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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa389848
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UNIRIO
Ano
2026
Cargo
Ass ( )

Texto 1

 

ENTENDA POR QUE SER MULTITAREFA É UM

MITO QUE FAZ MAL AO CÉREBRO

 

Participar de uma reunião, checar mensagens e adiantar um relatório ao mesmo tempo. Quem nunca sentiu um certo orgulho por conseguir fazer várias coisas simultaneamente? Mas, a longo prazo, a vida multitarefas, ou multitasking, cobra seu preço. Chegar ao fim do dia com a cabeça a mil e não conseguir dormir é um clássico. Viver com a sensação de cansaço também. Por essas e outras, seria sensato parar de glorificar esse comportamento e, sempre que possível, fazer uma coisa de cada vez.

 

Ninguém ganha com o multitasking

 

Multitarefa não é só realizar duas ou mais tarefas ao mesmo tempo. Alternar entre uma ação e outra ou executar várias atividades seguidas, sem pausas, são variações sobre o mesmo tema: uma tentativa de dar conta das mil e uma demandas do dia a dia. Com a divisão desproporcional das funções domésticas e do cuidado, as mulheres tendem a desenvolver ainda mais essa “capacidade”.

 

Pesquisadores que estudam o impacto do multitasking nos processos mentais garantem que a nossa mente não foi projetada para lidar com várias tarefas ao mesmo tempo. Por exemplo, o renomado neurocientista Earl Miller, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, acredita que só podemos ter um ou dois pensamentos de cada vez.

 

Pesquisas recentes reforçam essa ideia. Um estudo dos departamentos de psicologia da Iowa State University e da California State University Northridge, publicado no mês passado na Frontiers in Psychology, mostrou que quem recorre à multitarefa com frequência busca mais gratificação imediata, subestima o tempo gasto nas atividades e tem menor autocontrole. Em resumo, a alternância constante entre estímulos ativa mais os circuitos de recompensa do que os de autorregulação — o que ajuda a explicar por que é tão difícil largar o celular.

 

Até a produtividade pode ser prejudicada. Ao contrário do que parece, alternar entre tarefas pode tornar tudo mais lento. Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology mostra que, ao mudar de atividade, o cérebro precisa se reajustar, retomar o raciocínio e lembrar as “regras” de cada função. O multitasking também nos impede de executar algumas ações no “piloto automático”, o que nos poupa alguns recursos mentais.

 

Pane no sistema cerebral

 

Um estudo da Cardiff University, do Reino Unido, indica que o multitasking tende a reconfigurar nossas conexões cerebrais, reduzindo a capacidade de manter o foco e de prestar atenção. Isso pode resultar em vários problemas, como um aumento na quantidade de erros e acidentes. Uma pesquisa de 2018, por exemplo, descobriu que adultos são mais propensos a cometer deslizes ao dirigir se estiverem realizando outras tarefas ao mesmo tempo, como ajustar o Waze ou checar o WhatsApp.

 

A falta de atenção também prejudica a memória, já que é preciso estar presente para que as experiências se fixem. Além disso, ao pular de uma tarefa para outra sem pausa, nosso cérebro não tem tempo de consolidar o que aprendeu ou de alcançar pensamentos mais profundos.

 

O multitasking também reduz a criatividade, que é estimulada quando a mente está livre de exigências complexas. “Muitas vezes, não estamos conseguindo memorizar as coisas porque não estamos presente de verdade, mas divididos em multitarefas no presencial e no online. Existe uma ilusão de que a atenção pode ser dividida, o que não é verdade”, explica Natália Mota, neurocientista e psiquiatra computacional.

 

Lidar com tarefas simultâneas também pode sobrecarregar o sistema nervoso e gerar sensação de urgência constante, o que contribui para o aumento da ansiedade. Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao esgotamento mental e ao burnout.

 

Monotasking e seus benefícios

 

Em um mundo que valoriza o multitasking como uma habilidade desejável, focar uma atividade por vez (monotasking) é cada vez mais difícil. Na correria, também parece que não temos outra opção. Mas poderíamos, pelo menos, parar de romantizar esse processo, reconhecer as suas consequências e evitar essa prática quando possível.

 

Um bom primeiro passo para quem deseja adotar o monotasking é limitar as distrações, começando pelos momentos de lazer — por exemplo, deixar o celular de lado enquanto assiste a séries. Já no trabalho, isso pode significar tanto procurar um local mais silencioso ou desligar notificações. Vale também agendar horários específicos para checar emails, mensagens e outras atividades que costumam nos distrair.

 

Mas esse talvez seja um preço necessário para perceber o que está em excesso ou o que consome mais tempo do que deveria. Essa mudança pode levar a transformações mais profundas. E o cérebro agradece.

 

Disponível em:

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/entenda-por-que-

ser-multitarefa-e-um-mito-que-faz-mal-ao-cerebro.shtml. Acesso

em: 10 dez. de 2025.

O texto a seguir refere-se à questão.

   

Assinale a alternativa em que o termo “ao” NÃO introduz um segmento textual que veicula uma circunstância de tempo.

  1. A“[...]” ao mudar de atividade, o cérebro precisa se reajustar [...]”.
  2. B“Participar de uma reunião, checar mensagens e adiantar um relatório ao mesmo tempo.”
  3. C“[...] adultos são mais propensos a cometer deslizes ao dirigir [...]”.
  4. D“[...] ao pular de uma tarefa para outra sem pausa, nosso cérebro não tem tempo [...]”.
  5. E“Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao esgotamento mental [...]”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao esgotamento mental [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor do "ao" + infinitivo: oração temporal reduzida ou simples preposição?

