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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — FUNDATEC 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa390572
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM Cordilheira Alta
Ano
2026
Cargo
Ana Adm ( )

Hoje o medo me dá bom dia assim que abro os olhos

 

Por Martha Medeiros

 

Oito anos atrás, protagonizei uma série de vídeos curtos, cujo título era M de Martha, com um tema por episódio: M de Madrugada (insônia), M de Matinê (cinema), M de McCartney & Mick Jagger (rock), M de Malbec (vinhos), M de Matinal, de Muitas, de Mapa Astral e mais uma variedade de palavras que puxavam algum assunto que me interessava. A série terminou na segunda temporada, mas a minha lista de “emes” era infinita, daria para três anos de produção. O que me espanta é que nunca pensei em gravar “M de Medo”. Eu simplesmente não sentia medo.

 

Minha vida deu um giro de 360 graus e hoje me encontro aqui, de frente para ele, com o braço estendido, como manda a educação: medo, muito prazer. Finalmente, fomos apresentados.

 

Tudo começou naquele malfadado 2024, quando, às vésperas de uma enchente que foi devastadora para a cidade onde moro, me afoguei em perdas emocionais particulares, três na mesma semana. Baixou do céu um espelho gigante que se posicionou diante dos meus olhos, a fim de que eu visse, todos os dias, não o meu rosto, mas o rosto de um futuro possível: decadência, fragilidade, solidão. Eu não sabia, mas era um reflexo que fazia parte do “M de Muitas”, só que não constava das minhas previsões do “M de Mapa Astral”. De um dia para o outro, minha rotina mudou, minha liberdade foi reduzida e o tempo deixou de ser tão camarada.

 

Hoje o medo me dá bom dia assim que abro os olhos. Valente, eu o chamo para se exercitar comigo (ele detesta), levo o medo para a terapia (vai na marra), faço ele se sentar ao meu lado para ler um livro (ele tenta me desconcentrar) e, às vezes, até proponho uma DR (ele entra em pânico). Quebramos o pau. Ainda assim, ele não me deixa.

 

O cardápio tem sido vasto. Ando com medo de fazer más escolhas, de que minhas boas intenções já não sejam suficientes. E de que o saldo no banco também não seja suficiente, a despeito da economia feita em décadas de trabalho – aliás, tenho medo de bancos. Tenho medo de ficar doente. Medo de perder o gosto por aventuras. Antes, não me preocupava com nada disso. Tenho medo de não conseguir ser útil às minhas filhas adultas, eu que era tão relax quando elas eram crianças. Tenho medo do lado fraudulento da inteligência artificial.

 

Medo deste mundo que resolveu dar moral para o autoritarismo – aliás, por medo também: há pessoas que preferem ser subservientes aos donos do poder em vez de defenderem mudanças inclusivas. Tenho muito medo de gente covarde.

 

Alguém postou no Instagram uma frase que me consola: desperdiçamos a vida nos preocupando com coisas que nunca aconteceram. Verdade. O problema é que tenho um medinho do Instagram também. De tanto ele promover ilusões, passamos a ter medo do que é real.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2026/01/hoje-omedo- me-da-bom-dia-assim-que-abro-os-olhos-cml13idbb04y4013gx9kiqi81.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho retirado do texto “Tudo começou naquele malfadado 2024, quando, às vésperas de uma enchente que foi devastadora para a cidade onde moro, me afoguei em perdas emocionais particulares”, a conjunção “quando” introduz uma oração:
  1. ACoordenada explicativa.
  2. BSubordinada substantiva.
  3. CSubordinada adjetiva.
  4. DCoordenada conclusiva.
  5. ESubordinada adverbial temporal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Subordinada adverbial temporal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas adverbiais: o valor temporal do "quando"

Gabarito: letra E. No trecho “Tudo começou naquele malfadado 2024, quando, às vésperas de uma enchente que foi devastadora para a cidade onde moro, me afoguei em perdas emocionais particulares”, a conjunção “quando” introduz uma oração subordinada adverbial temporal, pois expressa a circunstância de tempo em que ocorreu a ação da oração principal (“Tudo começou”). A pista decisiva está no próprio texto: o “quando” retoma o marco temporal “naquele malfadado 2024” e pode ser substituído por “no momento em que”, sem alteração de sentido.

