Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Advérbio — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsAdvérbio
Código
qa389835
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UNIRIO
Ano
2026
Cargo
Ass ( )

Texto 1

 

Bons motivos para não se levar tão a sério e fazer sua criança interior aflorar

 

Jogos de mesa, mímica, queimada, palavras- cruzadas: brincar pode ser qualquer atividade de lazer sem compromisso com a performance, só pela diversão. Na infância, a gente se sente livre para explorar esse lado lúdico sem medo do julgamento.

 

À medida que a vida adulta se aproxima, cresce a pressão para abandonar esse tipo de prazer e adotar uma postura mais séria. Além disso, em meio a rotinas aceleradas, reservar um tempo para a brincadeira não só é difícil, como muitas vezes parece uma perda de tempo.

 

Estudos recentes indicam que esse hábito pode trazer vários benefícios para a saúde, além de tornar a vida mais leve e plena.

 

Raiz do problema

 

Segundo o psiquiatra norte-americano Stuart Brown, autor de “Play: How it Shapes the Brain, Opens the Imagination, and Invigorates the Soul” (Como brincar molda o cérebro, abre a imaginação e revigora a alma), os altos índices de melancolia de hoje — refletidos no aumento de transtornos como depressão e ansiedade — estão ligados à supressão do instinto natural de brincar.

 

“O oposto de brincar não é o trabalho, é a depressão. O déficit de brincadeiras entre adultos está se tornando uma crise de saúde pública”, disse em entrevista à revista National Geographic.

 

De acordo com um relatório publicado pela Lego em 2022, 93% dos adultos afirmam se sentir estressados regularmente. Entre eles, 86% dizem que brincar ou interagir com brinquedos ajuda a aliviar a tensão. Durante esses momentos, as preocupações do trabalho e da rotina ficam em segundo plano, e exercitamos algo cada vez mais raro: a atenção plena. Ao nos conectarmos com o presente, também conseguimos escutar melhor nós mesmos — com mais calma, leveza e presença.

 

Quando feito em grupo, o ato de brincar pode ser um antídoto contra a solidão. E mais: fortalece os laços sociais. Afinal, muitas vezes, durante essas atividades lúdicas, aprendemos a compartilhar, negociar, lidar com regras, respeitar o espaço do outro e mediar conflitos — habilidades sociais essenciais para a convivência.

 

Segundo Brown, brincar ainda é uma forma eficiente de desenvolver a adaptabilidade, a inteligência, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas. Para ele, em tempos difíceis, precisamos disso mais do que nunca, pois reforça nossa aptidão de lidar com o inesperado.

 

Os ‘kidults’

 

Junção das palavras “kid” (criança) e “adult” (adulto), o termo “kidult” é usado hoje para definir os adultos que compram, colecionam e se envolvem com brinquedos, personagens e itens que normalmente seriam voltados para o público infantil.

 

Esse universo está cada vez mais longe de ser um nicho pequeno. De acordo com dados da empresa de pesquisa WGSN, o mercado dos brinquedos colecionáveis foi estimado em US$ 12,5 bilhões em 2021 (R$ 6,6 bilhões, sem correção da inflação) e pode chegar a US$ 35,3 bilhões até 2032 (R$ 18,8 bilhões). Só nos Estados Unidos, pessoas entre 19 e 99 anos representaram 17,3% das vendas de brinquedos em 2023, segundo a Business Insider.

 

Mais do que passatempo, os brinquedos oferecem refúgio. Em tempos de burnout e sobrecarga emocional, funcionam como uma ponte de volta aos momentos leves da infância — e, por isso, têm ganhado espaço em um mercado cada vez mais guiado pela nostalgia. Filmes como Barbie e Lilo & Stitch são apenas alguns exemplos dessa tendência.

 

Entre os favoritos dos kidults, estão clássicos como os bonecos Funko, as peças de Lego e as famosas action figures. E também os hypados monstrinhos Labubu e os bebês reborn.

 

Hora de brincar

 

Em entrevista ao The New York Times, a professora Meredith Sinclair, autora do livro “Well Played: The Ultimate Guide to Awakening Your Family’s Playful Spirit” (Bem jogado: o guia para acordar o espírito brincalhão da sua família), sugere um jeito simples de reencontrar o prazer de brincar: lembrar do que fazia você feliz na infância. Pode ser algo tão simples quanto massinha de modelar, jogar stop com amigos ou correr atrás de uma bola no parque. O importante é deixar de lado a preocupação com o olhar alheio.

 

Brincar também passa por fazer algo sem a intenção de postar ou de gerar engajamento — algo que, convenhamos, anda cada vez mais raro. Embora compartilhar nas redes o que tem feito você se divertir seja legal, inclusive para inspirar outras pessoas, viver uma experiência só para si pode ser um exercício bem poderoso.

 

Na vida adulta, brincar raramente acontece por acaso. Por isso, vale reservar um tempo na agenda. Dedicar alguns minutos do dia a algo leve, só por prazer, pode ser justamente o que falta para sua rotina ficar um pouco mais solar.

