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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa390305
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Taubaté
Ano
2026
Cargo
Prof I ( )

Óculos escuros


O azul é mais profundo, o verde é mais denso, o asfalto é mais escuro. Todas as cores se fortalecem, ganham relevo, se acentuam diante dos olhos, como se a vida fosse mais colorida e olhar em volta fosse uma brincadeira muito interessante, como quando a gente é criança e descobre todas as possibilidades de um carrinho.


Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica. Fica e faz bem para a visão. O sol não bate tão forte, a luminosidade não dói, nem faz a gente quase fechar os olhos. Não, olhamos em volta como se fosse normal ser assim, como se os óculos escuros fossem algo naturalmente ligado à nossa cabeça, e não um artefato preso atrás das orelhas.


Não faço a menor ideia de quem foi o inventor dos óculos escuros, mas foi um gênio. E ele não precisa ficar triste, se eu não sei o nome dele, também não sei o nome do inventor da roda ou de quem domesticou o fogo.


Nem por isso a roda e o fogo não foram fundamentais para o progresso da humanidade. Sem eles onde será que estaríamos? E sem a lança, o arco e a flecha? Também não sei quem foram os inventores desses instrumentos essenciais para o ser humano se tornar o dono das savanas.


Como dizia Raul Seixas, “quem não tem colírio usa óculos escuros”. É só mais uma utilidade para um instrumento de mil e uma utilidades. Serve para esconder olho roxo, para amenizar ressaca, para não deixar ver para quem estamos olhando, para ocultar a lágrima de um velório.


Nos dias de sol, os óculos escuros ganham mais relevância. São bonitos, facilitam enfrentar a luminosidade, nos deixam mais simpáticos, mais inclusivos, mais na moda. É como se a vida girasse entre festa e poesia, e num mundo mais colorido, a luz tivesse um papel

milagroso com que fizesse a paz algo possível no mundo real.


Além disso, os óculos escuros protegem os olhos.


MENDONÇA, Antonio Penteado. Óculos escuros.

Crônicas da cidade. Disponível em

<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2025/09/12/

oculos-escuros/>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

   

Em relação ao texto “Óculos escuros”, é correto afirmar que o autor:

  1. Atransforma um objeto altamente sofisticado num tema de crônica sem sentido.
  2. Btransforma um objeto corriqueiro num tema de crônica com reflexões mais profundas.
  3. Capresenta uma postura crítica contrária a quem faz uso de óculos escuros.
  4. Ddivide os óculos escuros por marcas, dos mais baratos aos mais sofisticados.
  5. Eelabora um poema a partir do seu primeiro contato na vida com óculos escuros.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — transforma um objeto corriqueiro num tema de crônica com reflexões mais profundas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A Crônica dos Óculos Escuros: do Corriqueiro ao Reflexivo

Gabarito: letra B. O autor transforma um objeto corriqueiro num tema de crônica com reflexões mais profundas, como se comprova no trecho em que ele afirma que os óculos escuros são "um instrumento de mil e uma utilidades" e os associa a reflexões sobre a vida, a humanidade e o progresso. A alternativa B é a única que parafraseia fielmente a tese central do texto, enquanto as demais ou extrapolam, ou contradizem o que está escrito.

O comando pede uma compreensão global do texto: "é correto afirmar que o autor". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase — uma reescritura fiel — de uma ideia que o texto sustenta explicitamente, sem acréscimos de informação externa. Não se trata de inferir algo nas entrelinhas, mas de reconhecer o que o autor efetivamente faz ao longo da crônica.

O texto é uma crônica, gênero que parte de um elemento do cotidiano — aqui, os óculos escuros — para desenvolver observações e reflexões. O autor não se limita a descrever o objeto; ele o eleva a um tema de meditação: compara seu impacto ao da roda e do fogo, cita Raul Seixas, discorre sobre utilidades que vão além da proteção solar (esconder olho roxo, ocultar lágrimas) e conclui que "os óculos escuros protegem os olhos". Essa progressão do banal ao filosófico é exatamente o que a alternativa B captura.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. A correta é a que não acrescenta nada de fora e não contradiz nenhuma passagem. As erradas, como veremos, ou extrapolam (inventam uma crítica, uma divisão por marcas, um poema) ou contradizem o tom elogioso do autor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora oferecer alternativas que parecem plausíveis, mas que extrapolam o texto — como a ideia de "crítica" (C) ou de "poema" (E). A correta é sempre a que parafraseia a tese, sem inventar.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "é correto afirmar que o autor", grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e compare cada alternativa com ela. Se a alternativa trouxer uma palavra absoluta ("todos", "nunca", "apenas"), desconfie.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que os óculos escuros são um "objeto altamente sofisticado" nem que a crônica é "sem sentido". Pelo contrário, o autor os trata como algo corriqueiro e a crônica tem sentido e reflexão. O trecho "como se os óculos escuros fossem algo naturalmente ligado à nossa cabeça" mostra que ele os vê como parte do cotidiano, não como algo sofisticado. A alternativa inverte o valor do texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel da tese. O autor parte de um objeto comum — os óculos escuros — e desenvolve reflexões profundas: compara seu inventor ao da roda e do fogo ("foi um gênio"), reflete sobre a importância de invenções anônimas ("Sem eles onde será que estaríamos?") e atribui aos óculos utilidades que vão além do prático ("esconder olho roxo", "ocultar a lágrima de um velório"). A alternativa captura exatamente essa progressão do banal ao filosófico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O autor elogia os óculos escuros: "Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica." e "os óculos escuros protegem os olhos". Não há nenhuma postura crítica contrária ao uso. A alternativa inverte o tom do texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona marcas nem divide os óculos por preço. Essa informação é totalmente ausente do texto. A alternativa tangencia o tema (fala de óculos, mas de um aspecto que o autor não abordou).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto é uma crônica em prosa, não um poema. Além disso, o autor não relata um "primeiro contato" com óculos escuros; ele fala deles como algo já conhecido e usado. A alternativa inventa um gênero e uma situação que não estão no texto.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a B, pois parafraseia a tese central: transformar um objeto corriqueiro em tema de reflexão. As demais ou extrapolam (A, D, E) ou contradizem (C) o que está escrito.

Gabarito: letra B

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