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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa391181
Banca
Quadrix
Órgão
COREN AC
Ano
2026
Cargo
Ass Com ( )

Os medicamentos desempenham um papel essencial na preservação da vida, na promoção da saúde e na garantia de dignidade à população. No entanto, no Brasil, o acesso a esses bens fundamentais é dificultado por um fator estrutural grave: o elevado preço dos remédios, que está entre os mais altos do mundo. Embora os diversos agentes do setor farmacêutico apontem a alta carga tributária como principal responsável por essa realidade, é inegável que o maior prejudicado é o consumidor final, que acaba arcando com praticamente todos os impostos embutidos ao longo da cadeia produtiva e de comercialização.


Diferentemente do que ocorre em muitos países desenvolvidos, no Brasil, os gastos com medicamentos não são amplamente reembolsados pelo Estado nem pelos planos de saúde. Assim, o cidadão, especialmente aquele de menor renda ou portador de doenças crônicas, precisa comprometer uma parcela significativa de seu orçamento para adquirir remédios indispensáveis. A situação torna‑se ainda mais alarmante quando se observa que cerca de 33,9% do preço final dos medicamentos corresponde a tributos, conforme estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. Trata‑se de um percentual extremamente elevado para um produto cuja essencialidade é indiscutível.


Essa política tributária revela uma contradição evidente quando comparada à taxação de outros produtos. Enquanto medicamentos são onerados pesadamente, itens supérfluos ou até prejudiciais à saúde, como o sal de cozinha ou os artigos de joalheria, recebem uma carga tributária menor. Tal incoerência demonstra que o princípio constitucional da essencialidade não vemsendo devidamente respeitado pelas autoridades fiscais brasileiras.


A decisão de tributar consideravelmente os medicamentos não é apenas econômica, mas sobretudo política e social. Países que adotaram alíquota zero ou reduzida para esses produtos, como Canadá, México e Reino Unido, compreenderam que facilitar o acesso aos remédios contribui para a prevenção de doenças, a redução de internações, a melhora da qualidade de vida e o aumento da produtividade da população. Além disso, a redução dos custos com a saúde pública acaba beneficiando o próprio Estado.


Assim, repensar a carga tributária incidente sobre os medicamentos, no País, é medida urgente e necessária. Reduzir impostos sobre bens essenciais não deve ser visto como perda de arrecadação, mas como investimento em saúde pública, justiça social e desenvolvimento econômico. Sem essa mudança de perspectiva, o acesso aos medicamentos continuará sendo um privilégio para poucos, quando, na verdade, deveria ser um direito garantido a todos.


Internet: <ictq.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

No que se refere às ideias do texto, julgue o item a seguir.

 

Infere‑se do texto que, no Brasil, a elevada carga tributária sobre os medicamentos decorre exclusivamente da incidência de impostos estaduais, responsáveis pelo encarecimento desses produtos.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre a carga tributária dos medicamentos

Gabarito: E (Errado). A afirmativa de que a elevada carga tributária sobre medicamentos decorre exclusivamente de impostos estaduais é uma extrapolação: o texto fala em "alta carga tributária" e "tributos" de forma genérica, sem especificar a esfera (federal, estadual ou municipal) — e a palavra "exclusivamente" restringe indevidamente o alcance do que o autor afirma. Como se lê no 1º parágrafo, o texto menciona apenas que "o elevado preço dos remédios" se deve, segundo os agentes do setor, à "alta carga tributária", e no 2º parágrafo cita que "cerca de 33,9% do preço final dos medicamentos corresponde a tributos" — nunca dizendo que são só estaduais.

O comando: "Infere-se" pede dedução com pista, não invenção

O verbo "infere-se" indica que a resposta não está literal, mas deve ser uma dedução ancorada em pistas do texto. A armadilha aqui é dupla: (1) a banca usa "infere-se" para tentar legitimar uma conclusão que não tem pista; (2) a alternativa embute a palavra "exclusivamente", que é um quantificador absoluto — e absolutos quase sempre restringem indevidamente o que o texto disse. A técnica: ao ver "exclusivamente", "somente", "apenas", "sempre", pergunte: o texto autoriza essa totalidade? Se não, é extrapolação.

O texto: o que o autor realmente afirma

O texto sustenta que os medicamentos são caros no Brasil e que a alta carga tributária é apontada como principal responsável — mas não discrimina se os tributos são estaduais, federais ou municipais. Veja os trechos decisivos:

"Embora os diversos agentes do setor farmacêutico apontem a alta carga tributária como principal responsável por essa realidade..."

"cerca de 33,9% do preço final dos medicamentos corresponde a tributos"

Nenhuma passagem menciona "impostos estaduais", "ICMS" ou qualquer esfera específica. O texto fala em "tributos" e "carga tributária" de forma genérica. Portanto, a afirmativa acrescenta informação que não está no texto — exatamente o erro de extrapolação.

A técnica que decide: teste do quantificador absoluto

A palavra "exclusivamente" é o termo que derruba a alternativa. Ela transforma uma afirmação possível ("a carga tributária contribui para o preço alto") em uma afirmação totalizante ("só os impostos estaduais causam isso"). O texto não diz isso — e, mais, o próprio texto sugere que há outros fatores além de tributos, pois fala em "elevado preço" como um problema "estrutural" e menciona que o consumidor "arca com praticamente todos os impostos embutidos ao longo da cadeia produtiva e de comercialização" — o que indica uma cadeia complexa, não uma causa única.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora usar "infere-se" para fazer você aceitar uma extrapolação — uma conclusão que parece lógica, mas que o texto não sustenta. Aqui, o veneno está em "exclusivamente" e em "impostos estaduais": o texto fala de tributos em geral, não de uma esfera específica.

Por que a afirmativa está errada

  • Contradiz o texto? Não exatamente — o texto não diz que NÃO são estaduais. Mas a afirmativa vai além do que o texto afirma, o que é igualmente errado em interpretação.

  • Extrapola? Sim. O texto não especifica a esfera tributária; a alternativa inventa um detalhe ("estaduais") e ainda o torna exclusivo.

  • Restringe? Sim. A palavra "exclusivamente" restringe a causa a um único tipo de imposto, quando o texto fala de "tributos" de forma ampla.

Conclusão

A afirmativa é ERRADA porque extrapola o texto: atribui à carga tributária uma característica (exclusividade de impostos estaduais) que o autor não menciona. Em questões de inferência, a regra de ouro é: a dedução precisa ser obrigatória a partir das pistas — se você precisa acrescentar algo de fora, é extrapolação, não inferência.

Gabarito: E (Errado).

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