Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa389720
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Estiva Gerbi
Ano
2026
Cargo
Psic ( )
O imediatismo tóxico das redes sociais
Desconheço a pessoa que não possui ao menos uma rede social ativa. Raro também encontrar alguém que só tenha uma e que pouco a utiliza. Não há como negar as grandes vantagens das redes sociais nas nossas vidas. Encurtamos distâncias entre pessoas, nos mantemos informados sobre diversos assuntos, compartilhamos nossos sentimentos, etc. Poderia ficar linhas e linhas falando sobre as coisas boas das redes sociais no nosso cotidiano.
Mas nem tudo são flores. A rede social também é local de desrespeito, ofensas, crimes, exposição e tudo aquilo que condenamos (e que, muitas vezes, fazemos sem perceber). Contudo, tudo isso que falei até agora não é novidade para ninguém. Vantagens, desvantagens... Ok. Muitas pessoas já abordam esses assuntos. Então, qual o ponto a que eu gostaria de chegar?
Estamos ficando cada vez mais imediatistas. Geramos uma autocobrança desnecessária, do tipo: preciso postar, preciso falar que estou bem, preciso compartilhar a minha vida boa, preciso sorrir sempre, preciso me mostrar, preciso ser melhor que o outro. E, pior, preciso fazer isso sempre e antes de todo mundo. (...)
Troquei boa parte das minhas horas nas redes sociais pela leitura de livros. E isso foi maravilhoso. Não estou falando que a mudança de hábito foi rápida ou fácil. Na verdade, foi demorada e gradual. À noite, antes de dormir, por exemplo, eu passava mais ou menos uma hora zapeando no Twitter ou Instagram. Hoje, dedico essa hora à leitura de um bom romance. Resultado: minha escrita melhorou, naturalmente tenho mais conteúdo para compartilhar (...) e ainda tenho sonos muito mais regulares.
Por fim, acredito que o primeiro passo deva ser um diagnóstico. Você deve se entender, se questionar. Após isso, pense o que mais você poderia fazer para não ficar tão refém de uma rede social. Acredite, essa mudança de hábito trará bons resultados para você.
LOUREIRO, Juliano. O imediatismo tóxico das redes sociais. Bingo! Disponível em <https://www.livrobingo.com.br/cronica-o-imediatismo-toxico-das-redes-sociais>.
Leia o texto a seguir para responder à questão A ideia geral defendida pelo autor no texto “O imediatismo tóxico das redes sociais” é que:
Aas redes sociais devem ser abolidas da sociedade por serem tóxicas.
Bas pessoas não devem ficar escravas das redes sociais.
Cas pessoas devem passar mais tempo nas redes sociais.
Dquem não lê é incapaz de entender com perfeição as redes sociais.
Equem usa as redes sociais é incapaz de fazer uma leitura de um romance.
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GabaritoB — as pessoas não devem ficar escravas das redes sociais.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A tese do autor: não ser escravo das redes sociais
Gabarito: letra B. A ideia geral defendida pelo autor é que as pessoas não devem ficar escravas das redes sociais — a tese aparece de forma explícita no 5º parágrafo, quando ele orienta o leitor a "pensar o que mais você poderia fazer para não ficar tão refém de uma rede social". A alternativa B é a única que parafraseia fielmente essa posição central, sem acrescentar, restringir ou radicalizar nada.
O comando: o que a questão pede
O enunciado pergunta pela "ideia geral defendida pelo autor" — ou seja, pela tese do texto, a posição central que ele sustenta do início ao fim. Isso é uma questão de compreensão global: você não precisa inferir nada além do que está escrito; basta localizar a passagem que resume o posicionamento do autor e reconhecer a paráfrase correta. Cuidado: a banca não pede um detalhe, um argumento secundário ou uma consequência — pede o núcleo argumentativo.
O texto: onde mora a tese
O texto começa reconhecendo as vantagens das redes sociais (1º parágrafo), depois aponta as desvantagens (2º parágrafo) e, no 3º, introduz o problema central: o imediatismo tóxico e a autocobrança gerada pelo uso excessivo. No 4º parágrafo, o autor relata sua experiência pessoal de trocar redes por leitura — um argumento de autoridade pessoal que ilustra a mudança de hábito. A conclusão (5º parágrafo) é onde a tese se explicita:
"Após isso, pense o que mais você poderia fazer para não ficar tão refém de uma rede social. Acredite, essa mudança de hábito trará bons resultados para você."
