No âmbito dos conselhos profissionais, a
linguagem utilizada nos atos administrativos ultrapassa
a mera função informativa, assumindo papel estratégico
na consolidação da legitimidade institucional. A escolha
lexical, a organização sintática e o encadeamento lógico das
ideias revelam não apenas domínio da norma‑padrão, mas
também compromisso com a clareza, a impessoalidade e a
precisão exigidas na administração pública.
Nesse contexto, desvios gramaticais, ambiguidades
sintáticas ou inadequações semânticas não se restringem
ao plano formal do texto: afetam diretamente sua
interpretação, comprometem a segurança jurídica dos
atos e fragilizam a comunicação entre a instituição e a
sociedade. Assim, a competência leitora e escritora do
servidor público envolve reconhecer sutilezas linguísticas,
interpretar implícitos discursivos e avaliar criticamente os
efeitos de sentido produzidos pelo texto.
Dessa forma, o domínio avançado da língua
portuguesa configura‑se como instrumento indispensável
à eficiência administrativa, à transparência e ao
fortalecimento da credibilidade dos conselhos profissionais.
BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República.
Brasília: Presidência da República, 2018 (com adaptações).
Texto para o item.
Com base no texto, julgue o item seguinte, à luz da morfossintaxe, da concordância, da regência, da crase e da reescrita.
Em “Dessa forma, o domínio avançado da língua portuguesa configura‑se como instrumento indispensável à eficiência administrativa”, o acento grave em “ à eficiência administrativa” é facultativo.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Crase em "à eficiência administrativa" — obrigatória, não facultativa
Gabarito: letra E (Errado). O acento grave em "à eficiência administrativa" é obrigatório, não facultativo, pois há a fusão da preposição "a" (exigida pelo adjetivo "indispensável") com o artigo definido feminino "a" (que antecede o substantivo "eficiência"). A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que se trata de um caso facultativo, mas a regra é clara: crase facultativa só ocorre antes de nome próprio feminino, pronome possessivo adjetivo feminino singular e após a preposição "até" — nenhum desses casos se aplica aqui.
O comando da questão
O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre a afirmação de que o acento grave é facultativo. Trata-se de uma questão de gramática normativa (crase), não de interpretação de texto. O texto-base serve apenas como contexto — a resposta está na regra de crase aplicada ao trecho destacado.
A regra que decide a questão
A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo definido feminino "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos). Para que ocorra, são necessárias duas condições simultâneas:
O termo regente deve exigir a preposição "a";
O termo regido deve admitir o artigo definido feminino "a".
No trecho "instrumento indispensável à eficiência administrativa", temos:
O adjetivo "indispensável" rege a preposição "a": quem é indispensável, é indispensável a algo.
O substantivo "eficiência" é feminino e admite o artigo "a": a eficiência administrativa.
Portanto: indispensável a + a eficiência = indispensável à eficiência. A crase é obrigatória.
"Dessa forma, o domínio avançado da língua portuguesa configura‑se como instrumento indispensável à eficiência administrativa"
A passagem confirma o uso do acento grave, que decorre da regência nominal de "indispensável" somada ao artigo feminino.
Crase facultativa: quando ocorre?
A crase é facultativa apenas em três situações específicas:
Situação
Exemplo
Antes de nome próprio feminino
Refiro-me a/à Maria
Antes de pronome possessivo adjetivo feminino singular
Refiro-me a/à minha amiga
Após a preposição "até"
Fui até a/à praia
Nenhuma dessas situações ocorre no trecho analisado. "Eficiência administrativa" é um substantivo comum feminino, não um nome próprio nem um possessivo, e a preposição que o antecede não é "até".
A pegadinha da banca
A banca tenta fazer o candidato confundir crase facultativa com crase obrigatória. O termo "facultativo" é a palavra-chave: ela sugere que o acento poderia ser retirado sem prejuízo, o que é falso. Retirar o acento grave resultaria em "indispensável a eficiência", construção incorreta, pois faltaria o artigo definido que determina o substantivo.
Crase facultativa
1Nome próprio feminino
Refiro-me a/à Maria
2Pronome possessivo adjetivo feminino singular
Refiro-me a/à minha amiga
3Após "até"
Fui até a/à praia
4Crase obrigatória
Preposição "a" + artigo "a"
Indispensável à eficiência
Teste: substituir por masculino
Aparece "ao" → crase obrigatória
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NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre crase facultativa (casos restritos) e crase obrigatória (preposição + artigo). O candidato que decora os casos facultativos sem entender a regra geral cai na armadilha.
Conclusão
A afirmação do item é falsa: o acento grave em "à eficiência administrativa" é obrigatório, pois resulta da fusão da preposição "a" (regência de "indispensável") com o artigo definido feminino "a". Não se trata de caso facultativo.
PEGA ESSA DICA!
Para testar se a crase é obrigatória, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", a crase é obrigatória. Ex.: "indispensável ao sucesso" → "indispensável à eficiência".