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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa389599
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Manaus
Ano
2026
Cargo
TMCI (CGM Manaus)

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

ChatGPT não é analista: o perigo da falsa competência digital

 

Há uma epidemia invisível que começa a se espalhar no mundo corporativo: profissionais que utilizam ferramentas de Inteligência Artificial sem realmente entender os dados, a lógica ou o significado por trás deles. Relatórios e apresentações impecáveis à primeira vista, mas que revelam, em poucos minutos de leitura, que quem os produziu não entendeu o que estava dizendo.

 

Recentemente, um cliente pediu ao seu líder de área de vendas que elaborasse uma planilha com indicadores básicos de desempenho: vendas, conversão, ticket médio e churn. O profissional reuniu os dados, mas, em vez de fazer uma análise real, pediu à IA para gerar um relatório com conclusões.

 

Em segundos, o sistema devolveu um belo relatório com frases de efeito: “O ticket médio caiu devido à perda de foco no pós-venda” e também “A conversão subiu por conta do novo layout do e-commerce”.

 

Soa convincente, mas há um detalhe inacreditável: a empresa não tem e-commerce e o profissional sequer revisou esse detalhe antes de compartilhar a brilhante conclusão. Quanto aos demais indicadores, ele também não soube justificar ou explicar a metodologia, a lógica nem as variáveis envolvidas.

 

Em outro caso, também recente, o profissional trouxe um “laudo” em que pediu ao ChatGPT para avaliar a construção da meta do mês, apontando os riscos de gerar burnout no time de vendas.

 

Seria cômico se não fosse preocupante: profissionais sustentando posições em castelos de areia e correndo o risco de que decisões importantes sejam tomadas com base em conclusões fabricadas por uma IA que não tem contexto nem senso de causalidade.

 

Essa prática de delegar à IA o pensamento analítico cria o que chamo de “falsa competência digital”: o profissional parece produtivo, parece técnico, mas, na verdade, perdeu o controle sobre o raciocínio.

 

E isso já está sendo observado cientificamente. Um estudo publicado na revista Humanities and Social Sciences Communications (Nature, 2023), conduzido com estudantes do Paquistão e da China, mostrou que o uso indiscriminado da Inteligência Artificial está associado a uma perda expressiva da capacidade de tomada de decisão humana: 27,7% dos participantes relataram dependência cognitiva ou “preguiça mental” ao delegar análises à IA.

 

Outro estudo, AI Tools in Society: Impacts on Cognitive Offloading (MDPI, 2024), aponta um fenômeno semelhante: pessoas que dependem de IA para tarefas analíticas passam a desenvolver menor proficiência em raciocínio independente, confiando demais nas respostas automatizadas, mesmo quando incorretas.

 

Ambas as pesquisas confirmam o que já se percebe no dia a dia corporativo: quanto mais terceirizamos o pensamento, mais perdemos o domínio sobre ele.

 

O verdadeiro diferencial está em quem pensa com a IA, e não por meio dela.

 

E isso exige domínio dos fundamentos, como entender indicadores, testar hipóteses, validar correlações e aplicar senso crítico sobre cada conclusão gerada.

 

A Inteligência Artificial está mudando tudo, menos o essencial: a necessidade de pensar. O futuro do trabalho exigirá menos operadores de ferramenta e mais curadores de sentido. Porque, no fim, a IA só é inteligente quando quem a usa também é.

 

O profissional do amanhã não será definido pela velocidade da entrega, mas pela profundidade do raciocínio.

 

(Por Cecília Rapassi. Disponível em: https://mercadoeconsumo.com.br. Acesso em: dezembro de 2025. Adaptado.)

De acordo com o texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

 

( ) Segundo a autora, “falsa competência digital”, em outras palavras, seria o processo pelo qual o indivíduo passa a utilizar a inteligência artificial de modo impreciso e negativamente comprometido em todos os aspectos.

 

 ( ) Estudos científicos têm apresentado dados que demonstram e confirmam as inquietações suscitadas no texto acerca do uso da inteligência artificial. 

 

( ) Os cientistas demonstram, por meio de pesquisas e dados, que o comprometimento causado pelo uso da inteligência artificial equipara-se ao comprometimento de defasagem de competências já estabelecidas, como, por exemplo, a competência leitora.

