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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa390672
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC
Ano
2026
Cargo
At Nutri ( )

Vou ali e já volto

 

Por Fabrício Carpinejar

 

Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre, os lugares da moda, os lugares badalados, os lugares incensados, mas valoriza o comércio do seu bairro.

 

Alarga os seus limites quando você prestigia os restaurantes perto de casa, quando ajuda os negócios menores a prosperar, quando oferece condições àqueles que escolheram a sua esquina, a sua calçada, a sua vizinhança.

 

É assim que se ampliam as possibilidades de um bairro: fomentando o consumo dos pequenos empresários. Por isso, eu mantenho a minha farmácia, o meu açougue, a minha padaria, o meu supermercado, o meu boteco, o meu buffet a quilo, a minha sapataria, a minha lavanderia, a minha feirinha, o meu martelinho de ouro, o meu posto de gasolina, a minha ferra....em. Não troco por nada. Ficam a algumas quadras do meu apartamento, num quadrilátero favorito.

 

Resolvo tudo a pé, sem depender de carro. Subo e desço lombas, cumprimentando os meus pensamentos. Trato todos os espaços como se fossem meus. Eu protejo a subsistência das minhas redondezas. Priorizo quem está próximo, quem conhece os meus filhos, a minha esposa, os meus pais. Como se integrasse os galhos da minha árvore genealógica.

 

Sei de cor cada caminho, cada beco, cada praça. Jamais recorro à bengala do Google Maps.

Armazeno fofocas para o momento do café, leite e pãezinhos no fim da tarde com a família.

Nem preciso me arrumar para passear pelo seu território. Saio com roupas informais e caseiras, de chinelo, bermuda e regata. A rua é o pátio que eu não tenho, o quintal que eu não tenho. Não me exige a mesma produção dos deslocamentos a um shopping, a um cinema ou a lojas de outros centros.

 

Mais do que a qualidade do serviço, prepondera a intimidade do atendimento: ser chamado pelo nome, ter as urgências compreendidas, ouvir um “deixa comigo”, puxar o reboque das lembranças com uma conversa à toa. A afeição não tem preço. Fideliza acima de qualquer desconto.

 

Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto está docinha. Ou me alcança uma fatia de melancia para mostrar que está madura. Só na minha fruteira, ainda aceito troco em balas.

 

O melhor bairro é o nosso.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2026/02/vou-ali-e-ja-voltocml9vcnd501nr012tec0oq39s. html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo.   É correto afirmar que o objetivo principal do texto é fazer uma
  1. Acrítica a quem não valoriza o comércio local.
  2. Bdescrição dos pontos turísticos mais e menos frequentados da cidade do autor.
  3. Creflexão sobre a importância de valorizar o que é seu.
  4. Dcrítica ao avanço da tecnologia, que está diminuindo a convivência entre vizinhos.
  5. Ereflexão sobre o relacionamento da família do autor com os vizinhos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — reflexão sobre a importância de valorizar o que é seu.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Objetivo principal do texto — Gabarito: letra C.

Gabarito: letra C. O objetivo principal do texto é fazer uma reflexão sobre a importância de valorizar o que é seu — no caso, o comércio, o bairro e as relações de proximidade do autor. A tese aparece logo no primeiro parágrafo e é reforçada na conclusão: "Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre... mas valoriza o comércio do seu bairro" e "O melhor bairro é o nosso". As demais alternativas ou extrapolam (A, D), tangenciam o tema (B, E) ou restringem indevidamente o alcance da reflexão.

O comando: o que a banca pede

A questão pede o objetivo principal do texto — ou seja, a tese que o autor defende, a ideia central que organiza todos os parágrafos. Isso é diferente de pedir um detalhe, uma informação secundária ou uma inferência específica. Quando o enunciado fala em "objetivo principal", a resposta mora na introdução e na conclusão, que são os lugares onde a tese costuma aparecer de forma explícita.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto de Fabrício Carpinejar é uma crônica reflexiva (tipologia dissertativo-argumentativa com tom pessoal). O tema é a valorização do comércio local e do bairro. A tese é clara: valorizar o que é próximo, o que é seu, amplia a cidade e a vida. Veja o movimento:

  • Introdução (1º e 2º parágrafos): a tese — "Uma cidade cresce quando... valoriza o comércio do seu bairro" e "Alarga os seus limites quando você prestigia os restaurantes perto de casa".

