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Questão de Português — Crase — Quadrix 2026

PortuguêsCrase
Código
qa390897
Banca
Quadrix
Órgão
CRF DF
Ano
2026
Cargo
Ass I ( )
        No âmbito dos conselhos profissionais, a linguagem utilizada nos atos administrativos ultrapassa a mera função informativa, assumindo papel estratégico na consolidação da legitimidade institucional. A escolha lexical, a organização sintática e o encadeamento lógico das ideias revelam não apenas domínio da norma‑padrão, mas também compromisso com a clareza, a impessoalidade e a precisão exigidas na administração pública.

        Nesse contexto, desvios gramaticais, ambiguidades sintáticas ou inadequações semânticas não se restringem ao plano formal do texto: afetam diretamente sua interpretação, comprometem a segurança jurídica dos atos e fragilizam a comunicação entre a instituição e a sociedade. Assim, a competência leitora e escritora do servidor público envolve reconhecer sutilezas linguísticas, interpretar implícitos discursivos e avaliar criticamente os efeitos de sentido produzidos pelo texto.

        Dessa forma, o domínio avançado da língua portuguesa configura‑se como instrumento indispensável à eficiência administrativa, à transparência e ao fortalecimento da credibilidade dos conselhos profissionais.

BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República. Brasília: Presidência da República, 2018 (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com base no texto, julgue o item seguinte, à luz da morfossintaxe, da concordância, da regência, da crase e da reescrita.

 

Em “Dessa forma, o domínio avançado da língua portuguesa configura‑se como instrumento indispensável à eficiência administrativa”, o acento grave em “ à eficiência administrativa” é facultativo.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "à eficiência administrativa" — obrigatória, não facultativa

Gabarito: letra E (Errado). O acento grave em "à eficiência administrativa" é obrigatório, não facultativo, pois há a fusão da preposição "a" (exigida pelo adjetivo "indispensável") com o artigo definido feminino "a" (que antecede o substantivo "eficiência"). A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que se trata de um caso facultativo, mas a regra é clara: crase facultativa só ocorre antes de nome próprio feminino, pronome possessivo adjetivo feminino singular e após a preposição "até" — nenhum desses casos se aplica aqui.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre a afirmação de que o acento grave é facultativo. Trata-se de uma questão de gramática normativa (crase), não de interpretação de texto. O texto-base serve apenas como contexto — a resposta está na regra de crase aplicada ao trecho destacado.

A regra que decide a questão

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo definido feminino "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos). Para que ocorra, são necessárias duas condições simultâneas:

  1. O termo regente deve exigir a preposição "a";

  2. O termo regido deve admitir o artigo definido feminino "a".

No trecho "instrumento indispensável à eficiência administrativa", temos:

  • O adjetivo "indispensável" rege a preposição "a": quem é indispensável, é indispensável a algo.

  • O substantivo "eficiência" é feminino e admite o artigo "a": a eficiência administrativa.

Portanto: indispensável a + a eficiência = indispensável à eficiência. A crase é obrigatória.

"Dessa forma, o domínio avançado da língua portuguesa configura‑se como instrumento indispensável à eficiência administrativa"

A passagem confirma o uso do acento grave, que decorre da regência nominal de "indispensável" somada ao artigo feminino.

Crase facultativa: quando ocorre?

A crase é facultativa apenas em três situações específicas:

Situação

Exemplo

Antes de nome próprio feminino

Refiro-me a/à Maria

Antes de pronome possessivo adjetivo feminino singular

Refiro-me a/à minha amiga

Após a preposição "até"

Fui até a/à praia

Nenhuma dessas situações ocorre no trecho analisado. "Eficiência administrativa" é um substantivo comum feminino, não um nome próprio nem um possessivo, e a preposição que o antecede não é "até".

A pegadinha da banca

A banca tenta fazer o candidato confundir crase facultativa com crase obrigatória. O termo "facultativo" é a palavra-chave: ela sugere que o acento poderia ser retirado sem prejuízo, o que é falso. Retirar o acento grave resultaria em "indispensável a eficiência", construção incorreta, pois faltaria o artigo definido que determina o substantivo.

Crase facultativa
  • 1Nome próprio feminino
    • Refiro-me a/à Maria
  • 2Pronome possessivo adjetivo feminino singular
    • Refiro-me a/à minha amiga
  • 3Após "até"
    • Fui até a/à praia
  • 4Crase obrigatória
    • Preposição "a" + artigo "a"
      • Indispensável à eficiência
    • Teste: substituir por masculino
      • Aparece "ao" → crase obrigatória
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NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase facultativa (casos restritos) e crase obrigatória (preposição + artigo). O candidato que decora os casos facultativos sem entender a regra geral cai na armadilha.

Conclusão

A afirmação do item é falsa: o acento grave em "à eficiência administrativa" é obrigatório, pois resulta da fusão da preposição "a" (regência de "indispensável") com o artigo definido feminino "a". Não se trata de caso facultativo.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se a crase é obrigatória, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", a crase é obrigatória. Ex.: "indispensável ao sucesso" → "indispensável à eficiência".

Gabarito: letra E (Errado).

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