Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa390887
Banca
Quadrix
Órgão
CRF DF
Ano
2026
Cargo
Ass I ( )
No âmbito dos conselhos profissionais, a
linguagem utilizada nos atos administrativos ultrapassa
a mera função informativa, assumindo papel estratégico
na consolidação da legitimidade institucional. A escolha
lexical, a organização sintática e o encadeamento lógico das
ideias revelam não apenas domínio da norma‑padrão, mas
também compromisso com a clareza, a impessoalidade e a
precisão exigidas na administração pública.
Nesse contexto, desvios gramaticais, ambiguidades
sintáticas ou inadequações semânticas não se restringem
ao plano formal do texto: afetam diretamente sua
interpretação, comprometem a segurança jurídica dos
atos e fragilizam a comunicação entre a instituição e a
sociedade. Assim, a competência leitora e escritora do
servidor público envolve reconhecer sutilezas linguísticas,
interpretar implícitos discursivos e avaliar criticamente os
efeitos de sentido produzidos pelo texto.
Dessa forma, o domínio avançado da língua
portuguesa configura‑se como instrumento indispensável
à eficiência administrativa, à transparência e ao
fortalecimento da credibilidade dos conselhos profissionais.
BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República.
Brasília: Presidência da República, 2018 (com adaptações).
Texto para o item.
Quanto aos sentidos explícitos e implícitos do texto, bem como à organização argumentativa, à tese defendida e àtipologia textual predominante, julgue o item a seguir.
O texto admite que falhas linguísticas podem comprometer apenas a estética textual, sem efeitos práticos relevantes.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Análise da afirmação sobre falhas linguísticas
Gabarito: ERRADO. A afirmação de que "falhas linguísticas podem comprometer apenas a estética textual, sem efeitos práticos relevantes" contradiz diretamente o texto, que afirma o oposto: os desvios "afetam diretamente sua interpretação, comprometem a segurança jurídica dos atos e fragilizam a comunicação entre a instituição e a sociedade". O texto não admite a hipótese de efeito meramente estético — ele atribui consequências práticas e graves às falhas.
O comando pede que se julgue a afirmação "O texto admite que falhas linguísticas podem comprometer apenas a estética textual, sem efeitos práticos relevantes". Trata-se de uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser encontrada em uma informação explícita do texto, não em inferências. A palavra-chave é "apenas" — ela restringe o efeito das falhas a um único plano (o estético), o que o texto nega de forma categórica.
O texto-base é um trecho dissertativo-argumentativo sobre a importância da linguagem nos atos administrativos dos conselhos profissionais. A tese central é que a linguagem "ultrapassa a mera função informativa" e que o domínio da língua é "instrumento indispensável à eficiência administrativa, à transparência e ao fortalecimento da credibilidade". O segundo parágrafo é o coração da questão, pois trata exatamente das consequências dos desvios linguísticos.
A técnica que decide esta questão é o confronto direto entre a afirmação e o texto. A afirmação diz que as falhas comprometem "apenas a estética textual, sem efeitos práticos relevantes". O texto diz exatamente o contrário:
"desvios gramaticais, ambiguidades sintáticas ou inadequações semânticas não se restringem ao plano formal do texto: afetam diretamente sua interpretação, comprometem a segurança jurídica dos atos e fragilizam a comunicação entre a instituição e a sociedade"
A expressão "não se restringem ao plano formal" é a negação exata da ideia de "apenas a estética textual". O texto afirma que os efeitos vão além do formal, atingindo a interpretação, a segurança jurídica e a comunicação. A palavra "apenas" na afirmação é o termo que a torna falsa — ela restringe indevidamente o alcance do que o texto afirma.
A banca montou uma pegadinha clássica de restrição: pegou uma ideia parcialmente verdadeira (falhas têm relação com o texto) e a restringiu com o advérbio "apenas", excluindo os efeitos práticos que o texto explicitamente menciona. É o mesmo padrão de "o texto diz que muitos, a alternativa diz que todos" — aqui, o texto diz que as falhas afetam vários planos, e a alternativa diz que afetam só um.
Item — ❌ ERRADO ⟵ GABARITO
A afirmação é falsa porque o texto não admite que as falhas tenham efeito meramente estético. Pelo contrário, o texto é explícito ao enumerar consequências práticas:
"afetam diretamente sua interpretação, comprometem a segurança jurídica dos atos e fragilizam a comunicação entre a instituição e a sociedade"
O trecho "não se restringem ao plano formal do texto" é a prova cabal: o autor nega que o efeito seja apenas formal/estético. A afirmação do item contradiz o texto ao inserir o advérbio "apenas" e a expressão "sem efeitos práticos relevantes", que não têm qualquer respaldo no texto-base.
NÃO CAIA NESSA!
A banca usa a palavra "apenas" para restringir o alcance do que o texto afirma. O texto diz que as falhas afetam vários planos (interpretação, segurança jurídica, comunicação); a afirmação tenta limitar o efeito a um único plano (estética). Sempre desconfie de "apenas", "somente", "só" — eles costumam marcar uma restrição indevida.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de CERTO/ERRADO, grife as palavras absolutas e restritivas ("apenas", "sempre", "nunca", "somente") e confronte-as com o alcance real do texto. Se o texto diz "não se restringem" e a afirmação diz "apenas", há contradição direta.
Conclusão: a afirmação está ERRADA porque o texto afirma explicitamente que as falhas linguísticas "não se restringem ao plano formal" e que afetam a interpretação, a segurança jurídica e a comunicação — exatamente o oposto de "apenas a estética textual, sem efeitos práticos relevantes". A resposta correta é ERRADO.