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Questão de Português — Funções Sintáticas dos Pronomes Relativos — Avança SP 2026

PortuguêsFunções Sintáticas dos Pronomes Relativos
Código
qa389939
Banca
Avança SP
Órgão
CM Francisco Morato
Ano
2026
Cargo
CInt ( )

Entrando pela cozinha

 

Aromas, sabores, os sons dos talheres e das panelas misturados à prosa em alto volume das vozes femininas. A cozinha é parte tão viva da casa! Não sei se de todas. Por certo da casa da minha infância e adolescência, perseverando na casa dos meus pais hoje e na minha. A gente não come somente a comida. Come os afetos, os prazeres, os desejos. Quantas lembranças acordam o olfato com os cheiros daquele tempero de um certo prato que aquela pessoa preparava?

 

Peço, agora, que você imagine os alimentos de sua infância, seus cheiros, sabores, texturas e aromas, imagens e vozes das pessoas que os faziam. Feche os olhos! Sim, eu agora fecho os meus para dar vazão à memória. Feche, por favor, também os seus!

 

Salivei. As memórias da cozinha da mãe e das avós me despertam todos os sentidos. De um lado, pães de queijo, pamonhas, pudins e outras sobremesas do Centro-Oeste – a origem materna. De outro lado, caruru, vatapá, camarões e peixes no toque do dendê do Nordeste africano e o tempero sem igual da mãe de meu pai. Isso tudo se misturando à riqueza de legumes e verduras do Sudeste do país, onde habitávamos, e seus hábitos iam nos habitando. No alimento, a poética ancestral do cuidar entrelaçada aos sabores gastronômicos miscigenando minha família e o país.

 

Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha. Construiu assim, a cozinha na frente da casa. Ele diz que é porque as pessoas gostam é de ficar na cozinha. Que quando era criança ficava era todo mundo lá. Então construiu a casa entrando pela cozinha, esse lugar que congrega as pessoas e suas histórias – temperos e contos à beira do fogão.

 

Ao redor da mesa, vivi e vivo os maiores e melhores momentos de comunhão familiar. Também ao redor da mesa, alguns dissabores e conflitos. A riqueza da gastronomia familiar brasileira tecida em fios de cuidar é como rede em varanda que embala um cochilo sem pretensão. Das extravagâncias natalinas ao pão de cada dia. É belo esse lugar de onde vim por tão sagrado que é! É belo esse lugar de onde vim, por tão profano que é!

 

MOURA, Cristiana. Entrando pela cozinha. Crônica do dia. Disponível em <https://www.cronicadodia.com.br/2014/06/entrando-pela-cozinha-cristiana-moura.html>.

Leia o texto a seguir para responder à questão

   

“Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha.”

 

A palavra destacada no trecho acima tem o sentido de:

  1. Amodo.
  2. Bposse.
  3. Clugar.
  4. Dtempo.
  5. Enegação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — posse.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O Pronome Relativo "Cujo" e o Sentido de Posse

Gabarito: letra B. A palavra destacada "cuja" é um pronome relativo que estabelece relação de posse entre o possuidor ("professor") e o possuído ("casa"). No trecho "Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha", entende-se que a casa pertence ao professor — é a casa dele. Essa leitura é confirmada pela própria definição do pronome: "cujo" (e flexões) sempre indica posse e vem entre dois substantivos, como se vê no trecho citado.

O Comando da Questão

A questão pede o sentido da palavra destacada — ou seja, o valor semântico que o pronome relativo "cuja" carrega no contexto. Não se trata de classificar morfologicamente (embora isso ajude), mas de identificar o que a palavra expressa: posse, modo, lugar, tempo ou negação. Em questões assim, o caminho é substituir o pronome por uma expressão equivalente e ver qual alternativa mantém o sentido.

O Texto e a Resposta

No trecho, "cuja casa" equivale a "a casa do professor". A relação entre "professor" e "casa" é de pertencimento: a casa é do professor. O pronome relativo "cujo" é o único que, na língua portuguesa, tem esse valor possessivo intrínseco. Veja a passagem:

"Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha."

Aqui, "cuja" retoma "professor" e estabelece que a casa é dele. Se reescrevêssemos: "Tive um professor; a casa dele tem a entrada pela cozinha" — o sentido de posse fica explícito. É exatamente isso que a alternativa B captura.

A Técnica que Decide

Para resolver, pergunte: "cuja casa" = "a casa de quem?" A resposta é "do professor". Essa substituição revela a posse. As demais alternativas testam outros valores que o pronome não possui:

  • Modo (A): seria "como" — ex.: "a maneira como ele entrou".

  • Lugar (C): seria "onde" — ex.: "a casa onde moro".

  • Tempo (D): seria "quando" — ex.: "a época quando isso ocorreu".

  • Negação (E): seria "não" ou "nenhum" — não há negação no trecho.

O pronome "cujo" é exclusivamente possessivo; não admite esses outros sentidos. Por isso, a única resposta correta é posse.

Análise das Alternativas

1Valor semântico
Posse (exclusivo)
2Substituição
"de quem" / "do qual"
"a casa do professor"
3Não indica
Modo ("como")
Lugar ("onde")
Tempo ("quando")
Negação ("não")
Pronome relativo "cujo"
LEVELsoulevel.com.br
Pronome relativo "cujo": Valor semântico (Posse (exclusivo)); Substituição ("de quem" / "do qual", "a casa do professor"); Não indica (Modo ("como"), Lugar ("onde"), Tempo ("quando"), Negação ("não"))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Modo" seria expresso por "como" (ex.: "o jeito como ele falou"). O pronome "cuja" não indica maneira, e o trecho não traz qualquer ideia de modo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Posse. O pronome relativo "cuja" estabelece relação de pertencimento entre "professor" (possuidor) e "casa" (possuído). A reescrita "a casa do professor" comprova o valor possessivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Lugar" seria expresso por "onde" (ex.: "a casa onde moro"). Embora "casa" seja um lugar, o pronome "cuja" não indica lugar; indica posse. A banca oferece essa opção justamente para confundir quem lê rápido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Tempo" seria expresso por "quando" (ex.: "a época quando isso ocorreu"). Não há qualquer noção temporal no trecho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. "Negação" não aparece em "cuja". O pronome não tem valor negativo; a frase é afirmativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre "cujo" (posse) e "onde" (lugar). Como "casa" é um lugar, muitos candidatos marcam "lugar" sem perceber que o pronome relativo "cuja" não indica lugar, mas sim posse.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar "cujo", teste com "de quem" ou "do qual": "a casa do professor" — se fizer sentido, é posse. Nunca confunda com "onde", que só se usa para lugar físico.

Gabarito: letra B.

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