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Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — FUNDATEC 2026

PortuguêsFatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
qa390563
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Cordilheira A
Ano
2026
Cargo
ACS (Cordilheira A)

O que mais importa

 

Nos importamos com tantas coisas desnecessárias. Com tantas coisas sem sentido. Ficamos pensando demais em situações, fatos, pessoas que, no fundo, não valem a pena. Nós mesmos nos amarramos. Tropeçamos nos próprios cadarços. Volta e meia escuto meus pacientes dizerem que não sabem o que é mais importante para eles.

 

Sexta-feira, depois de um dia de escuta, finalmente, minha bicicleta voltou do conserto. Pedalar é ver o mundo em giros. Enquanto pedalava, pensava, para onde vai o que não colocamos em palavras? Às vezes escuto que é melhor não falar nada, deixar para lá, como se a coisa ruim desaparecesse. Mas, convenhamos, isso é uma fantasia de controle. Não falar sobre aquilo que nos deixa desconfortável não evita o conflito. Aquilo que não falamos volta de outro jeito. Se aloja no corpo que dói, nos ataques aos vínculos afetivos, como se a pessoa por nos amar tivesse de nos suportar, insuportáveis. Volta nas decisões impulsivas e equivocadas, nas atitudes que tomamos sem nem entender o                . Aquilo que não falamos, nos aprisiona e é no cárcere que nossos fantasmas ganham vida. Por isso, o que mais importa?

 

Talvez o que mais importa não cabe no bolso, não é postado nas redes sociais para que os outros vejam, não busca pódio ou reconhecimento. Importa a coisa que nos faz voltar para nós mesmos, um gesto pequeno, a paz de ter para onde voltar, chegar no portão de casa, receber sorrisos das pessoas queridas e das desconhecidas.

 

Talvez o que mais importa seja lembrar de quem veio antes e do que aprendemos com eles, dos passos dos nossos pais, certos e equivocados, das palavras ditas numa sessão de análise, acolhidas e ressignificadas. Importa a luz acesa à nossa espera, a alegria que sentimos dentro do peito quando algo bom acontece, o cheiro do café que alguém passou para nos esperar.

 

O que mais importa talvez seja simples, como aprender a repartir o que se carrega, permitir-se amar e amar-se, cuidar de quem nos entrega a vida, seja pessoa ou bicho. Importa chegar cedo em casa, tomar um banho bom, conseguir colocar os filhos para dormir. Importa sorrir com a risada de um desconhecido, alegrar-se por estar vivo, aprender a somar e a dividir os instantes com a pessoa que escolhemos para caminhar juntos. Importa fazer as pazes. Aprender a abraçar sem pressa. A olhar sem fugir. A respeitar os silêncios.

 

Importa conseguirmos escutar nossos fantasmas, compreender que às vezes somos apenas nós falando sozinhos, que é preciso olhar para dentro, mas trazer para fora.

 

Talvez o que mais importa seja andar de bicicleta e sentir que a vida presta.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/01/o-que-mais-importa-cmkvh43f4033b013g5ly98wv7.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Quanto ao correto uso dos vocábulos em questão, assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna tracejada do segundo parágrafo.

  1. Aporquê
  2. Bpor quê
  3. Cpor que
  4. Dporque
  5. Epor-que
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GabaritoA — porquê

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos porquês: preenchendo a lacuna do segundo parágrafo

Gabarito: letra A. A lacuna do segundo parágrafo deve ser preenchida com porquê, pois a palavra exerce função de substantivo — equivale a "motivo", "razão" — e vem antecedida do artigo definido "o". Como se lê no trecho: "nas atitudes que tomamos sem nem entender o porquê". A regra é clara: quando a palavra "porquê" é substantivo e vem acompanhada de um determinante (artigo, pronome, numeral), escreve-se junto e com acento.

O comando da questão

O enunciado pede que você preencha corretamente a lacuna tracejada do segundo parágrafo, considerando o uso correto dos vocábulos em questão. Isso significa que a banca não está testando interpretação de texto, mas sim o domínio da norma culta quanto às quatro formas: porque, por que, por quê e porquê. A resolução depende exclusivamente da função morfossintática que a palavra exerce na frase — não do sentido global do texto.