  • Desenvolvimento (3º ao 8º parágrafo): os argumentos — o autor lista os estabelecimentos que frequenta (farmácia, açougue, padaria...), explica que resolve tudo a pé, que prioriza quem está próximo, que a intimidade do atendimento "fideliza acima de qualquer desconto".

  • Conclusão (9º parágrafo): a síntese — "O melhor bairro é o nosso".

A alternativa C captura exatamente essa tese: "reflexão sobre a importância de valorizar o que é seu". O pronome "seu" é a chave — remete ao bairro, ao comércio, às relações de proximidade que o autor defende como valiosas.

A técnica que decide: tese ≠ detalhe ≠ extrapolação

Para acertar, o candidato precisa separar três coisas:

  1. Tese (objetivo principal): a ideia central defendida — está em C.

  2. Detalhe do texto: elementos que aparecem, mas não são o objetivo — estão em B e E.

  3. Extrapolação: ideias que o texto não sustenta — estão em A e D.

A banca adora montar distratores que pegam um fragmento verdadeiro do texto e o transformam em algo que o texto não diz. É exatamente o que acontece em A e D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tese (o que o autor defende) e detalhe ou extrapolação. As alternativas A e D pegam palavras do texto ("crítica", "tecnologia", "convivência") e as transformam em algo que o autor não afirma. A alternativa C é a única que sintetiza a tese sem acrescentar nada de fora.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não faz uma "crítica a quem não valoriza o comércio local". O autor elogia quem valoriza, mas não ataca ninguém. Não há nenhum trecho que critique pessoas ou comportamentos. A palavra "crítica" é acrescentada de fora — o texto é uma defesa/reflexão, não um ataque. O autor diz "Uma cidade cresce quando você... valoriza o comércio do seu bairro", mas não diz que quem não faz isso é errado ou merece crítica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: tangencia o tema (fuga ao tema). O texto não descreve "pontos turísticos mais e menos frequentados da cidade". Ele fala do comércio do bairro (farmácia, açougue, padaria, boteco...), que não são pontos turísticos. A alternativa pega a ideia de "lugares" e a distorce para "pontos turísticos" — uma fuga ao tema central. O texto não faz nenhuma descrição turística.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É a tese do texto. O autor reflete sobre a importância de valorizar o que é seu — o comércio do bairro, as relações de proximidade, a intimidade do atendimento. A tese aparece na introdução e na conclusão:

"Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre... mas valoriza o comércio do seu bairro."

"O melhor bairro é o nosso."

A alternativa C é uma paráfrase fiel dessa tese: "reflexão sobre a importância de valorizar o que é seu". O pronome "seu" resume tudo: o bairro, o comércio, as relações que o autor defende como valiosas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não faz "crítica ao avanço da tecnologia, que está diminuindo a convivência entre vizinhos". Há apenas uma menção ao Google Maps — "Jamais recorro à bengala do Google Maps" — mas isso é uma defesa da memória e do conhecimento do bairro, não uma crítica à tecnologia. O texto não diz que a tecnologia diminui a convivência entre vizinhos. Essa é uma ideia de senso comum que o candidato pode trazer de fora, mas que o texto não sustenta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: restringe o alcance (tangencia). O texto fala do relacionamento do autor com o bairro e o comércio local, não especificamente "do relacionamento da família do autor com os vizinhos". A família aparece de passagem ("quem conhece os meus filhos, a minha esposa, os meus pais"), mas o foco é a valorização do comércio e do bairro, não o relacionamento familiar. A alternativa restringe o tema a um aspecto secundário.

Fechamento

A regra de ouro: quando a questão pede o objetivo principal, procure a tese — ela está na introdução e na conclusão. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelo texto — nem mais, nem menos do que ele diz.

Gabarito: letra C.

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