Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — Avança SP 2026
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
qa391154
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Louveira
Ano
2026
Cargo
Prof ( )
O melhor das pessoas
A frase – “A gente precisa chamar o melhor das pessoas” – é um válido lembrete de como podemos enxergar mais pelo filtro da compaixão. Quando olhamos para uma pessoa, o primeiro tipo de pensamento que vem à mente é de julgamento ou de curiosidade?
É que, às vezes, nem dá tempo do outro se apresentar e já recebe nossa etiqueta invisível de “bom” ou “ruim”, de “aceito conviver” ou “melhor evitar”.
Não simpatizamos com todo mundo, mas cultivar uma noção positiva sobre o outro é educar-se pela régua da generosidade, o que resulta em saúde e bem-estar para nós mesmos. Já reparou como pessoas indispostas têm o hábito de criticar com rapidez, constância e facilidade? É um hábito e, como tal, também é possível revertê-lo com a devida prática.
E se, para cada sentença negativa sobre alguém, encontrarmos um aspecto a ser elogiado? Não precisa ser sempre em voz alta. O discurso interno bem direcionado é capaz de reprogramar nosso cérebro e, em sequência, nossos sentimentos e atitudes. (...)
Assim tem procedido uma amiga brasileira que recém ingressou no curso de História, em uma universidade lisboeta. Ela me relatou que, se antes, respondia a todo e qualquer comentário de forma impulsiva, agora tem elaborado melhor as falas e discernido quando vale a pena ser mais incisiva. Aprendizado que veio após alguns anos de cansaço e motivado pelas novas interações estudantis.
Há situações em que é preciso ser firme e defender seus direitos. Entretanto, minha amiga vem buscando ponderar o que ouve e o que replica, escolhendo com sabedoria suas pelejas. Quando percebe que não é o momento de insistir, resguarda-se para um futuro colóquio. Com isso, descobriu que ganhou paz de espírito, diminuiu a ansiedade e aumentou a empatia.
Quem sabe se, de tanto chamarmos o melhor dos outros, como sugeriu meu colega escritor, atenda já na primeira tentativa o melhor de nós também.
FONTENELE, Cristina. O melhor das pessoas. DN Brasil. Disponível em <https://dnbrasil.dn.pt/crnica-o-melhor-das-pessoas>.
Leia o texto a seguir para responder a questão.
É correto afirmar que o texto “O melhor das pessoas” é predominantemente:
Adissertativo, com um tom bastante reflexivo a respeito do comportamento de pessoas.
Bdissertativo, com o objetivo de defender a ideia de que as pessoas são incapazes de mudar.
Cnarrativo, com o objetivo de apresentar as aventuras de uma estudante de História em Lisboa.
Dnarrativo, com um tom muito pessimista sobre o fim da humanidade causado pelas pessoas boas.
Edescritivo, diferenciando as pessoas boas e más a partir das suas características físicas.
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GabaritoA — dissertativo, com um tom bastante reflexivo a respeito do comportamento de pessoas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra A. O texto “O melhor das pessoas” é predominantemente dissertativo, pois apresenta uma tese (a importância de “chamar o melhor das pessoas”) e a desenvolve com argumentos e um tom reflexivo, como se vê no trecho: “cultivar uma noção positiva sobre o outro é educar-se pela régua da generosidade, o que resulta em saúde e bem-estar para nós mesmos”. A alternativa A é a única que capta essa natureza argumentativa e o tom reflexivo.
O Comando: Identificar a Tipologia Predominante
A questão pede que se identifique o tipo textual predominante no texto. Isso significa que devemos observar a intenção comunicativa do autor, e não apenas a presença de elementos isolados (como um relato ou uma descrição). O conteúdo predomina sobre a forma: se o autor quer convencer o leitor de uma ideia, o texto é dissertativo-argumentativo, mesmo que contenha passagens narrativas ou descritivas.
O Texto: Tese, Argumentos e Tom Reflexivo
O texto abre com uma frase de efeito: “A gente precisa chamar o melhor das pessoas”. Essa é a tese central. Em seguida, o autor desenvolve argumentos para sustentá-la:
Argumento 1: “cultivar uma noção positiva sobre o outro é educar-se pela régua da generosidade, o que resulta em saúde e bem-estar para nós mesmos” — defende que a compaixão traz benefícios a quem a pratica.
Argumento 2: o exemplo da amiga que “ingressou no curso de História” e que, ao mudar sua postura, “descobriu que ganhou paz de espírito, diminuiu a ansiedade e aumentou a empatia” — ilustra a tese com um caso concreto.
