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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — Instituto Consulplan 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa389604
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Manaus
Ano
2026
Cargo
TMCI (CGM Manaus)

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

ChatGPT não é analista: o perigo da falsa competência digital

 

Há uma epidemia invisível que começa a se espalhar no mundo corporativo: profissionais que utilizam ferramentas de Inteligência Artificial sem realmente entender os dados, a lógica ou o significado por trás deles. Relatórios e apresentações impecáveis à primeira vista, mas que revelam, em poucos minutos de leitura, que quem os produziu não entendeu o que estava dizendo.

 

Recentemente, um cliente pediu ao seu líder de área de vendas que elaborasse uma planilha com indicadores básicos de desempenho: vendas, conversão, ticket médio e churn. O profissional reuniu os dados, mas, em vez de fazer uma análise real, pediu à IA para gerar um relatório com conclusões.

 

Em segundos, o sistema devolveu um belo relatório com frases de efeito: “O ticket médio caiu devido à perda de foco no pós-venda” e também “A conversão subiu por conta do novo layout do e-commerce”.

 

Soa convincente, mas há um detalhe inacreditável: a empresa não tem e-commerce e o profissional sequer revisou esse detalhe antes de compartilhar a brilhante conclusão. Quanto aos demais indicadores, ele também não soube justificar ou explicar a metodologia, a lógica nem as variáveis envolvidas.

 

Em outro caso, também recente, o profissional trouxe um “laudo” em que pediu ao ChatGPT para avaliar a construção da meta do mês, apontando os riscos de gerar burnout no time de vendas.

 

Seria cômico se não fosse preocupante: profissionais sustentando posições em castelos de areia e correndo o risco de que decisões importantes sejam tomadas com base em conclusões fabricadas por uma IA que não tem contexto nem senso de causalidade.

 

Essa prática de delegar à IA o pensamento analítico cria o que chamo de “falsa competência digital”: o profissional parece produtivo, parece técnico, mas, na verdade, perdeu o controle sobre o raciocínio.

 

E isso já está sendo observado cientificamente. Um estudo publicado na revista Humanities and Social Sciences Communications (Nature, 2023), conduzido com estudantes do Paquistão e da China, mostrou que o uso indiscriminado da Inteligência Artificial está associado a uma perda expressiva da capacidade de tomada de decisão humana: 27,7% dos participantes relataram dependência cognitiva ou “preguiça mental” ao delegar análises à IA.

 

Outro estudo, AI Tools in Society: Impacts on Cognitive Offloading (MDPI, 2024), aponta um fenômeno semelhante: pessoas que dependem de IA para tarefas analíticas passam a desenvolver menor proficiência em raciocínio independente, confiando demais nas respostas automatizadas, mesmo quando incorretas.

 

Ambas as pesquisas confirmam o que já se percebe no dia a dia corporativo: quanto mais terceirizamos o pensamento, mais perdemos o domínio sobre ele.

 

O verdadeiro diferencial está em quem pensa com a IA, e não por meio dela.

 

E isso exige domínio dos fundamentos, como entender indicadores, testar hipóteses, validar correlações e aplicar senso crítico sobre cada conclusão gerada.

 

A Inteligência Artificial está mudando tudo, menos o essencial: a necessidade de pensar. O futuro do trabalho exigirá menos operadores de ferramenta e mais curadores de sentido. Porque, no fim, a IA só é inteligente quando quem a usa também é.

 

O profissional do amanhã não será definido pela velocidade da entrega, mas pela profundidade do raciocínio.

 

(Por Cecília Rapassi. Disponível em: https://mercadoeconsumo.com.br. Acesso em: dezembro de 2025. Adaptado.)

Em “Há uma epidemia invisível que começa a se espalhar no mundo corporativo: profissionais que utilizam ferramentas de Inteligência Artificial sem realmente entender os dados, a lógica ou o significado por trás deles. Relatórios e apresentações impecáveis à primeira vista, mas que revelam, em poucos minutos de leitura, que quem os produziu não entendeu o que estava dizendo.”, sem que haja prejuízo de correção gramatical e semântica, pode-se afirmar que:

  1. AO emprego da forma verbal “” indica uma particularidade que distingue o verbo “haver” do verbo “existir” quanto ao sentido empregado no trecho destacado.
  2. BIndependentemente de variações gramaticais quanto ao referente “epidemia invisível”, as formas verbais “” e “começa” deverão permanecer inalteráveis.
  3. CAo substituir “epidemia invisível” por seu equivalente no plural, a alteração da forma verbal “” seria uma inadequação gramatical de acordo com a norma padrão.
  4. DTanto “utilizam” quanto “revelam” são formas verbais que foram empregadas estabelecendo concordância com o mesmo referente, por isso apresentam-se na forma do plural.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Ao substituir “epidemia invisível” por seu equivalente no plural, a alteração da forma verbal “há” seria uma inadequação gramatical de acordo com a norma padrão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo “haver” impessoal e os referentes de “utilizam” e “revelam”

Gabarito: letra C. A afirmativa está correta porque, no trecho, “há” é o verbo “haver” com sentido de “existir”, portanto impessoal — não possui sujeito e deve permanecer sempre na 3ª pessoa do singular. Se substituíssemos “epidemia invisível” pelo plural (“epidemias invisíveis”), a forma “há” não mudaria: continuaria “há”, pois o verbo impessoal não se flexiona. Alterá-la para “hão” seria um erro grave de concordância, exatamente o que a alternativa C aponta.

