o uso da expressão “cas telo de areia”, demonstrando ser um sonho que se tornou realidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Alguns profissionais têm demonstrado posicionamentos frágeis e instáveis atrelados a escolhas feitas com base em inteli gência artificial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A expressão "castelos de areia" e a inferência sobre posicionamentos frágeis

Gabarito: letra A. A expressão "castelos de areia" é usada em sentido figurado para indicar algo frágil, instável e sem fundamento sólido. No trecho, o autor afirma que profissionais "sustentam posições em castelos de areia", ou seja, suas posições/argumentos são frágeis e instáveis, exatamente porque se baseiam em conclusões fabricadas por IA, sem revisão crítica. A alternativa A parafraseia essa ideia: "posicionamentos frágeis e instáveis atrelados a escolhas feitas com base em inteligência artificial".

O comando pede uma inferência a partir da expressão grifada. Inferir é extrair uma conclusão que não está literal, mas é obrigatoriamente sustentada por pistas do texto. Aqui, a pista é a metáfora "castelos de areia" + o contexto imediato: "profissionais sustentando posições em castelos de areia e correndo o risco de que decisões importantes sejam tomadas com base em conclusões fabricadas por uma IA que não tem contexto nem senso de causalidade".

"profissionais sustentando posições em castelos de areia e correndo o risco de que decisões importantes sejam tomadas com base em conclusões fabricadas por uma IA que não tem contexto nem senso de causalidade"

A metáfora "castelos de areia" remete a construções que desmoronam facilmente — exatamente o oposto de algo sólido. O autor usa essa imagem para criticar profissionais que aparentam competência, mas não têm domínio real sobre o que produzem. Isso é reforçado ao longo do texto: o profissional que não revisou o detalhe do e-commerce, que não soube justificar a metodologia, etc.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta conclusão, ou ela exige acrescentar algo de fora? A correta é a única que se apoia diretamente na metáfora e no contexto imediato, sem extrapolar.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A diz: "Alguns profissionais têm demonstrado posicionamentos frágeis e instáveis atrelados a escolhas feitas com base em inteligência artificial." Isso é uma paráfrase fiel da ideia central do trecho. O texto fala de "profissionais sustentando posições em castelos de areia" (frágeis/instáveis) e "conclusões fabricadas por uma IA" (escolhas com base em IA). A palavra "alguns" é adequada, pois o texto se refere a casos específicos, não a todos. Não há extrapolação: tudo está ancorado no trecho.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (fora do escopo). A alternativa B fala em "corrida pelo sucesso" e "alta competitividade sem precedentes". O texto não menciona corrida pelo sucesso nem competitividade. Esses elementos são acrescentados de fora — o leitor pode até achar plausível, mas não há pista textual que os sustente. A expressão "castelos de areia" não tem relação com competição; tem relação com fragilidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida (restringe o alcance). A alternativa C afirma que "o uso da tecnologia contemporânea tem se mostrado ineficaz quando o assunto se refere a decisões importantes nos mais variados setores da sociedade". O texto não generaliza para "os mais variados setores da sociedade" — ele fala especificamente do mundo corporativo e de profissionais que usam IA sem entender. Além disso, o texto não diz que a tecnologia é "ineficaz" em si; diz que o uso inadequado dela é problemático. Há uma restrição indevida (de "alguns profissionais" para "todos os setores") e uma troca de foco (da fragilidade das posições para a ineficácia da tecnologia).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (inverte o sentido). A alternativa D afirma que o avanço da tecnologia "justifica o uso da expressão 'castelo de areia', demonstrando ser um sonho que se tornou realidade". Isso é o oposto do que o texto diz. "Castelo de areia" aqui não é algo positivo que se realizou; é algo frágil e ilusório. O texto critica a falsa competência, não celebra um sonho realizado. Além disso, a comparação com "o século passado" é totalmente extrapolada — o texto não faz essa comparação.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma expressão figurada, pergunte: qual é o sentido conotativo? "Castelo de areia" = algo que desmorona facilmente. Desconfie de alternativas que interpretam a expressão de forma literal ou positiva.

Conclusão: a única alternativa que se sustenta integralmente no texto é a A. As demais ou extrapolam (B, D), generalizam indevidamente (C) ou invertem o sentido (D). Lembre-se: inferência legítima se ancora em pistas do texto; extrapolação acrescenta informação de fora — e extrapolar é errar.

Gabarito: letra A

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