O texto e a lacuna

No segundo parágrafo, o autor reflete sobre o que acontece com aquilo que não colocamos em palavras. O trecho em questão é:

"Volta nas decisões impulsivas e equivocadas, nas atitudes que tomamos sem nem entender o porquê."

Observe que a palavra vem depois do artigo "o" e exerce a função de objeto direto do verbo "entender". Quem entende, entende algo — e esse "algo" é um substantivo. A pista decisiva é o artigo "o" antes da lacuna: apenas o porquê (substantivo) pode ser antecedido por artigo. As demais formas não admitem artigo: "o porque", "o por que", "o por quê" são construções agramaticais.

A regra dos porquês — o que você precisa saber

As quatro formas têm usos distintos, e a banca adora confundi-las. Veja o quadro:

Forma

Função

Exemplo

porque

Conjunção (explicativa/causal)

"Estudo porque quero passar."

por que

Preposição + pronome relativo/interrogativo

"Por que você faltou?" / "O motivo por que lutei."

por quê

Final de frase, antes de pausa

"Você não veio. Por quê?"

porquê

Substantivo (motivo, razão)

"Não sei o porquê da sua atitude."

A regra de ouro: porquê é substantivo e vem sempre acompanhado de um determinante (artigo, pronome, numeral). No texto, o artigo "o" é o determinante que exige a forma substantivada.

Análise das alternativas

1porque (conjunção)
explicação/causa
"Estudo porque quero passar"
2por que (preposição + pronome/interrogativo)
perguntas
"Por que você faltou?"
3por quê (final de frase)
antes de pausa
"Você não veio. Por quê?"
4porquê (substantivo)
motivo/razão
antecedido de artigo
"Não sei o porquê"
Porquês
LEVELsoulevel.com.br
Porquês: porque (conjunção) (explicação/causa, "Estudo porque quero passar"); por que (preposição + pronome/interrogativo) (perguntas, "Por que você faltou?"); por quê (final de frase) (antes de pausa, "Você não veio. Por quê?"); porquê (substantivo) (motivo/razão, antecedido de artigo, "Não sei o porquê")

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Porquê é a forma correta, pois é um substantivo que significa "motivo", "razão", e vem antecedido do artigo "o". No trecho, "o porquê" é o objeto direto de "entender": entendemos algo — e esse algo é o motivo, a razão. A presença do artigo é a pista decisiva: apenas o substantivo aceita artigo. A frase fica perfeita: "sem nem entender o porquê" = "sem nem entender o motivo".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Por quê é usado em final de frase ou antes de pausa, com valor interrogativo. No trecho, a palavra não está no fim do período e não há pausa — há o artigo "o" antes. Escrever "o por quê" seria agramatical, pois o artigo não pode anteceder essa forma. A banca tenta confundir quem decora apenas a regra do "final de frase", mas aqui o contexto exige o substantivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Por que (separado, sem acento) é usado em perguntas (diretas ou indiretas) ou como preposição + pronome relativo (equivalente a "pelo qual"). No trecho, não há pergunta nem pronome relativo: há um artigo "o" seguido de substantivo. "O por que" não existe na norma culta. A banca explora a confusão entre a forma interrogativa e a substantiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Porque é uma conjunção (explicativa ou causal), equivalente a "pois", "visto que". No trecho, a palavra não liga orações — ela é o objeto do verbo "entender". Substitua por "pois": "sem nem entender pois" — não faz sentido. A conjunção não pode ser antecedida de artigo. A banca tenta confundir quem pensa que "porque" é a forma mais comum e, por isso, a correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Por-que (com hífen) não existe na língua portuguesa. O hífen não é usado em nenhuma das quatro formas. A banca inclui essa opção apenas para testar se o candidato conhece as formas legítimas. Qualquer uso de hífen aqui é um erro grosseiro.

Fechamento

A questão se resolve pela função morfossintática: a palavra é substantivo (antecedida de artigo) → porquê. As demais formas têm funções diferentes (conjunção, interrogativa, final de frase) e não se encaixam no contexto. Lembre-se: porquê = motivo, razão, e vem com determinante.

PEGA ESSA DICA!

Ao preencher lacunas com os porquês, pergunte: "a palavra é um substantivo (motivo/razão)?" Se sim, use porquê. Se for conjunção, porque. Se for pergunta, por que (ou por quê no fim). O artigo "o" antes da lacuna é o sinal clássico de substantivo.

Gabarito: letra A

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