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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2026

PortuguêsConjunção
Código
qa390689
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC
Ano
2026
Cargo
Aux ( )

Como surgiu o fortificante mais popular do Brasil

 

Por Leandro Staudt

 

O Biotônico Fontoura marcou a infância de gerações de brasileiros. Os pais ofereciam aos filhos uma colher diária do fortificante para que lhes abrisse o apetite. As crianças ouviam a promessa de ganhar força e beleza. O aclamado tônico, que continua no mercado, foi criado há mais de cem anos no interior de São Paulo.

 

Após se formar em Farmácia, com a ajuda financeira da mãe e de um irmão, Cândido Fontoura da Silveira abriu a Pharmacia Popular na cidade de Bragança Paulista. Em 1910, buscando a cura para a esposa doente, o farmacêutico trancou-se no pequeno laboratório para preparar um fortificante. Na época, as próprias farmácias produziam grande parte dos medicamentos.

 

A revista Manchete publicou, em 1975, que a receita do tonificante reunia “ferro, cálcio, ácido fosfórico, um pouco de nos-moscada e vinho do Porto, obedecendo proporções homeopáticas”. O resultado obtido no tratamento da mulher logo se espalhou entre os moradores da cidade. Diante da procura, Fontoura lançou oficialmente o tônico.

 

O farmacêutico trocou Bragança pela cidade de São Paulo em 1915. Levou na mala um sonho e a receita do preparado e, com sócios, abriu o Instituto Medicamenta, que passou a fabricar o Biotônico Fontoura além de outros produtos.

 

O laboratório sempre investiu em publicidade. Cândido Fontoura também firmou parceria com um amigo, o escritor Monteiro Lobato, que o ajudou na popularização do fortificante, visto que ele criou o Jeca Tatuzinho, personagem do Almanaque do Biotônico.

 

As propagandas da década de 1920 indicavam o produto para combater "anemia, neurastenia (fraqueza), debilidade e tuberculose". O Biotônico já não contém álcool etílico na composição, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em 2001, a substância em tônicos e fortificantes destinados a estimular o apetite e o crescimento.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/leandro-staudt/noticia/2026/01/biotonico-fontouracomo- surgiu-o-fortificante-mais-popular-do-brasil.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo.

 

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as conjunções destacadas aos sentidos que elas estabelecem nos trechos retirados do texto.

 

Coluna 1

1. Causa.

2. Finalidade.

3. Explicação.

 

Coluna 2

( ) “Os pais ofereciam aos filhos uma colher diária do fortificante para que lhes abrisse o apetite”.

( ) “que o ajudou na popularização do fortificante, visto que ele criou o Jeca Tatuzinho”.

( ) “O Biotônico já não contém álcool etílico na composição, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu”.

 

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. A1 – 2 – 3.
  2. B2 – 1 – 3.
  3. C1 – 3 – 2.
  4. D2 – 3 – 1.
  5. E3 – 1 – 2.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — 2 – 1 – 3.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunções: causa, finalidade e explicação no texto

Gabarito: letra B. A sequência correta é 2 – 1 – 3: a primeira frase expressa finalidade (para que), a segunda, causa (visto que), e a terceira, explicação (pois). A distinção decisiva está entre causa e explicação: na causa, o fato da oração subordinada é a razão real do que se afirma na principal; na explicação, a oração introduzida por pois apenas justifica uma conclusão que o falante já tirou. Vejamos cada trecho.

O comando

A questão pede que você relacione as conjunções destacadas aos sentidos que elas estabelecem. Isso é uma tarefa de semântica dos conectivos: não basta reconhecer a classe gramatical; é preciso avaliar a relação lógica que cada conectivo instaura entre as orações, sempre no contexto do trecho. A banca testa exatamente a diferença entre três valores que costumam confundir: causa, finalidade e explicação.

O texto e a técnica

O texto narra a origem do Biotônico Fontoura. Os três trechos destacados estão em parágrafos diferentes e cada um traz um conectivo com função específica. A técnica para resolver é substituir o conectivo por outro de mesmo valor e ver se o sentido se mantém:

  • Finalidade = para que, a fim de que (indica objetivo, intenção).

  • Causa = porque, já que, uma vez que (indica o motivo real do fato).

  • Explicação = pois (anteposto ao verbo), porquanto (indica justificativa de uma conclusão).

A pegadinha clássica é confundir causa com explicação. Veja a diferença prática:

Conectivo

Valor

Teste

para que

Finalidade

Responde a "com que objetivo?"

visto que

Causa

Responde a "por que motivo real?"

pois (anteposto)

Explicação

Justifica uma conclusão já enunciada

1Finalidade
para que
a fim de que
2Causa
visto que
porque
já que
3Explicação
pois (anteposto)
porquanto
Conjunções
LEVELsoulevel.com.br
Conjunções: Finalidade (para que, a fim de que); Causa (visto que, porque, já que); Explicação (pois (anteposto), porquanto)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência 1 – 2 – 3 erra ao classificar o primeiro trecho como causa. No trecho "Os pais ofereciam aos filhos uma colher diária do fortificante para que lhes abrisse o apetite", a locução para que expressa finalidade (objetivo da ação de oferecer), não causa. A causa seria algo como "ofereciam porque as crianças estavam sem apetite". Aqui, o apetite é a meta a ser alcançada, não o motivo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência 2 – 1 – 3 é a única que classifica corretamente os três trechos:

  1. Finalidade: "Os pais ofereciam aos filhos uma colher diária do fortificante para que lhes abrisse o apetite". A locução para que introduz oração subordinada adverbial final — indica o objetivo da ação.

  1. Causa: "que o ajudou na popularização do fortificante, visto que ele criou o Jeca Tatuzinho". A locução visto que é causal: a criação do Jeca Tatuzinho é o motivo real pelo qual Monteiro Lobato ajudou na popularização.

  1. Explicação: "O Biotônico já não contém álcool etílico na composição, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu". Aqui, o pois está anteposto ao verbo e introduz uma explicação: a proibição da Anvisa é a justificativa que explica por que o produto não contém mais álcool. Note que a oração com pois poderia ser invertida sem prejuízo: "A Anvisa proibiu, pois o Biotônico não contém mais álcool" — o que revela o caráter explicativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência 1 – 3 – 2 erra duplamente: classifica o primeiro trecho como causa (quando é finalidade) e o segundo como explicação (quando é causa). O visto que é inequivocamente causal — não há justificativa de conclusão, mas sim o motivo real do fato.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência 2 – 3 – 1 erra ao classificar o segundo trecho como explicação e o terceiro como causa. O visto que é causal, e o pois anteposto é explicativo. A inversão entre causa e explicação é a armadilha central desta questão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência 3 – 1 – 2 erra ao classificar o primeiro trecho como explicação. O para que jamais seria explicativo — é locução final clássica. Além disso, inverte o segundo (causa) e o terceiro (explicação).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre causa e explicação. A causa responde "por que o fato aconteceu?"; a explicação justifica uma conclusão já enunciada. No trecho do pois, a proibição da Anvisa é a justificativa da afirmação anterior — não a causa do fato de o produto não conter álcool (a causa seria a proibição, mas a oração com pois explica a constatação).

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar causa de explicação, tente inverter as orações. Se a inversão mantiver o sentido, é explicação; se não, é causa. Ex.: "A Anvisa proibiu, pois o Biotônico não contém mais álcool" — mantém o sentido, logo é explicação.

Gabarito: letra B — a sequência correta é 2 – 1 – 3 (finalidade, causa, explicação).

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