A expressão "refém de uma rede social" é a chave: o autor não defende abolir as redes, nem passar mais tempo nelas — defende não se tornar escravo/refém delas. A alternativa B traduz exatamente isso com a palavra "escravas", sinônimo contextual de "refém".
A técnica que decide
Em questões de ideia principal/tese, o método é: leia a introdução e a conclusão — é onde o autor costuma amarrar seu ponto de vista. Aqui, a conclusão é explícita. Depois, teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? Toda alternativa que radicaliza (abolir, sempre, incapaz) ou inverte o sentido (passar mais tempo) cai por terra — porque o texto é moderado e equilibrado: reconhece vantagens, critica o excesso e propõe mudança de hábito.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"as redes sociais devem ser abolidas da sociedade por serem tóxicas"
Erro: extrapolação. O autor nunca defende abolir as redes sociais. Pelo contrário, no 1º parágrafo ele reconhece as "grandes vantagens" e diz que poderia "ficar linhas e linhas falando sobre as coisas boas". A palavra "tóxicas" aparece no título, mas o autor critica o imediatismo tóxico (o uso excessivo), não a ferramenta em si. A alternativa radicaliza a posição do autor, transformando uma crítica ao excesso em uma proposta de eliminação total — o que o texto não sustenta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"as pessoas não devem ficar escravas das redes sociais"
Paráfrase fiel da tese. O autor conclui orientando o leitor a "pensar o que mais você poderia fazer para não ficar tão refém de uma rede social". "Refém" e "escrava" são sinônimos contextuais — ambos expressam a ideia de dependência excessiva. A alternativa captura o núcleo argumentativo sem acrescentar nada: não diz que as redes devem ser abolidas, nem que são só ruins, nem que todos devem ler — apenas que não se deve ser escravo delas, exatamente o que o autor defende.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"as pessoas devem passar mais tempo nas redes sociais"
Erro: contradiz o texto. O autor faz o movimento oposto: no 4º parágrafo, ele relata que "troquei boa parte das minhas horas nas redes sociais pela leitura de livros" — ou seja, reduziu o tempo nas redes. A alternativa inverte completamente a direção argumentativa. Não há nenhuma passagem que sugira aumentar o uso; pelo contrário, o texto critica o imediatismo e a autocobrança que vêm do uso excessivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"quem não lê é incapaz de entender com perfeição as redes sociais"
Erro: extrapolação + opinião embutida. O autor menciona que a leitura melhorou sua escrita e deu "mais conteúdo para compartilhar" (4º parágrafo), mas nunca afirma que quem não lê é incapaz de entender as redes sociais. A alternativa acrescenta um juízo de valor (incapacidade) que não está no texto. É uma generalização indevida a partir de um benefício pessoal relatado pelo autor.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"quem usa as redes sociais é incapaz de fazer uma leitura de um romance"
Erro: contradiz o texto + extrapolação. O autor usa redes sociais (ele mesmo menciona Twitter e Instagram no 4º parágrafo) e lê romances — ele diz que passou a dedicar à leitura "a hora que antes era zapeando no Twitter ou Instagram". A alternativa cria uma incompatibilidade absoluta entre usar redes e ler romances, o que o texto desmente com o próprio exemplo do autor. Além disso, a palavra "incapaz" é uma generalização que o texto não autoriza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora extrapolar com alternativas que radicalizam a posição do autor (abolir, incapaz, passar mais tempo). A tese é moderada: não se trata de eliminar as redes, mas de não se tornar refém delas. Desconfie de palavras absolutas como "abolidas", "incapaz", "sempre" — elas quase sempre restringem ou ampliam indevidamente o que o texto diz.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "ideia geral", grife a conclusão do texto — é onde o autor costuma explicitar sua tese. Depois, compare cada alternativa com essa passagem, perguntando: "isto está escrito, ou é uma dedução minha?". A correta é sempre a que parafraseia o texto, sem acrescentar nem tirar nada.
Conclusão: a alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto — ela traduz a orientação final do autor de "não ficar tão refém de uma rede social" com a palavra "escravas". As demais extrapolam (A, D), contradizem (C, E) ou invertem o sentido. Gabarito: letra B.