Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — Avança SP 2026

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa389933
Banca
Avança SP
Órgão
CM Francisco Morato
Ano
2026
Cargo
Ass CS ( )

Amizades definitivas

Amizade vai além do momento.

 

É comum ser amigo de contextos idênticos e se distanciar com os hábitos diferentes.

 

Quando você está solteiro, o normal é fazer cumplicidade com quem frequenta festas e não se apega a uma relação. Quando está casado, o normal é criar laços com outros casais e privilegiar jantares e viagens. Quando está com filhos, o normal é sair com quem também está conhecendo as manhas e as longas manhãs dos bebês.

 

Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio.

 

Estas nem são amizades verdadeiras, mas afinidades circunstanciais. São colegas de uma época, de uma fase, de um estilo. Acabam unidos provisoriamente por um gosto, circunscritos a uma vizinhança etária. Desaparecem diante de nossa primeira mudança, de nossa primeira transformação de personalidade.

 

Permanecem quando há um interesse imediato, um arranjo benéfico do cotidiano, e somem quando não existe mais uma desculpa para se ver e se ouvir. Dependem de um pretexto para se manter próximos.

 

Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos. Os conhecidos da faculdade ficarão na lembrança do quadro negro assim que nos formarmos. Os conhecidos dos cursos de idiomas ficarão nos livros de exercícios assim que dominarmos uma nova língua.

 

Amigo mesmo é (...) aquele que se separou e não amaldiçoa nossa paixão recente. É aquele que não tem emprego fixo e não inveja o nosso sucesso. É aquele que não tem nenhum problema grave e escuta com paciência e atenção as nossas lamúrias.

 

Não é o de empatia fácil, feita de experiências semelhantes: só porque atravessa a fossa entende a nossa fossa, só porque transborda de alegria festeja a nossa alegria. Amigo não dá nem para contar nos dedos, pois sempre estará segurando nossa mão.

 

CARPINEJAR, Fabrício. Amizades definitivas. 4 crônicas sobre amizade. Disponível em <https://www.refletirpararefletir.com.br/4-cronicas-sobre-amizade-fabricio-carpinejar>.

Leia o texto a seguir para responder à questão     O texto “Amizades definitivas” é predominantemente:
  1. Adissertativo, apresentando ideias pessoais e subjetivas sobre a amizade.
  2. Bdissertativo, apresentando ideias racionais e científicas sobre a amizade.
  3. Cnarrativo, apresentando fatos reais com personagens bem específicos.
  4. Dnarrativo, apresentando fatos imaginários com personagens bem específicos.
  5. Edescritivo, apresentando qualidades positivas e negativas de um amigo do autor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — dissertativo, apresentando ideias pessoais e subjetivas sobre a amizade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia Textual: Dissertação Argumentativa

Gabarito: letra A. O texto “Amizades definitivas” é predominantemente dissertativo, pois o autor defende uma tese — a de que amizade verdadeira ultrapassa as afinidades circunstanciais — e a sustenta com argumentos e exemplos, como se lê no trecho: “Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio.” A alternativa A é a única que capta essa natureza opinativa e subjetiva do texto.

Para resolver, o comando pede que se identifique o tipo textual predominante. Isso não é uma questão de compreensão literal, mas de classificação tipológica: devemos olhar para a intenção do autor (o conteúdo) e não apenas para a forma. O texto não narra uma história com personagens e enredo, nem descreve estática e detalhadamente um objeto ou pessoa; ele discute um tema (a amizade) e defende um ponto de vista — características centrais da dissertação argumentativa.

O texto apresenta uma tese clara: amizade verdadeira é rara e não depende de circunstâncias. Para defendê-la, o autor argumenta contrastando as “afinidades circunstanciais” (amizades de conveniência) com o “amigo mesmo” (aquele que permanece independente de interesses). Veja a passagem que sustenta a tese:

“Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio.”

E a argumentação se desenvolve com exemplos concretos:

“Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos. Os conhecidos da faculdade ficarão na lembrança do quadro negro assim que nos formarmos.”

Esses exemplos servem para comprovar a tese de que amizades baseadas em contexto são passageiras. O autor também usa juízos de valor e subjetividade — “Amigo não dá nem para contar nos dedos” — o que reforça o caráter opinativo.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que descrevem outros tipos textuais (narrativo, descritivo) com qualificações que parecem plausíveis, mas que não correspondem à intenção predominante do texto. A alternativa B, por exemplo, tenta atrair quem confunde “dissertativo” com “racional e científico”, mas o texto é claramente subjetivo e pessoal, não científico.

1Dissertativo-argumentativo
Defende tese com argumentos
Subjetivo e opinativo
2Narrativo
Conta história com enredo e personagens
3Descritivo
Caracteriza objeto/pessoa estaticamente
Tipologia textual
LEVELsoulevel.com.br
Tipologia textual: Dissertativo-argumentativo (Defende tese com argumentos, Subjetivo e opinativo); Narrativo (Conta história com enredo e personagens); Descritivo (Caracteriza objeto/pessoa estaticamente)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que o texto é dissertativo, apresentando ideias pessoais e subjetivas sobre a amizade. Isso está perfeitamente ancorado no texto: o autor defende uma tese (“Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio”) e a desenvolve com argumentos e exemplos pessoais, como a descrição das amizades de academia, faculdade e cursos de idiomas. A subjetividade é evidente em frases como “Amigo não dá nem para contar nos dedos”, que expressa uma opinião do autor, não um fato objetivo. Portanto, a alternativa A é a única que descreve corretamente a tipologia predominante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B também classifica o texto como dissertativo, mas o qualifica como racional e científico. Isso é um erro de troca de conceito: o texto não apresenta dados, estatísticas ou linguagem impessoal; ao contrário, é subjetivo e opinativo, com marcas de primeira pessoa e juízos de valor. A passagem “Amigo não dá nem para contar nos dedos” é uma opinião pessoal, não uma constatação científica. A banca tenta atrair quem sabe que é dissertativo, mas erra ao acrescentar “racional e científico”.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C classifica o texto como narrativo, apresentando fatos reais com personagens bem específicos. Isso é um erro de fuga ao tema: o texto não narra uma história com enredo, personagens e sequência de eventos. Não há um narrador contando o que aconteceu com alguém; há um ensaio opinativo sobre amizade. Os exemplos citados (academia, faculdade) são ilustrações genéricas, não personagens específicos. Portanto, a alternativa C não se sustenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D também classifica o texto como narrativo, mas com fatos imaginários. Além do mesmo erro da C (não é narrativo), acrescenta “imaginários”, o que é uma extrapolação: o texto não apresenta fatos fictícios nem personagens; ele discute ideias. Não há enredo, conflito ou clímax. A alternativa D é duplamente incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E classifica o texto como descritivo, apresentando qualidades positivas e negativas de um amigo do autor. Embora o texto mencione características de um amigo (“não amaldiçoa nossa paixão recente”, “não inveja o nosso sucesso”), isso é usado como argumento para defender a tese, não como uma descrição estática de uma pessoa. O texto não se propõe a descrever um amigo específico; ele discute o conceito de amizade. Portanto, a alternativa E tangencia o tema, mas não representa a tipologia predominante.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a tipologia predominante, pergunte: qual é a intenção do autor? Se ele defende uma opinião com argumentos, é dissertativo-argumentativo; se conta uma história, é narrativo; se caracteriza algo, é descritivo. O conteúdo predomina sobre a forma.

Gabarito: letra A.

Link permanente: /questoes/qa389933