O comando da questão

O enunciado pede que você analise o trecho e identifique a afirmação verdadeira sobre a correção gramatical e semântica. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido global, mas de aplicar regras de concordância verbal e de identificar corretamente os referentes das formas verbais. A banca testa dois pontos clássicos: (1) o comportamento do verbo “haver” impessoal e (2) a concordância com o sujeito simples.

O texto e o ponto decisivo

No trecho, temos:

“Há uma epidemia invisível que começa a se espalhar no mundo corporativo: profissionais que utilizam ferramentas de Inteligência Artificial sem realmente entender os dados, a lógica ou o significado por trás deles. Relatórios e apresentações impecáveis à primeira vista, mas que revelam, em poucos minutos de leitura, que quem os produziu não entendeu o que estava dizendo.”

Aqui, “há” equivale a “existe” — é o verbo “haver” no sentido de existir, que é impessoal (não tem sujeito). Por isso, ele fica sempre na 3ª pessoa do singular, mesmo que o termo seguinte esteja no plural. Já “utilizam” e “revelam” são verbos pessoais: “utilizam” concorda com “profissionais” (sujeito: “profissionais que utilizam”), e “revelam” concorda com “Relatórios e apresentações” (sujeito: “Relatórios e apresentações impecáveis... que revelam”). São sujeitos diferentes, ambos no plural, mas com referentes distintos.

A técnica que decide

A pegadinha central é confundir o comportamento do verbo “haver” impessoal com o de verbos pessoais. Enquanto “existir” se flexiona (“existem epidemias”), “haver” no sentido de existir não se flexiona (“há epidemias”). Na locução verbal, essa impessoalidade se transmite ao verbo auxiliar: “deve haver epidemias” (e não “devem haver”). A alternativa C explora exatamente isso: ao pluralizar o referente, a forma “há” permanece inalterada; mudá-la seria inadequação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma com a falsa ideia de que, ao pluralizar o sujeito, o verbo “haver” também deve ir para o plural. Isso é verdade para verbos pessoais, mas não para o “haver” impessoal. A alternativa B tenta confundir ao dizer que “há” e “começa” devem permanecer inalteráveis “independentemente de variações gramaticais” — o que é falso, pois “começa” concorda com “epidemia invisível” e mudaria se o sujeito fosse pluralizado.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver “há” com sentido de existir, pergunte-se: “quem existe?” Se a resposta for um termo que funciona como objeto direto (e não sujeito), o verbo é impessoal e fica no singular. Teste: “Há epidemias” — “epidemias” é objeto direto, não sujeito; logo, “há” não varia.

Verbo "haver" impessoal
  • 1Sentido de existir
  • 2Sem sujeito
  • 3Fica sempre no singular
  • 4Ex.: "Há epidemias"
  • 5Verbo "existir" pessoal
    • Concorda com o sujeito
    • Ex.: "Existem epidemias"
  • 6Verbos pessoais no trecho
    • "começa" → concorda com "epidemia invisível"
    • "utilizam" → concorda com "profissionais"
    • "revelam" → concorda com "Relatórios e apresentações"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que o emprego de “há” indica uma particularidade que distingue “haver” de “existir” quanto ao sentido. Isso é impreciso: a diferença entre “haver” e “existir” não é de sentido (ambos podem significar “existir”), mas de regência e concordância. “Haver” é impessoal e não tem sujeito; “existir” é pessoal e concorda com o sujeito. A alternativa confunde o plano semântico com o sintático — troca de conceito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que “há” e “começa” deverão permanecer inalteráveis “independentemente de variações gramaticais quanto ao referente”. Isso é falso: “começa” concorda com “epidemia invisível” (sujeito simples no singular). Se o referente fosse pluralizado (“epidemias invisíveis que começam”), “começa” deveria virar “começam”. Já “há” permaneceria “há”. A alternativa generaliza indevidamente ao tratar os dois verbos como se tivessem o mesmo comportamento.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta: ao substituir “epidemia invisível” por seu equivalente no plural (“epidemias invisíveis”), a forma “há” não muda, pois é impessoal. Alterá-la para “hão” seria um erro de concordância. O texto confirma: “Há uma epidemia invisível” — se fosse “Há epidemias invisíveis”, a forma verbal continuaria “há”. A alternativa está inteiramente sustentada pela regra do verbo haver impessoal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que “utilizam” e “revelam” concordam com o mesmo referente. Isso é falso: “utilizam” concorda com “profissionais” (sujeito: “profissionais que utilizam”), enquanto “revelam” concorda com “Relatórios e apresentações” (sujeito: “Relatórios e apresentações impecáveis... que revelam”). São sujeitos diferentes, ambos no plural, mas com referentes distintos. A alternativa contradiz o texto ao unificar os referentes.

Conclusão: a única alternativa inteiramente correta é a C, pois trata corretamente do verbo “haver” impessoal, que não se flexiona mesmo com referente no plural. As demais ou confundem sentido com sintaxe (A), ou generalizam o comportamento de verbos diferentes (B), ou unificam referentes distintos (D).

Gabarito: letra C

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