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Questão de Português — Adjetivo — FUNDATEC 2026

PortuguêsAdjetivo
Código
qa390678
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC
Ano
2026
Cargo
At Nutri ( )

Vou ali e já volto

 

Por Fabrício Carpinejar

 

Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre, os lugares da moda, os lugares badalados, os lugares incensados, mas valoriza o comércio do seu bairro.

 

Alarga os seus limites quando você prestigia os restaurantes perto de casa, quando ajuda os negócios menores a prosperar, quando oferece condições àqueles que escolheram a sua esquina, a sua calçada, a sua vizinhança.

 

É assim que se ampliam as possibilidades de um bairro: fomentando o consumo dos pequenos empresários. Por isso, eu mantenho a minha farmácia, o meu açougue, a minha padaria, o meu supermercado, o meu boteco, o meu buffet a quilo, a minha sapataria, a minha lavanderia, a minha feirinha, o meu martelinho de ouro, o meu posto de gasolina, a minha ferra....em. Não troco por nada. Ficam a algumas quadras do meu apartamento, num quadrilátero favorito.

 

Resolvo tudo a pé, sem depender de carro. Subo e desço lombas, cumprimentando os meus pensamentos. Trato todos os espaços como se fossem meus. Eu protejo a subsistência das minhas redondezas. Priorizo quem está próximo, quem conhece os meus filhos, a minha esposa, os meus pais. Como se integrasse os galhos da minha árvore genealógica.

 

Sei de cor cada caminho, cada beco, cada praça. Jamais recorro à bengala do Google Maps.

Armazeno fofocas para o momento do café, leite e pãezinhos no fim da tarde com a família.

Nem preciso me arrumar para passear pelo seu território. Saio com roupas informais e caseiras, de chinelo, bermuda e regata. A rua é o pátio que eu não tenho, o quintal que eu não tenho. Não me exige a mesma produção dos deslocamentos a um shopping, a um cinema ou a lojas de outros centros.

 

Mais do que a qualidade do serviço, prepondera a intimidade do atendimento: ser chamado pelo nome, ter as urgências compreendidas, ouvir um “deixa comigo”, puxar o reboque das lembranças com uma conversa à toa. A afeição não tem preço. Fideliza acima de qualquer desconto.

 

Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto está docinha. Ou me alcança uma fatia de melancia para mostrar que está madura. Só na minha fruteira, ainda aceito troco em balas.

 

O melhor bairro é o nosso.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2026/02/vou-ali-e-ja-voltocml9vcnd501nr012tec0oq39s. html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo.

 

Qual das palavras sublinhadas no trecho a seguir, retirado do texto, NÃO pertence à classe dos substantivos?

 

“Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto está docinha”.


  1. AFruteira.
  2. BDono.
  3. CGomos.
  4. DBergamota.
  5. EDocinha.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Docinha.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classe gramatical: substantivo × adjetivo — Gabarito: letra E.

Gabarito: letra E. A palavra “docinha” NÃO é substantivo: é um adjetivo que caracteriza o substantivo “bergamota” (indica uma qualidade: a fruta está doce). As demais palavras sublinhadas — fruteira, dono, gomos, bergamota — são todas substantivos, pois nomeiam seres, objetos ou lugares. A pista decisiva está no próprio trecho: “o quanto está docinha” — o “está” liga a qualidade ao sujeito, função típica de adjetivo.

O comando pede que você identifique a palavra que NÃO pertence à classe dos substantivos. Isso é uma questão de morfologia (classificação das palavras) aplicada ao contexto. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer a classe gramatical de cada vocábulo sublinhado. A banca quer testar se você sabe diferenciar substantivo (nomeia seres, coisas, lugares, sentimentos) de adjetivo (caracteriza, atribui qualidade a um substantivo).

No trecho:

“Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto está docinha.”

  • Fruteira: nomeia um lugar (onde se vendem frutas) → substantivo.

  • Dono: nomeia uma pessoa → substantivo.

  • Gomos: nomeia partes de algo (gomo de fruta) → substantivo.

  • Bergamota: nomeia uma fruta → substantivo.

  • Docinha: não nomeia nada; atribui uma qualidade à bergamota (está doce) → adjetivo.

A técnica infalível: pergunte “o quê?” ou “quem?” para achar o substantivo; pergunte “como é?” para achar o adjetivo. “Como está a bergamota?” → “docinha”. Logo, “docinha” é adjetivo.

NÃO CAIA NESSA!

O sufixo -inha pode enganar, pois forma diminutivos de substantivos (ex.: “casinha”). Mas aqui “docinha” não é um substantivo diminutivo; é o adjetivo “doce” no grau diminutivo, mantendo a função de caracterizar. A banca aposta na confusão entre forma e função.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de classe gramatical, não se prenda à aparência da palavra (sufixos, terminações). Analise o papel que ela exerce na frase: se nomeia, é substantivo; se caracteriza, é adjetivo. Teste substituindo por outra palavra da mesma classe: “está doce” funciona; “está fruteira” não.

Classe gramatical
  • 1Substantivo (nomeia)
    • Fruteira (lugar)
    • Dono (pessoa)
    • Gomos (partes)
    • Bergamota (fruta)
  • 2Adjetivo (caracteriza)
    • Docinha (qualidade da bergamota)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Fruteira é substantivo: nomeia um lugar (o estabelecimento onde se vendem frutas). No trecho, “na minha fruteira” indica local. Não há erro aqui.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Dono é substantivo: nomeia uma pessoa (o proprietário da fruteira). “O dono me estende” — sujeito da ação, função típica de substantivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Gomos é substantivo: nomeia partes de uma fruta (gomo de bergamota). “Gomos de uma bergamota” — objeto direto, nomeando algo concreto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Bergamota é substantivo: nomeia uma fruta. “De uma bergamota” — complemento nominal, nomeando o ser.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Docinha é adjetivo: caracteriza a bergamota, indicando que ela está doce. A prova está na estrutura “está docinha” — o verbo “estar” liga o adjetivo ao sujeito (predicativo do sujeito). Se fosse substantivo, não faria sentido: “está fruteira” não funciona. Portanto, é a única palavra que não é substantivo.

Conclusão: a questão é de reconhecimento de classe gramatical. Substantivo nomeia; adjetivo caracteriza. “Docinha” caracteriza a bergamota, logo é adjetivo. As demais nomeiam seres ou lugares. Gabarito: letra E.

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