 

A sequência está correta em

  1. AF, V, F.
  2. BF, V, V.
  3. CV, V, F.
  4. DV, F, F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — F, V, F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Falsa competência digital: julgando as afirmativas sobre o texto

Gabarito: letra A (F, V, F). A primeira afirmativa é falsa porque a autora define "falsa competência digital" como a perda de controle sobre o raciocínio ao delegar o pensamento analítico à IA — e não como um uso "impreciso e negativamente comprometido em todos os aspectos", expressão que generaliza e extrapola o alcance do texto. A segunda é verdadeira: os estudos citados (Nature, 2023, e MDPI, 2024) confirmam as inquietações da autora sobre a perda de capacidade de decisão e de raciocínio independente. A terceira é falsa: o texto não menciona qualquer comparação entre o comprometimento causado pela IA e a defasagem de competências já estabelecidas, como a competência leitora — isso é uma extrapolação sem apoio no texto.

O comando

A questão pede que você julgue a veracidade de três afirmativas com base no texto, marcando V ou F. Isso é uma tarefa de compreensão (localizar e reconhecer o que está ou não dito), não de inferência. Cada afirmativa deve ser testada contra o texto: se o texto autoriza a afirmação, é V; se o texto não diz ou diz o contrário, é F. O erro mais comum aqui é extrapolar — acrescentar ideias que o texto não sustenta, mesmo que pareçam razoáveis.

O texto

O texto é um artigo de opinião que critica o uso indiscriminado de IA no trabalho. A tese central é que delegar o pensamento analítico à IA cria uma "falsa competência digital": o profissional parece produtivo, mas perde o controle sobre o raciocínio. A autora ilustra com casos (o relatório com conclusões sobre e-commerce que não existe) e reforça com dois estudos científicos que associam o uso excessivo de IA à perda de capacidade de decisão e de raciocínio independente. A conclusão é que o diferencial está em "pensar com a IA, e não por meio dela".

A técnica que decide

Para cada afirmativa, pergunte: o texto diz exatamente isso? Se a afirmativa usa palavras absolutas como "todos", "sempre", "em todos os aspectos", desconfie — o texto raramente generaliza dessa forma. A primeira afirmativa usa "em todos os aspectos", o que já é um sinal de generalização indevida. A terceira afirmativa introduz uma comparação com "competência leitora", que não aparece em nenhum trecho — é pura extrapolação. A segunda afirmativa, por outro lado, encontra apoio direto nos parágrafos que citam os estudos.

Julgamento de afirmativas
  • 1Afirmativa 1 (F)
    • Generaliza ("em todos os aspectos")
    • Extrapola o conceito da autora
  • 2Afirmativa 2 (V)
    • Estudos confirmam inquietações
    • Nature (2023) e MDPI (2024)
  • 3Afirmativa 3 (F)
    • Comparação inexistente no texto
    • Competência leitora não é citada
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência F, V, F é a única que corresponde ao texto. A primeira afirmativa é falsa (generaliza e extrapola), a segunda é verdadeira (os estudos confirmam as inquietações) e a terceira é falsa (o texto não compara com competência leitora).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência F, V, V erra ao marcar a terceira afirmativa como verdadeira. O texto não estabelece qualquer comparação entre o comprometimento causado pela IA e a defasagem de competências já estabelecidas, como a leitora. Isso é uma extrapolação — a banca inventa uma relação que não existe no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência V, V, F erra ao marcar a primeira afirmativa como verdadeira. A autora define "falsa competência digital" como a perda de controle sobre o raciocínio, não como um uso "impreciso e negativamente comprometido em todos os aspectos". A expressão "em todos os aspectos" é uma generalização que o texto não sustenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência V, F, F erra ao marcar a primeira afirmativa como verdadeira e a segunda como falsa. A primeira é falsa (generaliza), e a segunda é verdadeira — os estudos citados confirmam as inquietações da autora, como se lê no trecho sobre o estudo da Nature e o do MDPI.

PEGA ESSA DICA!

Grife palavras absolutas como "todos", "sempre", "em todos os aspectos" — elas quase sempre indicam generalização indevida. E desconfie de comparações que o texto não faz, como a com "competência leitora".

Gabarito: letra A — a única sequência em que cada afirmativa é fiel ao texto, sem extrapolar nem generalizar.

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