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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa391812
Banca
Quadrix
Órgão
CRF PR
Ano
2026
Cargo
Ana ( )

O conhecimento geral sobre medicamentos é importante para a saúde pública, a prática clínica e a promoção da segurança do paciente.

 

Frequentemente referido na literatura da área como alfabetização medicamentosa (medication literacy), esse conhecimento transcende a simples identificação de nomes farmacêuticos: envolve a capacidade de entender, interpretar, avaliar e aplicar corretamente informações referentes a medicamentos em contextos reais de uso, incluindo habilidades funcionais (como ler rótulos e bulas), comunicativas e críticas (como avaliar fontes de informação) e competências numéricas (para calcular dosagens ou horários).

 

Evidências científicas mostram que baixos níveis de literacia em medicamentos estão associados a resultados de saúde piores e a desfechos clínicos negativos, já que grande parte de pacientes desconhece os nomes genéricos ou a finalidade de seus medicamentos.

 

Indivíduos com pouco conhecimento sobre seus tratamentos tendem a apresentar adesão terapêutica reduzida, maior risco de eventos adversos e menor controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e outras comorbidades comuns em populações envelhecidas. Esses efeitos negativos se dão porque o entendimento inadequado do regime medicamentoso compromete a capacidade de seguir orientações terapêuticas corretamente e de reconhecer sinais de alerta de complicações.

 

Quando os pacientes compreendem por que um medicamento foi prescrito, qual sua função e quais são os possíveis efeitos colaterais, eles adquirem maior autonomia e podem participar, de forma mais ativa, nas decisões de cuidado, dialogar com profissionais de saúde e evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento.

 

A formação de médicos, farmacêuticos, enfermeiros e demais profissionais inclui, cada vez mais, competências relacionadas à adesão medicamentosa e comunicação efetiva acerca de tratamentos, uma vez que esses conhecimentos impactam diretamente a prática clínica e a promoção do uso racional de medicamentos.

 

Nesse sentido, a presença de farmacêuticos e programas educativos nas unidades de saúde é uma estratégia comprovada para elevar o conhecimento medicamentoso da população, proporcionando não apenas informações precisas sobre medicamentos genéricos e prescritos, mas também orientações relativas ao uso racional e à prevenção de problemas como resistência antimicrobiana e interações medicamentosas.

 

Em suma, o conhecimento sobre medicamentos é um componente essencial da saúde contemporânea, sustentado por evidências científicas que demonstram sua relação com melhores desfechos clínicos, maior segurança terapêutica e maior participação dos pacientes na gestão de sua própria saúde.

 

Internet: <rsdjournal.org> (com adaptações).

Texto para o item.     A respeito das ideias do texto, julgue o item a seguir.   Deduz‑se do texto que a automedicação é considerada uma prática segura quando o indivíduo apresenta elevada alfabetização medicamentosa.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dedução sobre automedicação e alfabetização medicamentosa

Gabarito: E (Errado). A afirmativa de que "a automedicação é considerada uma prática segura quando o indivíduo apresenta elevada alfabetização medicamentosa" não pode ser deduzida do texto; pelo contrário, o texto a contradiz ao listar a automedicação entre as "práticas de risco" que o conhecimento medicamentoso ajuda a evitar. A passagem que ancora essa conclusão está no 5º parágrafo, quando o autor afirma que pacientes com compreensão adequada podem "evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento".

O comando da questão pede uma inferência ("Deduz-se do texto"), ou seja, uma conclusão que o texto obrigue o leitor a tirar a partir de pistas nele contidas. Não basta que a ideia "soe plausível" no mundo real — é preciso que o texto a sustente. No caso, a dedução proposta extrapola o que está escrito e, mais grave, inverte o sentido do texto: em nenhum momento o autor afirma que a alfabetização medicamentosa torna a automedicação segura; ao contrário, ele a trata como um comportamento a ser evitado mesmo entre pessoas com maior conhecimento.

O texto desenvolve uma tese clara: o conhecimento sobre medicamentos (alfabetização medicamentosa) é benéfico porque permite ao paciente "participar, de forma mais ativa, nas decisões de cuidado, dialogar com profissionais de saúde e evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento". A automedicação é, portanto, apresentada como uma prática de risco — e não como algo que se torna seguro quando o paciente tem mais conhecimento. A relação entre alfabetização e automedicação é de prevenção, não de autorização.

A técnica para resolver esta questão é testar cada alternativa perguntando: "o texto autoriza esta conclusão, ou ela exige acrescentar algo de fora?". A afirmativa do item acrescenta uma ideia que não está no texto — a de que a alfabetização medicamentosa "seguriza" a automedicação — e, ao fazê-lo, contradiz a classificação explícita da automedicação como prática de risco. Inferência legítima se ancora em pressupostos do texto; extrapolação é deduzir além das pistas. Aqui, a dedução vai contra as pistas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que "conhecimento" = "pode se automedicar com segurança". O texto diz exatamente o oposto: a alfabetização medicamentosa serve para evitar a automedicação, que é listada como prática de risco. A armadilha é a extrapolação com inversão de sentido — pega um termo do texto (alfabetização medicamentosa) e o conecta a uma conclusão que o texto não sustenta.

Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada porque o texto não autoriza a dedução proposta e, na verdade, a contradiz. Vejamos a passagem decisiva:

"Quando os pacientes compreendem por que um medicamento foi prescrito, qual sua função e quais são os possíveis efeitos colaterais, eles adquirem maior autonomia e podem participar, de forma mais ativa, nas decisões de cuidado, dialogar com profissionais de saúde e evitar práticas de risco, como automedicação ou descontinuação irregular de tratamento."

O trecho é claro: a automedicação é explicitamente classificada como "prática de risco". O texto afirma que o conhecimento medicamentoso permite ao paciente evitar essa prática — e não que a torna segura. A relação entre alfabetização medicamentosa e automedicação é de prevenção: quem entende os medicamentos evita se automedicar. A afirmativa inverte essa relação ao sugerir que a alfabetização autoriza a automedicação.

Além disso, a conclusão do texto reforça o mesmo sentido:

"Em suma, o conhecimento sobre medicamentos é um componente essencial da saúde contemporânea, sustentado por evidências científicas que demonstram sua relação com melhores desfechos clínicos, maior segurança terapêutica e maior participação dos pacientes na gestão de sua própria saúde."

A "segurança terapêutica" mencionada na conclusão está ligada ao uso racional e à prevenção de riscos — não à automedicação. O texto nunca afirma que a automedicação é segura em qualquer circunstância, nem mesmo para quem tem elevada alfabetização medicamentosa.

Erro cometido pela afirmativa: extrapolação com contradição — acrescenta uma ideia que não está no texto (automedicação segura para quem tem conhecimento) e, ao fazê-lo, contradiz a classificação explícita da automedicação como prática de risco. A inferência legítima exigiria uma pista no texto que apontasse nessa direção; não há nenhuma.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, desconfie de afirmações que "soam bem" ou parecem "lógicas" no mundo real. Pergunte sempre: onde no texto está a pista que me obriga a concluir isso? Se a conclusão vai contra uma afirmação explícita do texto (como "automedicação é prática de risco"), a alternativa está errada — mesmo que pareça razoável.

Conclusão: a afirmativa está errada porque o texto classifica a automedicação como "prática de risco" e afirma que o conhecimento medicamentoso serve para evitá-la — não para torná-la segura. A dedução proposta extrapola o texto e o contradiz. Gabarito: E (Errado).

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