Questão de Português — Questões Mescladas sobre Pronomes — Avança SP 2026
Português›Questões Mescladas sobre Pronomes
Código
qa389959
Banca
Avança SP
Órgão
CM Francisco Morato
Ano
2026
Cargo
Of EP ( )
Você já se acostumou com a biometria facial?
Essa semana fiz o cadastro de biometria facial para entrar na minha própria casa. Não preciso mais de chave, nem de senha, nem chamar o porteiro. Só meu rosto. Eu olho para a câmera e a porta se abre, como mágica – ou como num desses filmes futuristas. Ainda não me acostumei: sempre sorrio e digo “obrigada”. Não sei se por educação ou por medo de que a máquina fique ofendida e me deixe do lado de fora.
Fiquei pensando no porteiro. Ele, que por tanto tempo foi o guardião das entradas e saídas, agora é coadjuvante de um sistema que reconhece rostos, mas não reconhece pessoas. Por trás dessa eficiência tecnológica, há uma cadeia de mudanças invisíveis: empregos que desaparecem, funções que se tornam obsoletas. (...)
No fim de semana, fui ao clube. “Senhorita, pode encostar o carro? Vamos cadastrar sua biometria facial.” Lá estava eu de novo, frente à câmera. E, de presente, também me pediram o dedo – da mão esquerda, claro, que sai da janela do motorista. A vida virou uma sucessão de pequenos cadastros. Agora, na próxima visita, basta olhar, encostar o dedo e, como num passe de mágica, a cancela vai se abrir. Não faço mais carteirinhas: faço biometrias. Mas cada dado entregue é um voto de confiança cega – nem sempre consciente – em sistemas nem sempre transparentes.
Vejo trabalhadores registrando seus próprios desaparecimentos em vídeos tristes. Uma funcionária de supermercado, diante de caixas de autoatendimento, desabafou: “Aos pouquinhos eu vou perdendo meu emprego”. Disse com a voz baixa, como quem já sabe o desfecho. Eu mesma ainda não me acostumei. Continuo sorrindo para a câmera e dizendo “obrigada”, talvez como lembrete de que, no fim das contas, ainda sou humana.
AZENHA, Isabele. Você já se acostumou com a biometria facial? Ciência e Tecnologia. Disponível em <https://agenciadenoticias.uniceub.br/ciencia-e-tecnologia/cronica-voce-ja-se-acostumou-com-a-biometria-facial/>.
Leia o texto a seguir para responder à questão No texto “Você já se acostumou com a biometria facial?”, a frase narrativa que introduz cada um dos parágrafos se apresenta na:
Aprimeira pessoa, mostrando que a autora conta fatos referentes a uma outra pessoa.
Bterceira pessoa, mostrando que a autora é a própria personagem.
Cprimeira pessoa, mostrando que a autora é a própria personagem.
Dterceira pessoa, mostrando que a autora conta fatos referentes a uma outra pessoa.
Eprimeira e terceira pessoas, misturando ações ocorridas com ela e com outros.
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GabaritoC — primeira pessoa, mostrando que a autora é a própria personagem.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pessoa do Discurso na Narração em Primeira Pessoa
Gabarito: letra C. A frase narrativa que introduz cada parágrafo está na primeira pessoa, e a autora é a própria personagem — ou seja, trata-se de uma narração em primeira pessoa, em que quem narra também vive os fatos. Isso se prova pelas marcas de 1ª pessoa do discurso espalhadas pelo texto: "Essa semana fiz o cadastro", "Eu olho para a câmera", "Fiquei pensando", "fui ao clube", "Continuo sorrindo". A alternativa C é a única que acerta as duas informações: a pessoa gramatical (primeira) e o papel da autora (personagem).
O que o comando pede
A questão pergunta em que pessoa gramatical está a "frase narrativa que introduz cada um dos parágrafos" e o que isso revela sobre a autora. São duas exigências: (1) identificar a pessoa do discurso (1ª, 2ª ou 3ª) e (2) interpretar o efeito dessa escolha (quem narra é personagem ou narra fatos de outra pessoa?). É uma questão de compreensão + análise gramatical aplicada ao texto — não basta decorar a tabela de pronomes; é preciso reconhecer as marcas de pessoa nos verbos e pronomes do próprio texto.