Conclusão: “Quem sabe se, de tanto chamarmos o melhor dos outros, como sugeriu meu colega escritor, atenda já na primeira tentativa o melhor de nós também” — retoma a tese e a projeta para o leitor.
O tom é reflexivo, pois o autor convida à introspecção (“Já reparou como pessoas indispostas têm o hábito de criticar com rapidez, constância e facilidade?”) e propõe uma mudança de comportamento (“E se, para cada sentença negativa sobre alguém, encontrarmos um aspecto a ser elogiado?”).
A Técnica: Como Distinguir os Tipos Textuais
A tipologia textual se define pela intenção predominante do autor, não pela presença de certas marcas linguísticas. Veja o quadro:
Tipo
Intenção
Marcas típicas
Exemplo no texto
Dissertativo-argumentativo
Convencer, defender uma tese
Tese, argumentos, conectivos, tom opinativo
“cultivar uma noção positiva sobre o outro é educar-se pela régua da generosidade”
Narrativo
Contar uma história
Personagens, enredo, tempo, espaço, verbos no pretérito
O relato da amiga (mas é apenas um exemplo, não o fio condutor)
Descritivo
Caracterizar, pormenorizar
Adjetivos, verbos de estado, ausência de progressão temporal
Não há descrição estática; os adjetivos são usados para qualificar ideias, não para retratar cenas
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a presença do relato da amiga (que poderia sugerir narração) e de adjetivos (que poderiam sugerir descrição), mas o predomínio é dissertativo-argumentativo: o relato é um argumento de autoridade/exemplo, e os adjetivos servem à argumentação, não à caracterização.
Análise das Alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que o texto é dissertativo, com um tom bastante reflexivo a respeito do comportamento de pessoas. Isso está inteiramente sustentado no texto: o autor defende a tese de que devemos “chamar o melhor das pessoas” e reflete sobre como isso melhora a vida de quem pratica. O trecho “cultivar uma noção positiva sobre o outro é educar-se pela régua da generosidade, o que resulta em saúde e bem-estar para nós mesmos” é a tese central, e o texto todo a desenvolve com argumentos e exemplos. O tom reflexivo é evidente em perguntas como “Já reparou como pessoas indispostas têm o hábito de criticar com rapidez, constância e facilidade?” e na proposta “E se, para cada sentença negativa sobre alguém, encontrarmos um aspecto a ser elogiado?”. Portanto, a alternativa A é a única que capta a natureza dissertativa e o tom reflexivo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que o texto defende a ideia de que as pessoas são incapazes de mudar. Isso contradiz o texto: o autor afirma que o hábito de criticar “é um hábito e, como tal, também é possível revertê-lo com a devida prática”, e o exemplo da amiga mostra uma mudança real de comportamento (“se antes, respondia a todo e qualquer comentário de forma impulsiva, agora tem elaborado melhor as falas”). O texto defende exatamente o contrário: as pessoas podem mudar. A alternativa B contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o texto é narrativo, com o objetivo de apresentar as aventuras de uma estudante de História em Lisboa. Embora haja um relato sobre a amiga, ele é apenas um exemplo usado para ilustrar a tese, não o objetivo principal do texto. O texto não narra “aventuras”, mas sim uma reflexão sobre comportamento. A alternativa C extrapola o teor do texto, transformando um exemplo em foco narrativo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que o texto é narrativo, com um tom muito pessimista sobre o fim da humanidade causado pelas pessoas boas. Isso é um absurdo em relação ao texto: o tom é otimista e esperançoso, como se vê na conclusão “Quem sabe se, de tanto chamarmos o melhor dos outros, atenda já na primeira tentativa o melhor de nós também”. Não há qualquer menção a “fim da humanidade” ou a um tom pessimista. A alternativa D contradiz o texto e extrapola completamente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que o texto é descritivo, diferenciando as pessoas boas e más a partir das suas características físicas. O texto não descreve características físicas de ninguém; ele discute comportamentos e atitudes. A descrição não é o tipo predominante, pois não há uma caracterização estática de pessoas ou objetos. A alternativa E tangencia o tema, pois fala de descrição, mas o texto é dissertativo.
Conclusão
A questão exige identificar o tipo textual predominante, que se define pela intenção do autor. O texto “O melhor das pessoas” é dissertativo-argumentativo porque apresenta uma tese e a defende com argumentos, em tom reflexivo. As demais alternativas ou contradizem o texto (B, D), ou extrapolam (C), ou tangenciam (E). Portanto, a resposta correta é a letra A.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar a tipologia predominante, pergunte: “Qual é a intenção principal do autor?” Se ele quer convencer o leitor de uma ideia, é dissertativo-argumentativo, mesmo que use exemplos ou descrições como recursos. Não se deixe enganar por elementos isolados.