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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2026

PortuguêsCrase
Código
qa390568
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM Cordilheira Alta
Ano
2026
Cargo
Ana Adm ( )

Hoje o medo me dá bom dia assim que abro os olhos

 

Por Martha Medeiros

 

Oito anos atrás, protagonizei uma série de vídeos curtos, cujo título era M de Martha, com um tema por episódio: M de Madrugada (insônia), M de Matinê (cinema), M de McCartney & Mick Jagger (rock), M de Malbec (vinhos), M de Matinal, de Muitas, de Mapa Astral e mais uma variedade de palavras que puxavam algum assunto que me interessava. A série terminou na segunda temporada, mas a minha lista de “emes” era infinita, daria para três anos de produção. O que me espanta é que nunca pensei em gravar “M de Medo”. Eu simplesmente não sentia medo.

 

Minha vida deu um giro de 360 graus e hoje me encontro aqui, de frente para ele, com o braço estendido, como manda       educação: medo, muito prazer. Finalmente, fomos apresentados.

 

Tudo começou naquele malfadado 2024, quando,       vésperas de uma enchente que foi devastadora para a cidade onde moro, me afoguei em perdas emocionais particulares, três na mesma semana. Baixou do céu um espelho gigante que se posicionou diante dos meus olhos, a fim de que eu visse, todos os dias, não o meu rosto, mas o rosto de um futuro possível: decadência, fragilidade, solidão. Eu não sabia, mas era um reflexo que fazia parte do “M de Muitas”, só que não constava das minhas previsões do “M de Mapa Astral”. De um dia para o outro, minha rotina mudou, minha liberdade foi reduzida e o tempo deixou de ser tão camarada.

 

Hoje o medo me dá bom dia assim que abro os olhos. Valente, eu o chamo para se exercitar comigo (ele detesta), levo o medo para a terapia (vai na marra), faço ele se sentar ao meu lado para ler um livro (ele tenta me desconcentrar) e,       vezes, até proponho uma DR (ele entra em pânico). Quebramos o pau. Ainda assim, ele não me deixa.

 

O cardápio tem sido vasto. Ando com medo de fazer más escolhas, de que minhas boas intenções já não sejam suficientes. E de que o saldo no banco também não seja suficiente, a despeito da economia feita em décadas de trabalho – aliás, tenho medo de bancos. Tenho medo de ficar doente. Medo de perder o gosto por aventuras. Antes, não me preocupava com nada disso. Tenho medo de não conseguir ser útil às minhas filhas adultas, eu que era tão relax quando elas eram crianças. Tenho medo do lado fraudulento da inteligência artificial.

 

Medo deste mundo que resolveu dar moral para o autoritarismo – aliás, por medo também: há pessoas que preferem ser subservientes aos donos do poder em vez de defenderem mudanças inclusivas. Tenho muito medo de gente covarde.

 

Alguém postou no Instagram uma frase que me consola: desperdiçamos a vida nos preocupando com coisas que nunca aconteceram. Verdade. O problema é que tenho um medinho do Instagram também. De tanto ele promover ilusões, passamos a ter medo do que é real.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2026/01/hoje-omedo- me-da-bom-dia-assim-que-abro-os-olhos-cml13idbb04y4013gx9kiqi81.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do texto.

  1. Aa – às – às
  2. Ba – as – as
  3. Ca – as – às
  4. Dà – às – às
  5. Eà – as – às
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a – às – às

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preenchendo as lacunas do texto

Gabarito: letra A. A sequência correta é a – às – às: na primeira lacuna, temos a preposição "a" exigida pela regência do verbo "chegar" (quem chega, chega a algum lugar) sem artigo definido; na segunda e na terceira, ocorre crase porque há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino plural "as" (às vésperas, às vezes). A passagem que ancora a resposta é: "vésperas de uma enchente" e "às vezes, até proponho uma DR".

O comando

A questão pede que você preencha as lacunas do texto com a forma correta de "a" (sem acento) ou "à/às" (com acento grave). Isso é uma questão de crase, que envolve a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos e relativos. Para resolver, é preciso analisar cada lacuna individualmente, verificando se o termo seguinte exige preposição e se admite artigo feminino.

O texto

O texto de Martha Medeiros narra a relação da autora com o medo, que passou a fazer parte de sua rotina após perdas emocionais. As lacunas estão em trechos que descrevem circunstâncias: "vésperas de uma enchente" (tempo) e "às vezes" (locução adverbial de tempo). A compreensão do sentido é importante para identificar se há crase, mas a decisão é essencialmente gramatical.

A técnica: como decidir cada lacuna

A crase ocorre quando há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronomes demonstrativos/relativos). Para saber se há crase, faça o teste: substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "ao" ou "a", não há. Veja:

  • Primeira lacuna: "vésperas de uma enchente" — o verbo "chegar" exige a preposição "a" (quem chega, chega a algum lugar). Mas "vésperas" está no plural e não vem precedido de artigo definido "as" (não se diz "as vésperas" nesse contexto). Portanto, temos apenas a preposição "a", sem crase. Compare: "cheguei a casa" (sem artigo) vs. "cheguei à casa" (com artigo). Aqui, "vésperas" é usado de forma genérica, sem artigo, então fica "a vésperas".

  • Segunda lacuna: "às vezes" — é uma locução adverbial feminina consagrada, com crase obrigatória. A preposição "a" se funde com o artigo "as" (às vezes = a + as vezes). Não há como evitar a crase nessa expressão.

  • Terceira lacuna: "às vezes" — mesma locução, mesma crase obrigatória.

A pegadinha da banca

A banca adora explorar a confusão entre a preposição "a" sem artigo (antes de palavra masculina ou verbo) e a crase (preposição + artigo feminino). A pegadinha está em "vésperas" e "vezes", que são femininas e exigem artigo, mas o candidato pode achar que são usadas sem artigo por serem expressões fixas. Lembre-se: locuções adverbiais femininas como "às vezes", "à noite", "à tarde" sempre levam crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece alternativas que trocam a crase de lugar, como a letra D (à – às – às), que erra justamente na primeira lacuna, onde não há artigo. A letra E (à – as – às) erra na segunda, onde a crase é obrigatória.

PEGA ESSA DICA!

Ao preencher lacunas com "a/à", teste cada uma com o truque do masculino: se o termo fosse masculino, usaria "ao"? Se sim, há crase. Ex.: "às vezes" → "aos vezes" (não existe, mas a ideia é que "vezes" é feminino e pede artigo).

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência a – às – às preenche corretamente as lacunas. Na primeira, "a vésperas" (preposição sem artigo); na segunda, "às vezes" (crase obrigatória); na terceira, "às vezes" (idem). O texto confirma: "vésperas de uma enchente" e "às vezes, até proponho uma DR".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência a – as – as erra na segunda e terceira lacunas, pois omite a crase em "às vezes". A locução adverbial exige crase obrigatória, como se vê no texto: "às vezes, até proponho uma DR".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência a – as – às erra na segunda lacuna, onde deveria haver crase ("às vezes"). A terceira está correta, mas a segunda invalida a alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência à – às – às erra na primeira lacuna, onde não há crase. O verbo "chegar" exige a preposição "a", mas "vésperas" não vem com artigo definido, então fica "a vésperas", sem acento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência à – as – às erra na primeira e na segunda lacunas. Na primeira, não há crase ("a vésperas"); na segunda, falta a crase ("às vezes").

Conclusão: a única alternativa que respeita a regência do verbo "chegar" e a crase obrigatória das locuções adverbiais é a letra A. Lembre-se: crase é fusão de preposição + artigo; se não há artigo, não há crase.

Gabarito: letra A

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