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Questão de Português — Adjunto adnominal x Complemento Nominal — FUNDATEC 2026

PortuguêsAdjunto adnominal x Complemento Nominal
Código
qa390706
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC
Ano
2026
Cargo
Arq ( )

No banco dos réus

Por Cláudia Laitano

 

Médicos fumando no consultório, enfermeiras acendendo um cigarrinho para relaxar, dentistas recomendando sua marca preferida de tabaco: figuras como essas povoavam jornais e revistas até o início dos anos 1960. Alguns anúncios chegavam a sugerir que fumar ajudava na digestão, aliviava dores de garganta e garantia aquela dose extra de fôlego indispensável para enfrentar o dia a dia.

 

O primeiro relatório reunindo estudos que apontavam a ligação entre o cigarro e o câncer foi publicado em 1964. O piloto da série Mad Men, que se passa em 1960, retrata a ginástica do publicitário Don Draper para tornar atraente um produto que já começava a soar como cilada.

 

Em 1998, as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA assinaram um acordo para encerrar dezenas de processos judiciais que tentavam recuperar bilhões de dólares gastos com assistência médica de fumantes. Ou seja: entre o médico baforando sem culpa no nariz do paciente e a responsabilização de quem lucrava com uma mercadoria perigosa e altamente viciante, passaram-se mais ou menos 40 anos.

 

Então, o “momento tabaco” parece estar batendo à porta das big techs em 2026. O julgamento do primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas contra empresas de tecnologia previstos para este ano começou em Los Angeles na semana passada. Até aqui, empresas como Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar das acusações que envolvem conteúdo apelando para leis que isentam as plataformas de responsabilidade com relação ao que os usuários publicam. As novas ações atacam por outro flanco. O que está em jogo agora são as estratégias usadas por essas plataformas para gerar engajamento a qualquer custo – inclusive de crianças e adolescentes.

 

A acusação deve seguir duas linhas de argumentação. A primeira é a de que as big techs formataram suas plataformas para serem viciantes mesmo. “Quanto mais engajamento, mais publicidade” é o novo “quanto mais fumantes, mais lucro”. A segunda busca apoio em estudos que relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes ao advento das mídias sociais.

 

Ao contrário da montanha de evidências provando que fumar pode causar câncer, os efeitos das redes sociais sobre a saúde mental dos nossos filhos ainda não estão provados. Ainda assim, é difícil encontrar um pai ou mãe de adolescente que não esteja preocupado (o fato de que o livro Geração Ansiosa está há mais de 90 semanas na lista de best-sellers do New York Times dá a dimensão dessa preocupação).

 

A esta altura do campeonato, nem Don Draper conseguiria nos convencer de que está tudo bem com as crianças.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/02/no-banco-dos-reuscml3q4kl40086012yz36sq4a4. html –

texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo.

 

Assinale a alternativa na qual o termo destacado NÃO seja um adjunto adnominal.

  1. A“aliviava dores de garganta”.
  2. B“as quatro maiores empresas de tabaco”.
  3. C“o primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas”.
  4. D“leis que isentam as plataformas de responsabilidade”.
  5. E“relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “leis que isentam as plataformas de responsabilidade”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Adjunto adnominal × complemento nominal — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que o termo destacado NÃO é adjunto adnominal, pois "de responsabilidade" é complemento nominal: completa o sentido do substantivo abstrato "isenção" (implícito em "isentam") e tem valor passivo (a responsabilidade é algo que se isenta, recai sobre as plataformas). Nas demais, os termos destacados são adjuntos adnominais, pois têm valor ativo e apenas caracterizam o substantivo. A passagem que ancora a análise está no 4º parágrafo: "leis que isentam as plataformas de responsabilidade".

O comando da questão

O enunciado pede para assinalar a alternativa em que o termo destacado NÃO seja um adjunto adnominal. Isso significa que devemos identificar, entre as opções, aquela em que o termo exerce outra função sintática — no caso, complemento nominal. A banca não quer a função de todos os termos, apenas a exceção. Portanto, o primeiro passo é reconhecer o que é adjunto adnominal e o que é complemento nominal, e depois testar cada alternativa.