O comando da questão

O enunciado pede a classificação sintática da oração introduzida por “quando”. Isso é uma questão de gramática metalinguística — não se trata de interpretar o texto, mas de identificar a função e o valor do conectivo dentro do período. Para resolver, você precisa dominar a diferença entre orações coordenadas (sintaticamente independentes) e subordinadas (dependentes), e, dentro destas, entre substantivas, adjetivas e adverbiais.

O texto e o trecho analisado

O texto de Martha Medeiros narra a chegada do medo à sua vida, a partir de 2024. No trecho destacado, a autora localiza o início dessa mudança: “Tudo começou naquele malfadado 2024”. A oração seguinte, introduzida por “quando”, especifica o momento em que isso aconteceu — “às vésperas de uma enchente”. Perceba a estrutura:

“Tudo começou naquele malfadado 2024, quando, às vésperas de uma enchente que foi devastadora para a cidade onde moro, me afoguei em perdas emocionais particulares”

A oração principal é “Tudo começou naquele malfadado 2024”. A oração “quando me afoguei em perdas emocionais particulares” não tem sentido completo sozinha — ela depende da principal e funciona como um adjunto adverbial de tempo, respondendo à pergunta “quando tudo começou?”. É exatamente essa a definição de oração subordinada adverbial temporal.

A técnica que decide: o valor do conectivo

A classificação da oração depende do conectivo que a introduz e da relação de sentido que ele estabelece:

  • Conjunções integrantes (“que”, “se”) → introduzem orações substantivas (substituíveis por “isso”).

  • Pronomes relativos (“que”, “quem”, “cujo”, “onde”) → introduzem orações adjetivas (referem-se a um substantivo antecedente).

  • Conjunções adverbiais (“quando”, “porque”, “embora”, “se”, “para que”) → introduzem orações adverbiais (expressam circunstância: tempo, causa, condição, etc.).

No trecho, “quando” é uma conjunção subordinativa adverbial temporal. A prova prática: substitua “quando” por “no momento em que” ou “na ocasião em que” — o sentido permanece idêntico:

“Tudo começou naquele malfadado 2024, no momento em que me afoguei em perdas emocionais particulares.”

Isso confirma que a oração indica tempo, não explicação, conclusão, causa ou qualidade.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Coordenada explicativa. A oração coordenada explicativa é introduzida por conjunções como “pois”, “porque”, “que” e traz uma justificativa para a oração anterior. No trecho, “quando” não explica nem justifica nada — ele situa no tempo. Além disso, a oração não é coordenada: ela depende sintaticamente da principal, o que a torna subordinada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Subordinada substantiva. As orações substantivas são introduzidas por conjunção integrante (“que”, “se”) e exercem função de sujeito, objeto, complemento etc. — são substituíveis por “isso”. Teste: “Tudo começou isso” não faz sentido. O “quando” não é conjunção integrante, e a oração não exerce função substantiva, mas sim adverbial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Subordinada adjetiva. As orações adjetivas são introduzidas por pronome relativo e caracterizam um substantivo antecedente. No trecho, “quando” não retoma um substantivo para qualificá-lo — ele retoma a ideia de tempo (“naquele malfadado 2024”). Note que há uma oração adjetiva no mesmo período, mas é outra: “que foi devastadora para a cidade onde moro” (introduzida pelo pronome relativo “que”, referindo-se a “enchente”). O “quando” não tem essa função.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Coordenada conclusiva. As coordenadas conclusivas são introduzidas por “logo”, “portanto”, “então”, “por conseguinte” e expressam conclusão ou consequência lógica. O “quando” não conclui nada — ele localiza temporalmente a ação. Além disso, a oração é subordinada, não coordenada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Subordinada adverbial temporal. O “quando” é conjunção subordinativa adverbial temporal, e a oração que ele introduz funciona como adjunto adverbial de tempo da oração principal. A substituição por “no momento em que” comprova o valor temporal. É a única classificação que o trecho sustenta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o “quando” temporal e o “quando” pronome relativo (que introduziria oração adjetiva). No trecho, o “quando” não retoma um substantivo — retoma a ideia de tempo (“2024”), o que o torna conjunção adverbial. Se o antecedente fosse um substantivo como “momento” ou “dia”, aí sim poderia ser relativo.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar a oração, substitua o conectivo por outro da mesma natureza: “quando” → “no momento em que” (temporal); “que” → “isso” (substantiva); “que” → “o qual” (adjetiva). A substituição que preservar o sentido revela a classificação.

Gabarito: letra E.

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