O texto: narração em primeira pessoa
O texto é uma crônica em que a autora relata experiências pessoais com a biometria facial. A tese é a reflexão crítica sobre a substituição de relações humanas por sistemas tecnológicos. O que interessa para esta questão é a voz narrativa: a autora fala de si mesma, em 1ª pessoa do singular, o que fica evidente desde o primeiro parágrafo:
"Essa semana fiz o cadastro de biometria facial para entrar na minha própria casa."
O verbo "fiz" (1ª pessoa do singular do pretérito perfeito) e o pronome possessivo "minha" são marcas inequívocas de que a narradora é também a personagem central. Esse padrão se repete em todos os parágrafos: "Eu olho para a câmera", "Fiquei pensando", "fui ao clube", "Continuo sorrindo". Não há nenhum trecho em que a autora narre fatos de outra pessoa como protagonista — as outras pessoas (porteiro, funcionária) aparecem apenas como coadjuvantes em suas próprias experiências.
A técnica: pessoa do discurso × papel do narrador
A pessoa do discurso é a perspectiva gramatical de quem fala: 1ª pessoa (eu/nós), 2ª (tu/vós) ou 3ª (ele/eles). Já o papel do narrador é a posição que ele ocupa na história: personagem (participa dos fatos) ou observador (conta fatos de outros). Em textos de 1ª pessoa, o narrador é necessariamente personagem — não há como narrar em "eu" sem estar dentro da história. A banca explora exatamente essa confusão: alternativas que acertam a pessoa mas erram o papel, ou vice-versa.
Análise das alternativas
Pessoa do discurso × papel do narrador: 1ª pessoa (eu/nós) (Narrador é personagem, Marcas: verbos e pronomes de 1ª pessoa); 3ª pessoa (ele/eles) (Narrador observador ou onisciente, Conta fatos de outros); No texto (1ª pessoa: "fiz", "minha", "eu", "fui", Autora é a própria personagem)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. Afirma que a autora conta fatos referentes a outra pessoa, mas o texto é todo em 1ª pessoa: "fiz o cadastro", "minha própria casa", "Eu olho". A autora é a própria personagem, não uma narradora externa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: troca de pessoa. Diz que está em terceira pessoa, mas as marcas de 1ª pessoa são abundantes ("fiz", "fui", "continuo"). A terceira pessoa seria "ela fez", "ela foi" — o que não ocorre em nenhum parágrafo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque o texto está em primeira pessoa (marcas verbais e pronominais de 1ª pessoa) e a autora é a própria personagem (narra suas experiências: "Essa semana fiz o cadastro", "Fui ao clube", "Continuo sorrindo"). É a única que acerta as duas informações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. Afirma terceira pessoa e que a autora conta fatos de outra pessoa — duplo erro. O texto é em 1ª pessoa e a autora é a personagem.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. Diz que há mistura de 1ª e 3ª pessoas. Embora o texto mencione outras pessoas (porteiro, funcionária), a narração é sempre em 1ª pessoa — as outras pessoas aparecem apenas como personagens secundárias nas falas da autora, não como vozes narrativas.
Conclusão
A questão testa a relação entre pessoa gramatical e papel do narrador. A regra de ouro: em 1ª pessoa, o narrador é sempre personagem; em 3ª pessoa, pode ser observador ou onisciente. Aqui, as marcas de 1ª pessoa são inequívocas, e a autora narra suas próprias vivências — logo, letra C.
PEGA ESSA DICA!
Grife os verbos e pronomes de 1ª pessoa (fiz, minha, eu, fui) antes de olhar as alternativas. Isso elimina de cara as opções que falam em 3ª pessoa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura pessoa gramatical e papel do narrador para confundir. Desconfie de alternativas que acertam uma informação mas erram a outra.