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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — Quadrix 2026

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
qa390709
Banca
Quadrix
Órgão
CRESS 10 (RS)
Ano
2026
Cargo
Ag Adm ( )

35 Anos da Constituição Federal:

Um Marco para a Assistência Social brasileira

 

Os 35 anos da promulgação da Constituição Federal de 1988 representam um marco fundamental na história da Assistência Social no país. A Carta Magna, ao instituir a Assistência Social como um direito universal, desempenhou um papel crucial na concepção e estruturação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

 

Ao se tornar direito da(o) cidadã(o), que deve ser garantido pelo Estado, sem contraprestação pelos usuários, ou seja, com caráter não contributivo, a política públicade assistência social seguiu uma trajetória de rompimento do quadro histórico de quase ausência estatal e ações marcadas pelo clientelismo e paternalismo, no qual a assistência era voltada à ajuda aos pobres, sob a lógica da caridade, filantropia ou benemerência.

Antes da Constituição Federal de 1988, a Assistência Social era uma política para poucos, pois era dirigida apenas a uma parcela da população que podia contribuir com a seguridade social. Era também fragmentada, descoordenada e mal distribuída entre os diversos territórios do país. Antes, era comum a política de assistência social ser comandada pelas primeiras‑damas, sem formação técnico‑científica, com caráter fisiológico e populista, subvencionada pela filantropia, resultando em uma grande variação de métodos, valores e resultados realizados.

 

Além disso, muitas das demandas e necessidades da população brasileira em situação de vulnerabilidade social sequer eram reconhecidas e havia inclusive situações em que a própria ação do Estado, agindo sob o viés assistencialista, ocasionava mais violações de direitos do que a necessária proteção social.

 

A Constituição Federal, nos artigos 203 e 204, tornou a Assistência Social um direito universal, a quemdela necessitar, sem a necessidade de contribuição prévia à seguridade social. Uma política pública de proteção social voltada à defesa dos direitos das populações em situação de vulnerabilidade. Uma política pública protagonista no combate à pobreza.

Internet: <gov.br> (com adaptações).

Texto para a questão.

 

Ao estabelecer um contraste entre o período anterior à Constituição Federal de 1988 e o modelo posterior, o texto constrói uma relação de sentido classificada como

  1. Acomparação entre dois modelos equivalentes quanto à garantia de direitos sociais.
  2. Boposição entre um modelo assistencialista e outro estruturado como política pública de direito.
  3. Cexemplificação de práticas administrativas bem‑sucedidas no período anterior à Constituição Federal de 1988.
  4. Denumeração de características técnicas que permaneceram inalteradas ao longo do tempo.
  5. Enarração de eventos históricos sem posicionamento crítico em relação aos fatos apresentados.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — oposição entre um modelo assistencialista e outro estruturado como política pública de direito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de oposição entre modelos de assistência social

Gabarito: letra B. O texto constrói uma relação de oposição entre o modelo anterior à Constituição de 1988 — marcado pelo assistencialismo, clientelismo e filantropia — e o modelo posterior, estruturado como política pública de direito. Essa oposição é explicitamente anunciada no segundo parágrafo, quando o autor afirma que a política de assistência social seguiu uma trajetória de "rompimento do quadro histórico" de quase ausência estatal e ações paternalistas.

O comando pede que se identifique a relação de sentido construída pelo contraste entre dois períodos históricos. Não se trata de compreensão literal de um fato isolado, mas de interpretação da estrutura argumentativa: o autor organiza o texto em um antes (negativo, assistencialista) e um depois (positivo, de direito), o que configura uma relação de oposição — e não de comparação equivalente, exemplificação, enumeração ou narração neutra.

O texto é dissertativo-argumentativo: apresenta uma tese (a CF/88 foi um marco que rompeu com o passado assistencialista) e a sustenta contrastando os dois modelos. A resposta mora na antítese entre os períodos, que é o eixo estruturante de toda a argumentação.

A técnica decisiva é reconhecer que o texto opõe dois modelos com valores opostos. O autor não compara equivalentes, não elogia o passado, não lista permanências e não narra sem tomar partido — ele contrapõe o velho (clientelista, filantrópico, para poucos) ao novo (universal, não contributivo, de direito).

"a política públicade assistência social seguiu uma trajetória de rompimento do quadro histórico de quase ausência estatal e ações marcadas pelo clientelismo e paternalismo"

O termo "rompimento" é a pista lexical que prova a oposição: romper com algo é estabelecer uma relação de contraste/oposição com aquilo que existia antes. O texto inteiro desenvolve essa antítese.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato achar que o texto apenas compara períodos (letra A) ou que narra fatos sem opinião (letra E). A armadilha é ignorar o juízo de valor explícito do autor — ele claramente avalia o modelo antigo como negativo ("clientelismo", "paternalismo", "fisiológico e populista") e o novo como positivo ("direito universal", "proteção social").

1Antes da CF/88
Assistencialismo
Clientelismo e paternalismo
Filantropia e benemerência
Política para poucos
2Depois da CF/88
Política pública de direito
Direito universal
Sem contribuição prévia
3Relação construída
Oposição (antítese)
"Rompimento do quadro histórico"
Relação de sentido
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Relação de sentido: Antes da CF/88 (Assistencialismo, Clientelismo e paternalismo, Filantropia e benemerência, Política para poucos); Depois da CF/88 (Política pública de direito, Direito universal, Sem contribuição prévia); Relação construída (Oposição (antítese), "Rompimento do quadro histórico")

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao dizer que há "comparação entre dois modelos equivalentes quanto à garantia de direitos sociais". O texto faz o oposto: afirma que antes a assistência era "uma política para poucos" e depois tornou-se "um direito universal". Não há equivalência — há desigualdade de garantia de direitos, com o modelo novo sendo claramente superior. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque capta exatamente a relação de oposição entre o modelo assistencialista (anterior) e o modelo de política pública de direito (posterior). O texto afirma que a assistência "era voltada à ajuda aos pobres, sob a lógica da caridade, filantropia ou benemerência" e que, com a CF/88, tornou-se "um direito universal, a quem dela necessitar, sem a necessidade de contribuição prévia". A oposição é explícita e estruturante.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao dizer que o texto traz "exemplificação de práticas administrativas bem-sucedidas no período anterior". O texto faz o oposto: descreve o período anterior como marcado por "caráter fisiológico e populista", "fragmentada, descoordenada e mal distribuída" — ou seja, práticas mal-sucedidas. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que o texto traz "enumeração de características técnicas que permaneceram inalteradas ao longo do tempo". O texto enfatiza a mudança e o rompimento, não a permanência. Características como "clientelismo" e "paternalismo" são apresentadas como superadas pelo novo modelo. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao dizer que o texto é uma "narração de eventos históricos sem posicionamento crítico". O texto é dissertativo-argumentativo, não narrativo, e está repleto de juízos de valor: o autor avalia o passado como negativo ("quase ausência estatal", "clientelismo e paternalismo") e o presente como positivo ("marco fundamental", "direito universal"). Há claro posicionamento crítico. A alternativa contradiz o texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar relações de sentido, procure os conectivos e termos avaliativos que sinalizam a relação. Aqui, "rompimento", "antes" vs. "depois", "clientelismo" vs. "direito" são as pistas da oposição. Se o autor toma partido, não é narração neutra.

Gabarito: letra B — a única alternativa que reconhece a oposição entre o modelo assistencialista anterior e o modelo de política pública de direito posterior, relação que estrutura todo o texto.

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