O que é adjunto adnominal e o que é complemento nominal

Adjunto adnominal é o termo que determina, especifica ou caracteriza um substantivo, podendo ser artigo, pronome, numeral, adjetivo ou locução adjetiva. Ele tem valor ativo (o termo age sobre o substantivo) e pode aparecer com ou sem preposição. Ex.: "a casa de pedra" — "de pedra" é locução adjetiva que caracteriza "casa", sem que a preposição seja exigida por nenhum nome.

Complemento nominal é o termo preposicionado que completa o sentido de um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio. Ele tem valor passivo (sofre a ação expressa pelo nome) e a preposição é exigida pelo nome. Ex.: "a construção da casa" — "da casa" é complemento nominal, pois a casa é construída (paciente).

A distinção crucial está no valor semântico: se o termo é agente (pratica a ação), é adjunto adnominal; se é paciente (sofre a ação), é complemento nominal. Além disso, o complemento nominal só se liga a substantivos abstratos, adjetivos ou advérbios, enquanto o adjunto adnominal se liga a qualquer substantivo.

A técnica que decide a questão

Para cada alternativa, pergunte: o termo destacado tem valor ativo ou passivo? Se for ativo, é adjunto adnominal; se for passivo, é complemento nominal. A alternativa D é a única em que o termo é passivo, pois "responsabilidade" é algo que se isenta — as plataformas são isentas de responsabilidade. Nas demais, os termos apenas caracterizam o substantivo, sem relação de ação.

Análise das alternativas

Critério

Adjunto Adnominal

Complemento Nominal

Valor semântico

Ativo (agente)

Passivo (paciente)

Núcleo a que se liga

Qualquer substantivo (concreto ou abstrato)

Substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio

Preposição

Nocional (não exigida)

Exigida pelo nome

Função

Caracteriza, especifica ou determina

Completa o sentido do nome

Exemplo

"dores de garganta"

"isenção de responsabilidade"

Adjunto adnominal
  • 1Valor ativo (agente)
  • 2Caracteriza o substantivo
  • 3Preposição nocional
  • 4Ex.: dores de garganta
  • 5Complemento nominal
    • Valor passivo (paciente)
    • Completa substantivo abstrato
    • Preposição exigida
    • Ex.: isentas de responsabilidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"aliviava dores de garganta"

O termo "de garganta" é adjunto adnominal, pois é uma locução adjetiva que especifica o substantivo concreto "dores" (dores de garganta, não de cabeça). Tem valor ativo: a garganta é o tipo de dor, não sofre ação. Não há preposição exigida por nenhum nome. Portanto, é adjunto adnominal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"as quatro maiores empresas de tabaco"

O termo "de tabaco" é adjunto adnominal, pois especifica o substantivo concreto "empresas" (empresas de tabaco, não de outro produto). Tem valor ativo: o tabaco é o ramo da empresa, não sofre ação. A preposição "de" é nocional, não exigida. Portanto, é adjunto adnominal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"o primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas"

O termo "de dois grandes lotes" é adjunto adnominal, pois especifica o numeral substantivado "primeiro" (o primeiro dos lotes). Tem valor ativo: os lotes são a referência, não sofrem ação. A preposição "de" é nocional. Portanto, é adjunto adnominal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"leis que isentam as plataformas de responsabilidade"

O termo "de responsabilidade" é complemento nominal, pois completa o sentido do substantivo abstrato "isenção" (implícito em "isentam"). Tem valor passivo: a responsabilidade é algo que se isenta — as plataformas são isentas de responsabilidade. A preposição "de" é exigida pelo nome "isenção". Portanto, NÃO é adjunto adnominal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças"

O termo "dos casos" é adjunto adnominal, pois especifica o substantivo abstrato "aumento" (aumento dos casos). Tem valor ativo: os casos são o que aumenta, não sofrem ação. A preposição "de" é nocional. Portanto, é adjunto adnominal.

Conclusão

A alternativa D é a única em que o termo destacado é complemento nominal, pois tem valor passivo e completa o sentido de um substantivo abstrato. As demais são adjuntos adnominais, com valor ativo. Gabarito: letra D.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir adjunto adnominal de complemento nominal, pergunte: o termo é agente (pratica a ação) ou paciente (sofre a ação)? Se for agente, é adjunto; se for paciente, é complemento. Além disso, o complemento nominal só se liga a substantivos abstratos, adjetivos ou advérbios.

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