Gabarito: letra E. A questão pede a alternativa em que o termo "ao" NÃO introduz um segmento com circunstância de tempo. Em A, C e D, "ao" + verbo no infinitivo forma oração subordinada adverbial temporal reduzida (equivale a "quando + verbo no pretérito"). Na letra E, porém, o "ao" é apenas a preposição exigida pela regência do verbo "abrir" — "abrir caminho a algo" — e o termo "esgotamento mental" é objeto indireto, não uma circunstância de tempo. A passagem que prova isso está no texto: "Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao esgotamento mental e ao burnout." O "ao" aqui é a fusão da preposição "a" com o artigo "o", e o segmento "ao esgotamento mental" responde à pergunta "abre caminho a quê?", não "quando?".

O comando: o que a banca pede

O enunciado é claro: assinale a alternativa em que o "ao" NÃO introduz um segmento textual que veicula circunstância de tempo. Isso significa que, em quatro alternativas, o "ao" + infinitivo tem valor temporal (equivale a "quando"), e em uma delas o "ao" tem outra função — no caso, a de preposição regida por um verbo. A tarefa é de análise sintático-semântica: identificar quando "ao" forma uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo e quando é apenas preposição.

A técnica: como reconhecer a oração temporal reduzida

A oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo é introduzida pela preposição "ao" + verbo no infinitivo e equivale a uma oração desenvolvida com "quando". Exemplo clássico: "Ao chegar, avise-me" = "Quando chegar, avise-me". Nesses casos, o segmento "ao + infinitivo" indica o momento em que ocorre a ação da oração principal — ou seja, uma circunstância de tempo.

Já a preposição "ao" (contração de "a" + "o") pode ser exigida pela regência de um verbo ou nome, sem qualquer valor temporal. É o caso de "abrir caminho a algo": o verbo "abrir" pede a preposição "a" para introduzir o objeto indireto. O segmento "ao esgotamento mental" não responde a "quando?", mas a "a quê?" — é um complemento verbal, não um adjunto adverbial de tempo.

A pegadinha da banca

A banca mistura duas construções que parecem iguais: "ao + infinitivo" (temporal) e "ao + substantivo" (preposição + artigo). A letra E é a única em que "ao" não é seguido de verbo no infinitivo, mas de um substantivo ("esgotamento mental"). Isso é um forte indício de que não se trata de oração temporal. Além disso, o verbo "abrir" exige a preposição "a" para o complemento, o que confirma o valor preposicional.

Análise das alternativas

"ao" + infinitivo
  • 1Oração temporal reduzida
    • Equivale a "quando"
    • Ex.: "ao dirigir" = "quando dirige"
  • 2Preposição + artigo
    • Regência verbal
    • Sem valor temporal
    • Ex.: "abrir caminho ao esgotamento"
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Alternativa A — ✅ Correta (não é o gabarito)

"ao mudar de atividade, o cérebro precisa se reajustar"

Aqui, "ao mudar" = "quando muda". O segmento indica o momento em que o cérebro precisa se reajustar. É uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo. Portanto, o "ao" introduz circunstância de tempo — a alternativa não é a resposta.

Alternativa B — ✅ Correta (não é o gabarito)

"Participar de uma reunião, checar mensagens e adiantar um relatório ao mesmo tempo."

Aqui, "ao mesmo tempo" é uma locução adverbial de tempo — indica simultaneidade. O "ao" faz parte da locução, mas o segmento inteiro veicula circunstância de tempo. A alternativa não é a resposta.

Alternativa C — ✅ Correta (não é o gabarito)

"adultos são mais propensos a cometer deslizes ao dirigir"

"Ao dirigir" = "quando dirigem". O segmento indica o momento em que os adultos cometem deslizes. É uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo. Portanto, o "ao" introduz circunstância de tempo — a alternativa não é a resposta.

Alternativa D — ✅ Correta (não é o gabarito)

"ao pular de uma tarefa para outra sem pausa, nosso cérebro não tem tempo"

"Ao pular" = "quando pula". O segmento indica o momento em que o cérebro não tem tempo. É uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo. Portanto, o "ao" introduz circunstância de tempo — a alternativa não é a resposta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

"Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao esgotamento mental e ao burnout."

Aqui, "ao esgotamento mental" é objeto indireto do verbo "abrir" (abre caminho a algo). O "ao" é a contração da preposição "a" com o artigo "o", exigida pela regência verbal. Não há verbo no infinitivo, não há valor temporal — o segmento responde a "a quê?", não a "quando?". Portanto, o "ao" NÃO introduz circunstância de tempo — esta é a resposta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura "ao + infinitivo" (temporal) com "ao + substantivo" (preposição + artigo). A letra E é a única em que "ao" não é seguido de verbo, e o verbo "abrir" exige a preposição "a" para o complemento.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar oração temporal reduzida, substitua "ao + infinitivo" por "quando + verbo conjugado". Se a substituição funcionar, é tempo; se não, é preposição regida.

Conclusão: a única alternativa em que o "ao" não introduz circunstância de tempo é a letra E, pois "ao esgotamento mental" é objeto indireto do verbo "abrir", não um adjunto adverbial temporal.

Gabarito: letra E

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