Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa390778
Banca
Quadrix
Órgão
CRESS 10 (RS)
Ano
2026
Cargo
Prof SG ( )
Coleta deficiente e baixa reciclagem
ainda são desafios para gestão do lixo no Brasil
O crescimento acelerado da população mundial, que pode atingir 10 bilhões de habitantes até 2075, intensifica o desafio da gestão de resíduos sólidos e pressiona os recursos naturais, o que pode comprometer o futuro das próximas gerações. No Brasil, o problema é ainda mais crítico: o país produz cerca de 90 milhões de toneladas de lixo por ano, mas apenas 7,5% são reciclados, muito abaixo dos índices de países europeus e asiáticos.
Segundo Laerte Scanavacca Júnior, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, 15,4% do lixo produzido no Brasil sequer é coletado, agravando problemas ambientais e de saúde pública. Dos resíduos recolhidos, apenas 45% têm destinação correta em aterros sanitários. Além disso, o Brasil ainda possui cerca de 3 mil lixões ativos, que retém 32% do lixo, apesar das metas repetidamente adiadas para sua substituição. A previsão atual é que todos sejam desativados até 2029. O descarte inadequado gera custos elevados: estima‑se que o Brasil perca R$ 120 bilhões anuais devido à reciclagem ineficiente ou inexistente. Especialistas apontam que a infraestrutura precária e a bitributação sobre materiais recicláveis são barreiras para avançar na economia circular, modelo que promove o reaproveitamento de recursos e reduz o impacto ambiental. O Brasil investe cerca de 37 milhões por ano no descarte correto dos resíduos sólidos urbanos (RSU), o que dá uma média de R$ 13,66 por habitante por mês, ou seja, se investisse o dobro na coleta e destinação correta do lixo, os gastos com saúde seriam bem maiores que isso.
A porcentagem de reciclagem dos diversos materiais no país varia conforme o material (valor e disponibilidade do material). O alumínio lidera com uma taxa de reaproveitamento de 98,7%, enquanto vidro (25,8%), plástico (24,5%) e lixo eletrônico (apenas 3%) ainda apresentam desafios. O Brasil é o quinto maior produtor mundial de lixo eletrônico, com 100 mil toneladas geradas anualmente, mas 85% dos brasileiros ainda guardam esse tipo de resíduo em casa, dificultando a destinação adequada. A reciclagem correta é de 6,4%.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10) estabelece diretrizes para a gestão do lixo, mas sua implementação encontra desafios. Para evitar um colapso ambiental e social, especialistas defendem maior investimento em coleta seletiva, incentivo à reciclagem e educação ambiental. A compostagem do lixo orgânico, por exemplo, poderia reduzir em até 50% o volume de resíduos descartados e prolongar a vida útil dos aterros sanitários.
Internet: <embrapa.br> (com adaptações).
Texto para a questão. A construção argumentativa do texto organiza‑se de modo a
Aapresentar apenas dados estatísticos, sem posicionamento.
Bdefender a permanência do modelo atual de gestão.
Cpriorizar exclusivamente a dimensão tecnológica.
Drestringir o problema à esfera doméstica.
Earticular diagnóstico e apresentar consequências.
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GabaritoE — articular diagnóstico e apresentar consequências.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Construção argumentativa: diagnóstico e consequências
Gabarito: letra E. O texto se organiza, de fato, para articular um diagnóstico (a situação precária da gestão de resíduos no Brasil, com dados sobre coleta, reciclagem e lixões) e apresentar consequências (perdas econômicas, problemas ambientais e de saúde pública, risco de colapso). Essa articulação é visível já no primeiro parágrafo, quando o autor afirma que o crescimento populacional "intensifica o desafio da gestão de resíduos sólidos e pressiona os recursos naturais, o que pode comprometer o futuro das próximas gerações" — aí temos a consequência direta do diagnóstico. A alternativa E é a única que captura o movimento argumentativo central do texto.
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique como a construção argumentativa do texto se organiza — ou seja, qual é a estratégia estrutural que o autor usa para defender sua tese. Isso não é uma questão de localizar uma informação pontual, mas de perceber a relação entre as partes do texto: o que o autor apresenta primeiro, o que ele deriva disso, e como ele conduz o leitor à conclusão. É uma questão de compreensão global, não de inferência profunda — a resposta está na macroestrutura, não em uma linha específica.
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O tema é a gestão de resíduos sólidos no Brasil. A tese, implícita mas clara, é que a gestão atual é deficiente e precisa de mudanças urgentes — o autor não apenas expõe fatos, mas os organiza para persuadir o leitor de que há um problema grave e que soluções são necessárias. Veja a estrutura:
Diagnóstico: o autor apresenta dados sobre a produção de lixo (90 milhões de toneladas/ano), a baixa reciclagem (7,5%), a falta de coleta (15,4%), a destinação incorreta (apenas 45% em aterros), os lixões ativos (3 mil) e a perda econômica (R$ 120 bilhões).
