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Questão de Português — Conjunção — Quadrix 2026

PortuguêsConjunção
Código
qa391944
Banca
Quadrix
Órgão
CRMV RN
Ano
2026
Cargo
Ag Adm ( )
Homens e animais compartilham um longo relacionamento. Os animais tiveram um grande papel na vida dos seres humanos, tornando-se parte integrante de nossa sobrevivência, nossa história e nossa própria identidade. Ana Lucia Camphora, professora de direito animal, explica que a presença do animal doméstico como ser integrante da vida familiar não é uma novidade nem uma marca da sociedade contemporânea.   Os animais domesticados, em comparação com os animais selvagens, sofreram inúmeras mudanças no comportamento, na fisiologia e na morfologia. Isso explicaria por que os cães domésticos de hoje são muito diferentes de seu ancestral, o lobo-cinzento. Essas mudanças incluem, além de maior docilidade, alterações genéticas no tamanho, na cor e nas características faciais.   Recentemente, um estudo realizado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que essas alterações podem ter sido bastante profundas. Em uma análise baseada em ressonância magnética, a neurocientista Erin Hecht demonstrou que a convivência com humanos alterou a estrutura cerebral dos cães. Sabe-se que as raças variam em cognição, temperamento e comportamento, mas as origens neurais dessa variação são desconhecidas. Os resultados da pesquisa apontaram que, através da criação seletiva, os seres humanos alteraram significativamente os cérebros de diferentes linhagens de cães domésticos, de diversas maneiras.   Essa, no entanto, é uma via de mão dupla. A convivência com os animais também mudou os seres humanos. Talvez o exemplo mais popular seja o de consumo de leite: antes da domesticação animal, as pessoas naturalmente desenvolviam intolerância à lactose à medida que cresciam e não precisavam mais do leite materno. Quando os seres humanos começaram a criar gado e começaram a beber mais leite, houve uma alteração no sistema digestivo para se adaptar ao leite de vaca.   De acordo com Pat Shipman, paleoantropóloga da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a domesticação contribuiu, ainda, para que o homem desenvolvesse ferramentas e até mesmo a linguagem. “A conexão com os animais percorre toda a história humana e conecta os outros grandes saltos evolutivos, incluindo ferramentas de pedra, linguagem e domesticação. É muito profunda e muito antiga”, afirma a pesquisadora.   Internet: <cienciaecultura.bvs.br> (com adaptações).   A respeito da estruturação linguística e do vocabulário empregados no texto, julgue o item seguinte.   Na oração “Essa, no entanto, é uma via de mão dupla.”, a locução “no entanto” expressa ideia de adversidade.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico de "no entanto"

Gabarito: CERTO. A locução "no entanto" expressa, sim, ideia de adversidade (oposição), como se lê no trecho: "Essa, no entanto, é uma via de mão dupla." — ela contrapõe a ideia anterior (de que os humanos alteraram os cães) à nova ideia (de que os animais também mudaram os humanos). A banca cobra o reconhecimento do valor semântico de um conectivo, e a afirmação está correta.

O comando

A questão pede um julgamento sobre a estruturação linguística e o vocabulário do texto, especificamente sobre o valor semântico da locução "no entanto" na oração destacada. Trata-se de uma questão de gramática aplicada ao texto: não se pergunta o que o texto diz, mas o sentido que o conectivo estabelece entre as ideias. O verbo "expressa" indica que devemos identificar a relação lógica que a locução instaura.

O texto e o movimento argumentativo

No 4º parágrafo, o autor afirma que a convivência com humanos alterou o cérebro dos cães (via de mão única). Em seguida, introduz: "Essa, no entanto, é uma via de mão dupla." O "no entanto" sinaliza uma quebra de expectativa: o leitor esperava que a influência fosse só dos humanos sobre os animais, mas o autor anuncia que também houve o caminho inverso (os animais mudaram os humanos). Essa é a função clássica das conjunções adversativas: contrapor ideias.

A regra: conjunções coordenativas adversativas

As conjunções coordenativas adversativas ligam orações ou períodos estabelecendo oposição, contraste ou ressalva. As principais são: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante. Elas pertencem à classe das conjunções coordenativas, pois ligam orações sintaticamente independentes, mas semanticamente opostas.

No trecho, "no entanto" poderia ser substituída por "mas" ou "porém" sem alteração de sentido:

"Essa, mas é uma via de mão dupla."

Essa substituição comprova o valor adversativo. Se fosse uma conjunção conclusiva ("portanto", "logo"), a ideia seria de consequência; se fosse explicativa ("pois", "porque"), de justificativa. Nenhuma dessas relações cabe no contexto.

1Adversativas
mas, porém, contudo
todavia, entretanto
no entanto, não obstante
ideia: oposição/contraste
2Conclusivas
logo, portanto, por isso
ideia: consequência
3Explicativas
pois, porque
ideia: justificativa
Conjunções coordenativas
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Conjunções coordenativas: Adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, ideia: oposição/contraste); Conclusivas (logo, portanto, por isso, ideia: consequência); Explicativas (pois, porque, ideia: justificativa)

Análise da assertiva

A assertiva afirma: "Na oração 'Essa, no entanto, é uma via de mão dupla.', a locução 'no entanto' expressa ideia de adversidade." Isso está correto. O texto anterior diz que os humanos alteraram os cães; o "no entanto" introduz a ressalva de que a relação é recíproca. A oposição é clara: de um lado, a influência humana sobre os animais; de outro, a influência dos animais sobre os humanos.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o valor de um conectivo, pergunte: "que relação ele estabelece entre as ideias?" Se houver contraste/oposição, é adversativo. Teste a substituição por "mas" — se fizer sentido, é adversativo.

Conclusão: A locução "no entanto" é uma conjunção coordenativa adversativa, e a afirmação está correta. Gabarito: CERTO.

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