 

Adaptado de:

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/bons-motivos-

para-nao-se-levar-tao-a-serio-e-fazer-sua-crianca-interior-

aflorar.shtml. Acesso em: 23 dez. 2025.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

   

A palavra destacada em “[...] viver uma experiência só para si pode ser um exercício bem poderoso.” é empregada, nesse excerto,

  1. Acomo antônimo de “mal”.
  2. Bcomo antônimo de “mau”.
  3. Ccom o mesmo sentido e a mesma classificação morfológica que em “O conhecimento é o bem mais poderoso da humanidade”.
  4. Dpara intensificar o adjetivo “poderoso”, sendo, portanto, um advérbio.
  5. Epara atribuir um valor positivo ao substantivo “exercício”, como o seu sinônimo “bom” em “Esse exercício é bom para a saúde”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — para intensificar o adjetivo “poderoso”, sendo, portanto, um advérbio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O advérbio "bem" como intensificador do adjetivo "poderoso"

Gabarito: letra D. No excerto "um exercício bem poderoso", a palavra "bem" intensifica o adjetivo "poderoso", funcionando como advérbio de intensidade — e não como advérbio de modo, substantivo ou adjetivo. A pista decisiva está na própria estrutura sintática: "bem" modifica "poderoso" (um adjetivo), e advérbio é exatamente a classe que modifica adjetivos, verbos ou outros advérbios, acrescentando circunstância ou intensidade. As demais alternativas confundem os múltiplos sentidos de "bem" com outras classes gramaticais.

O comando: classificar a palavra no contexto

A questão pede que você analise a palavra "bem" no excerto específico — não em abstrato. Isso significa que a resposta depende da função sintático-semântica que ela exerce na frase: o que ela modifica? Que ideia acrescenta? Esse tipo de questão testa sua capacidade de analisar a palavra em uso, não de decorar uma lista de advérbios.

O texto: o trecho em análise

No parágrafo final do texto, lemos:

"viver uma experiência só para si pode ser um exercício bem poderoso."

Aqui, "bem" está imediatamente antes de "poderoso", que é um adjetivo (qualidade atribuída a "exercício"). A função de "bem" é aumentar a intensidade dessa qualidade: não é apenas um exercício poderoso, é um exercício muito poderoso. Essa é a função típica do advérbio de intensidade.

A técnica: como identificar a classe de "bem"

A palavra "bem" é polissêmica — pode pertencer a várias classes, dependendo do contexto:

Uso

Classe

Exemplo

Modifica verbo (modo)

Advérbio de modo

"Ele se saiu bem na prova."

Modifica adjetivo (intensidade)

Advérbio de intensidade

"Ela é bem inteligente."

Nome (coisa boa)

Substantivo

"O bem venceu o mal."

Qualidade (bom)

Adjetivo

"Ele é um homem bem." (raro, mas possível)

No trecho, "bem" não modifica verbo (não diz como se vive a experiência), não é um substantivo (não nomeia algo), não é adjetivo (não qualifica diretamente "exercício" — quem qualifica é "poderoso"). Ele intensifica o adjetivo "poderoso", exatamente como "muito" faria. Portanto, é advérbio de intensidade.

Análise das alternativas

1Advérbio de modo
modifica verbo ("saiu-se bem")
2Advérbio de intensidade
modifica adjetivo ("bem poderoso")
3Substantivo
nomeia coisa valiosa ("o bem")
4Adjetivo
qualifica ("homem bem")
"Bem" (polissêmico)
LEVELsoulevel.com.br
"Bem" (polissêmico): Advérbio de modo (modifica verbo ("saiu-se bem")); Advérbio de intensidade (modifica adjetivo ("bem poderoso")); Substantivo (nomeia coisa valiosa ("o bem")); Adjetivo (qualifica ("homem bem"))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Bem" como advérbio de intensidade não é antônimo de "mal". O antônimo de "mal" (advérbio de modo) seria "bem" no sentido de "de modo correto" — mas aqui o sentido é de intensidade, não de modo. A alternativa confunde os dois usos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Mau" é adjetivo (oposto de "bom"). "Bem" no trecho não é adjetivo, e a oposição bem/mau não se aplica. A alternativa tenta atrair quem confunde "mal" e "mau" na escrita, mas o contexto não autoriza essa relação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Na frase "O conhecimento é o bem mais poderoso da humanidade", "bem" é substantivo (coisa valiosa). No excerto, é advérbio. Não há mesmo sentido nem mesma classificação morfológica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. "Bem" intensifica o adjetivo "poderoso", funcionando como advérbio de intensidade. A definição clássica: advérbio é a palavra invariável que modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio. Aqui, modifica adjetivo, acrescentando grau.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Bem" não é sinônimo de "bom" (adjetivo) e não atribui valor positivo ao substantivo "exercício" diretamente. Quem atribui valor é o adjetivo "poderoso"; "bem" apenas intensifica esse adjetivo. A alternativa confunde a função de intensificador com a de qualificador.

Fechamento

A regra de ouro: antes de classificar, pergunte o que a palavra modifica e que ideia acrescenta. Se modifica adjetivo ou advérbio e indica intensidade, é advérbio de intensidade. Não se deixe levar pela polissemia de "bem" — o contexto decide.

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/qa389835