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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa390414
Banca
FUNDATEC
Órgão
ISSEG
Ano
2026
Cargo
Med Aud ( )

Vida além do digital

 

Por Antônio Carlos Macedo

 

Minha infância nos anos 1960 foi inteiramente analógica. O futuro era imaginado em revistas de quadrinhos e filmes de ficção científica. Contudo, nenhum super-herói foi capaz de prever a revolução digital que transformaria radicalmente o cotidiano décadas depois.

 

Naquela época, nossa diversão cabia no tempo e no espaço do bairro: matinês de cinema, televisão em preto e branco dividida com os vizinhos, brinquedos improvisados e brincadeiras que exigiam criatividade e interação social. A rua era extensão da casa. Bola de gude, pião, bambolê, peteca, taco, futebol de meia, esconde-esconde e polícia e ladrão garantiam tardes inteiras de convivência.

 

Em dias frios ou chuvosos, a socialização migrava para dentro de casa, em torno de jogos como moinho, dominó, damas, pega-varetas, mico ou batalha naval. A tecnologia mais sofisticada era o telefone de latas — e a gente jurava ouvir a voz do amigo do outro lado da “linha”. Tudo exigia presença, toque e disputa.

 

Hoje, vivemos o oposto. Casas e escritórios tomados por telas, notificações incessantes, assistentes virtuais e uma inteligência artificial capaz de executar as nossas tarefas com rapidez e precisão impressionantes. O excesso, porém, cobra seu preço: cresce o número de pessoas em busca de atividades analógicas como forma de desacelerar e respirar fora da Internet. Não é nostalgia, nem rejeição à modernidade, mas busca por equilíbrio.

 

Esse retorno parcial ao off-line vai além de um simples detox digital; é um esforço consciente de reconexão com o tempo real. Nos Estados Unidos, por exemplo, disparou a procura por artesanato, tricô e crochê, livros para pintar e quebra-cabeças. Discos de vinil e CDs voltaram a crescer em vendas, ao passo que os livros impressos seguem soberanos no mercado editorial.

 

Pequenos gestos, como usar um relógio despertador ou tirar uma única foto, ganham novo significado. O vinil exige ritual: escolher o disco, retirar da capa, conferir o encarte, pousar a agulha na faixa desejada. A audição vira evento. Também tenho buscado esse caminho.

 

Como sou jornalista, dependo das redes sociais para ficar mais próximo do público, entretanto, fora delas, busco refúgio na jardinagem, na cozinha e em tarefas manuais. Recentemente, passei horas pintando um deck, pincel na mão, celular distante. Saí fisicamente cansado, mas mentalmente leve. O esforço manual devolve a sensação de realidade que o pixel nos rouba.

 

É um contraste com o gesto automático de rolar o feed infinitamente, o que nos deixa estressados e vazios. Não se trata de renegar a tecnologia, indispensável e maravilhosa. Longe disso. A proposta é encontrar um meio-termo que nos garanta melhor qualidade de vida, permitindo que o digital seja ferramenta — e não a única janela pela qual enxergamos o mundo.

 

Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/antonio-carlos-macedo/noticia/2026/01/vida-alem

-do-digital-cmkmq1rzu00b501df8vzzlkul.html – texto adaptado especialmente para esta prova.

Analise a charge a seguir:

Imagem associada para resolução da questão

Analise as seguintes asserções sobre a charge e o texto-base da prova e a relação proposta entre eles:

 

I. Pode-se inferir que a charge apresenta, em outra linguagem, o mesmo debate que o texto-base.

 

POIS

 

II. Na charge, pode-se ver crianças optando por ficarem ao celular em vez de usar os brinquedos analógicos. A diferença entre as cores presentes na charge e a expressão no olhar das crianças destaca algumas das camadas de oposição entre os dois mundos mencionadas no texto-base.

 

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

  1. AAs asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
  2. BAs asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
  3. CA asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  4. DA asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  5. EAs asserções I e II são proposições falsas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Charge e texto-base: o mesmo debate em outra linguagem — Gabarito: letra A.

Gabarito: letra A. As duas asserções são verdadeiras, e a II justifica a I: a charge, ao mostrar crianças optando pelo celular em vez dos brinquedos analógicos, com cores e expressões que reforçam a oposição, traduz visualmente o mesmo debate que o texto-base desenvolve — o contraste entre o mundo digital e o analógico. A passagem que ancora essa leitura está no 4º parágrafo do texto: “Hoje, vivemos o oposto. Casas e escritórios tomados por telas, notificações incessantes, assistentes virtuais e uma inteligência artificial capaz de executar as nossas tarefas com rapidez e precisão impressionantes.”

