Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa390904
Banca
Quadrix
Órgão
CRF DF
Ano
2026
Cargo
Adm ( )
A atuação do Conselho Regional de Farmácia
do Distrito Federal envolve não apenas a fiscalização do
exercício profissional, mas também a produção contínua
de atos administrativos, pareceres técnicos, comunicações
oficiais e documentos normativos destinados a
profissionais, instituições e à sociedade em geral. Nesse
contexto, a linguagem escrita assume papel central, pois é
por meio dela que se materializam decisões, orientações e
informações de interesse público.
A clareza textual, a correção gramatical e a
precisão vocabular são requisitos indispensáveis para a
segurança jurídica e para a transparência administrativa.
Textos mal redigidos, ambíguos ou em desacordo com a
norma‑padrão podem gerar interpretações equivocadas,
comprometer a eficácia dos atos administrativos e fragilizar
a credibilidade institucional do Conselho. Assim, o domínio
da língua portuguesa não se restringe a uma exigência
formal, mas configura instrumento essencial de trabalho do
servidor público.
Além disso, a comunicação institucional deve
observar princípios como impessoalidade, objetividade e
padronização, especialmente em ambientes digitais, nos
quais a informação circula com rapidez e amplo alcance.
Dessa forma, espera‑se que o servidor do CRF‑DF seja
capaz de interpretar textos oficiais, redigir documentos
administrativos adequados ao contexto e reconhecer os
efeitos de sentido produzidos por escolhas linguísticas,
sintáticas e semânticas.
BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República.
Brasília, 2018 (com adaptações).
Texto para o item.
Quanto aos sentidos explícitos e implícitos do texto, à finalidade comunicativa e à tipologia textual predominante, julgue o item a seguir.
É possível inferir que falhas linguísticas podem comprometer a segurança jurídica dos atos administrativos.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Inferência textual: falhas linguísticas e segurança jurídica
Gabarito: C (Certo). A afirmação é uma inferência legítima, pois o texto estabelece uma relação de causa e consequência entre falhas linguísticas e comprometimento da segurança jurídica. O trecho que ancora essa conclusão é: "Textos mal redigidos, ambíguos ou em desacordo com a norma‑padrão podem gerar interpretações equivocadas, comprometer a eficácia dos atos administrativos e fragilizar a credibilidade institucional do Conselho." A palavra "comprometer" é sinônimo de "prejudicar", e "eficácia" está diretamente ligada à segurança jurídica, pois um ato ineficaz não produz os efeitos jurídicos esperados.
O comando pede uma inferência ("É possível inferir"), ou seja, uma conclusão que não está literalmente escrita, mas que é obrigatoriamente deduzida das pistas do texto. Não se trata de uma informação explícita (que seria uma paráfrase direta), mas de uma relação lógica que o leitor constrói a partir do que está dito. A banca quer saber se você consegue perceber que o texto, ao afirmar que textos mal redigidos "comprometem a eficácia dos atos", permite concluir que a segurança jurídica — que depende da eficácia e da clareza dos atos — é afetada por falhas linguísticas.
O texto, de natureza dissertativo-argumentativa, defende a tese de que o domínio da língua portuguesa é "instrumento essencial de trabalho do servidor público". O segundo parágrafo é o coração da questão: ele estabelece uma cadeia causal — falhas linguísticas → interpretações equivocadas → comprometimento da eficácia dos atos → fragilização da credibilidade. A segurança jurídica, mencionada no início do parágrafo como requisito da clareza textual, é exatamente o que se perde quando essa cadeia se concretiza.
A técnica para resolver é testar se a conclusão proposta extrapola o texto ou se está ancorada nele. A afirmação não acrescenta nada de fora: ela apenas explicita uma consequência que o próprio texto sugere. Veja a passagem que prova:
"A clareza textual, a correção gramatical e a precisão vocabular são requisitos indispensáveis para a segurança jurídica e para a transparência administrativa. Textos mal redigidos, ambíguos ou em desacordo com a norma‑padrão podem gerar interpretações equivocadas, comprometer a eficácia dos atos administrativos e fragilizar a credibilidade institucional."
Aqui, o texto diz que a clareza é requisito para a segurança jurídica e que textos mal redigidos comprometem a eficácia dos atos. A inferência é direta: se a clareza é necessária para a segurança jurídica, e a falta dela (falhas linguísticas) compromete a eficácia dos atos, então as falhas linguísticas podem comprometer a segurança jurídica. A palavra "podem" no texto ("podem gerar") é crucial: ela indica possibilidade, não certeza absoluta, e a afirmação do item também usa "podem" ("podem comprometer"), mantendo o mesmo grau de probabilidade.
1Falhas linguísticas
2Interpretações equivocadas
3Comprometem eficácia dos atos
4Fragilizam segurança jurídica
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Item — ✅ Correto ⟵ GABARITO
A afirmação "É possível inferir que falhas linguísticas podem comprometer a segurança jurídica dos atos administrativos" é correta por três razões:
Relação causal explícita no texto: o texto afirma que textos mal redigidos "podem gerar interpretações equivocadas, comprometer a eficácia dos atos administrativos". A eficácia dos atos é um componente essencial da segurança jurídica — um ato ineficaz não gera os efeitos jurídicos esperados, o que compromete a previsibilidade e a estabilidade das relações jurídicas.
A clareza como requisito da segurança jurídica: o texto diz que "a clareza textual, a correção gramatical e a precisão vocabular são requisitos indispensáveis para a segurança jurídica". Se a clareza é requisito para a segurança jurídica, a sua ausência (falhas linguísticas) compromete essa segurança. A inferência é uma decorrência lógica do que está escrito.
O verbo "podem" preserva o sentido: tanto o texto quanto o item usam "podem", indicando possibilidade, não necessidade. Isso evita o erro de generalização (transformar "podem" em "sempre comprometem"). A afirmação é uma paráfrase inferencial fiel ao texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca poderia tentar fazer você marcar "Errado" ao pensar que o texto não fala diretamente de "segurança jurídica" em relação a falhas linguísticas. Mas o texto estabelece a relação de forma indireta: clareza → segurança jurídica; falta de clareza → comprometimento da eficácia. A inferência é válida porque há pistas linguísticas que a sustentam.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de inferência, pergunte-se: "o texto me obriga a concluir isso?" Se a conclusão é uma consequência lógica do que está escrito, é inferência legítima. Se exige acrescentar informação de fora, é extrapolação. Aqui, a conclusão é obrigatória.
Conclusão: a afirmação é uma inferência válida, ancorada na relação causal que o texto estabelece entre falhas linguísticas e comprometimento da eficácia dos atos administrativos. O item está Certo.