Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2026
- Código
- qa390416
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- ISSEG
- Ano
- 2026
- Cargo
- Med Aud ( )
Vida além do digital
Por Antônio Carlos Macedo
Minha infância nos anos 1960 foi inteiramente analógica. O futuro era imaginado em revistas de quadrinhos e filmes de ficção científica. Contudo, nenhum super-herói foi capaz de prever a revolução digitalA) que transformaria radicalmente o cotidiano décadas depois.
Naquela época, nossa diversão cabia no tempo e no espaço do bairro: matinês de cinema, televisão em preto e branco dividida com os vizinhos, brinquedos improvisados e brincadeiras que exigiam criatividade e interação social. A rua era extensão da casa. Bola de gude, pião, bambolê, peteca, taco, futebol de meia, esconde-esconde e polícia e ladrão garantiam tardes inteiras de convivência.
Em dias frios ou chuvosos, a socialização migrava para dentro de casa, em torno de jogos como moinho, dominó, damas, pega-varetas, mico ou batalha naval. A tecnologia mais sofisticada era o telefone de latas — e a gente jurava ouvir a voz do amigo do outro lado da “linha”. Tudo exigia presença, toque e disputa.
Hoje, vivemos o oposto. Casas e escritórios tomados por telas, notificações incessantes, assistentes virtuais e uma inteligência artificial capaz de executar as nossas tarefas com rapidez e precisão impressionantes. O excesso, porém, cobra seu preçoB): cresce o número de pessoas em busca de atividades analógicas como forma de desacelerar e respirar fora da Internet. Não é nostalgia, nem rejeição à modernidade, mas busca por equilíbrio.
Esse retorno parcial ao off-line vai além de um simples detox digital; é um esforço consciente de reconexão com o tempo real. Nos Estados Unidos, por exemplo, disparou a procura por artesanato, tricô e crochê, livros para pintar e quebra-cabeças. Discos de vinil e CDs voltaram a crescer em vendas, ao passo que os livros impressos seguem soberanos no mercado editorialD).
Pequenos gestos, como usar um relógio despertador ou tirar uma única foto, ganham novo significado. O vinil exige ritual: escolher o disco, retirar da capa, conferir o encarte, pousar a agulha na faixa desejada. A audição vira evento. Também tenho buscado esse caminho.
Como sou jornalista, dependo das redes sociais para ficar mais próximo do público, entretanto, fora delas, busco refúgioC) na jardinagem, na cozinha e em tarefas manuais. Recentemente, passei horas pintando um deck, pincel na mão, celular distante. Saí fisicamente cansado, mas mentalmente leveE). O esforço manual devolve a sensação de realidade que o pixel nos rouba.
É um contraste com o gesto automático de rolar o feed infinitamente, o que nos deixa estressados e vazios. Não se trata de renegar a tecnologia, indispensável e maravilhosa. Longe disso. A proposta é encontrar um meio-termo que nos garanta melhor qualidade de vida, permitindo que o digital seja ferramenta — e não a única janela pela qual enxergamos o mundo.
Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/antonio-carlos-macedo/noticia/2026/01/vida-alem
-do-digital-cmkmq1rzu00b501df8vzzlkul.html – texto adaptado especialmente para esta prova.
Assinale a alternativa na qual a conjunção sublinhada NÃO estabeleça uma relação de oposição entre as ideias que ela conecta.
- A“Contudo, nenhum foi capaz de prever a revolução digital”.
- B“O excesso, porém, cobra seu preço”.
- C“Como sou jornalista, dependo das redes sociais para ficar mais próximo do público, entretanto, fora delas, busco refúgio”.
- D“Discos de vinil e CDs voltaram a crescer em vendas, ao passo que os livros impressos seguem soberanos no mercado editorial”.
- E“Saí fisicamente cansado, mas mentalmente leve”.