O comando pede que você analise duas asserções e a relação entre elas — um formato clássico de asserção-razão. O primeiro passo é julgar cada asserção como verdadeira ou falsa frente ao texto; o segundo, verificar se a segunda explica a primeira (relação de justificativa) ou apenas a acompanha. Aqui, a I afirma que a charge apresenta, em outra linguagem, o mesmo debate do texto; a II descreve elementos concretos da charge (crianças no celular, cores, olhares) e os conecta às “camadas de oposição” do texto. Como a II fornece a base para se concluir a I, ela é uma justificativa.

O texto-base constrói uma oposição explícita entre dois mundos: o analógico da infância do autor (brincadeiras de rua, jogos de tabuleiro, telefone de latas) e o digital atual (telas, notificações, IA). Essa oposição é verbalizada em trechos como “Hoje, vivemos o oposto” e “É um contraste com o gesto automático de rolar o feed infinitamente”. A charge, por sua vez, materializa essa mesma oposição em linguagem visual: crianças diante de celulares, em vez de brinquedos analógicos — exatamente o que a II descreve. A diferença de cores e a expressão no olhar das crianças são recursos visuais que reforçam o contraste, funcionando como as “camadas de oposição” que o texto verbal expressa por meio de antíteses e contraposições.

A técnica que decide esta questão é o recorte temático: identificar o tema central do texto (a busca por equilíbrio entre digital e analógico) e verificar se a charge o reproduz. A I é uma inferência legítima, pois se apoia em pistas visuais da charge e na correspondência temática com o texto — não é uma extrapolação, pois a charge realmente mostra a preferência pelo celular, e o texto realmente discute o excesso digital. A II, por sua vez, é uma descrição ancorada na imagem e no texto: as crianças optando pelo celular é o dado visual; as cores e olhares são elementos que a banca aponta como reforço da oposição — e o texto sustenta essa oposição em várias passagens.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você achar que a charge é um tema paralelo, sem relação com o texto. Mas a charge ilustra exatamente o contraste que o texto verbaliza. Não caia na tentação de marcar a letra B (asserções verdadeiras, mas sem justificativa) — a II não apenas acompanha a I, ela a fundamenta.

1I: charge = mesmo debate do texto
Verdadeira
2II: elementos visuais reforçam oposição
Verdadeira
Crianças no celular
Cores e olhares
3Relação entre elas
II justifica I
Asserção-razão
LEVELsoulevel.com.br
Asserção-razão: I: charge = mesmo debate do texto (Verdadeira); II: elementos visuais reforçam oposição (Verdadeira, Crianças no celular, Cores e olhares); Relação entre elas (II justifica I)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A asserção I é verdadeira: a charge apresenta, em linguagem não verbal, o mesmo debate do texto — a oposição entre o mundo digital (celular) e o analógico (brinquedos). A asserção II também é verdadeira: descreve a cena da charge (crianças no celular) e aponta que cores e olhares reforçam a oposição, ecoando o texto. E a II justifica a I, pois explica como a charge faz essa apresentação: por meio da escolha visual das crianças e dos elementos de contraste. O texto sustenta a oposição em passagens como “Hoje, vivemos o oposto” e “É um contraste com o gesto automático de rolar o feed infinitamente”.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: afirmação incompleta — as asserções são verdadeiras, mas a II é justificativa da I. A II não é uma mera informação paralela; ela explica o mecanismo pelo qual a charge reproduz o debate (a escolha das crianças e os elementos visuais de oposição). Sem a II, a I ficaria sem comprovação visual; com ela, a I se sustenta. Portanto, a relação de justificativa existe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto — a I é verdadeira, pois a charge claramente dialoga com o tema do texto (a oposição digital × analógico). A charge não é um assunto aleatório; ela ilustra o mesmo conflito que o autor descreve. A II também é verdadeira, como visto. Logo, a alternativa que diz “I verdadeira e II falsa” está errada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto — inverte os valores: a I é verdadeira (a charge apresenta o mesmo debate) e a II também é verdadeira (descreve corretamente a cena e os elementos de oposição). Não há nada na charge ou no texto que torne a I falsa. A alternativa D, ao marcar I como falsa, contradiz a leitura mais direta da imagem e do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto — ambas as asserções são verdadeiras. A charge mostra crianças com celular, e o texto discute o excesso digital e a busca por equilíbrio. A II descreve elementos visuais que reforçam a oposição, e o texto verbaliza essa oposição. Não há base para considerar qualquer uma delas falsa.

Conclusão: a chave desta questão é perceber que a charge traduz o texto em outra linguagem, e que a II fornece a justificativa para essa leitura. Ao julgar asserções, pergunte sempre: a segunda explica a primeira? Aqui, sim — a II mostra como a charge faz o mesmo debate. Gabarito: letra A.

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