Consequências: a partir desse diagnóstico, ele aponta os efeitos: "agravando problemas ambientais e de saúde pública", "o que pode comprometer o futuro das próximas gerações", "para evitar um colapso ambiental e social".
Essa articulação é típica do texto dissertativo-argumentativo: o autor não se limita a informar (expor), ele argumenta — organiza os dados de modo a conduzir o leitor a uma conclusão (a necessidade de investimento em coleta seletiva, reciclagem e educação ambiental).
A técnica que decide
Para resolver questões de "construção argumentativa", pergunte-se: qual é a relação entre as partes? O texto começa com um problema (diagnóstico) e deriva dele efeitos (consequências). A alternativa E é a única que nomeia exatamente essa relação. As demais ou restringem o alcance do texto (A, C, D) ou contradizem a tese (B).
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora oferecer alternativas que restringem o texto a um único aspecto ("apenas dados", "exclusivamente tecnológico", "restringir à esfera doméstica") — mas o texto é multifacetado: mistura dados, consequências, causas e soluções. A correta exige visão global, não leitura parcial.
PEGA ESSA DICA!
Ao ler o enunciado, sublinhe o verbo: "organiza-se de modo a" pede estrutura, não conteúdo pontual. Teste cada alternativa perguntando: "o texto faz só isso?" — se a resposta for "não", a alternativa está errada por restrição.
Análise das alternativas
1Diagnóstico (dados)
2Consequências (efeitos)
3Proposta (solução)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: restringe o alcance (generalização indevida). O texto não apresenta "apenas dados estatísticos, sem posicionamento". Há claro posicionamento do autor: ele defende que a gestão é deficiente e que é preciso "maior investimento em coleta seletiva, incentivo à reciclagem e educação ambiental". O trecho final — "Para evitar um colapso ambiental e social, especialistas defendem..." — revela uma tese e uma proposta, o que invalida a ideia de neutralidade. A palavra "apenas" é o sinal de alerta: o texto vai muito além de estatísticas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O autor não defende a permanência do modelo atual; pelo contrário, ele o critica duramente. Veja: "o país produz cerca de 90 milhões de toneladas de lixo por ano, mas apenas 7,5% são reciclados" — o "mas" já indica oposição e insatisfação. Além disso, ele aponta "metas repetidamente adiadas" e "infraestrutura precária" como barreiras. Defender a permanência seria o oposto do que o texto argumenta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: restringe o alcance (fuga ao tema). O texto não prioriza "exclusivamente a dimensão tecnológica". Ele aborda múltiplas dimensões: ambiental, econômica, social e de saúde pública. A palavra "exclusivamente" é o problema — o texto menciona tecnologia (reciclagem, compostagem), mas também fala de coleta, lixões, investimento e educação. A alternativa tangencia um aspecto, mas não captura a totalidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: restringe o alcance (fuga ao tema). O texto não restringe o problema "à esfera doméstica". Pelo contrário, ele trata de questões nacionais e globais: "crescimento acelerado da população mundial", "país produz", "Brasil ainda possui cerca de 3 mil lixões". A menção a "85% dos brasileiros guardam esse tipo de resíduo em casa" é apenas um dado pontual, não o foco do texto. A alternativa tangencia um detalhe e o transforma em tema central — erro clássico de extrapolação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta: articula diagnóstico e consequências. O texto faz exatamente isso: primeiro diagnostica a situação (dados sobre produção, coleta, reciclagem, lixões), depois apresenta consequências (perdas econômicas, problemas de saúde, risco de colapso). Veja os trechos que comprovam:
"15,4% do lixo produzido no Brasil sequer é coletado, agravando problemas ambientais e de saúde pública"
"O descarte inadequado gera custos elevados: estima‑se que o Brasil perca R$ 120 bilhões anuais"
"o que pode comprometer o futuro das próximas gerações"
Esses trechos mostram a relação causa-consequência que estrutura o texto: o diagnóstico (coleta deficiente, baixa reciclagem) leva a consequências (danos ambientais, perdas econômicas). A alternativa E é a única que nomeia essa macroestrutura.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de enxergar a floresta, não as árvores. O texto é um diagnóstico (problema) seguido de consequências (efeitos) e, ao final, uma proposta (solução). A alternativa E é a única que captura esse movimento. As demais ou restringem o texto a um aspecto parcial (A, C, D) ou contradizem a tese (B).