As cerejeiras podem “respirar”? A ciência explica como isso é possível
Por Nalini M. Nadkarni
A beleza das cerejeiras impressiona. Mas, além de observar sua floração e visitar os festivais que ocorrem em vários lugares do mundo, especialmente no Japão e na China, é possível conhecer melhor essas árvores e entender sua fisiologia. ___ séculos, elas despertam o interesse de estudiosos e admiradores.
Ao entrar em um carro que ficou o dia todo sob o sol, a primeira reação costuma ser abrir as janelas para permitir a circulação de ar. Da mesma forma, as árvores também precisam de “janelas” em seus troncos e galhos para permitir a circulação de ar.
As folhas têm pequenos orifícios em suas superfícies — chamados estômatos, ou “pequenas bocas” — que se abrem e fecham para permitir que as folhas absorvam dióxido de carbono e liberem oxigênio para a fotossíntese.
Porém, não só as folhas fazem esse processo… As árvores também respiram, assim como nós, absorvendo oxigênio e liberando dióxido de carbono. E a respiração ocorre nas células de todos os tecidos vivos das árvores, não apenas nas folhas. Como essa troca pode ocorrer em partes das árvores que não são folhas, como troncos e galhos, tecidos que não possuem estômatos? É um enigma, pois a casca da árvore é a primeira linha de defesa. Ela age como uma camada impermeável que impede que insetos e doenças cheguem ___ estruturas internas da árvore.
Pense no tronco de uma cerejeira, com suas linhas estreitas gravadas na casca. Essas linhas — chamadas lenticelas, ou ainda “pequenas janelas” — são, na verdade, portais na casca que permitem que a árvore respire. Essas fendas em forma de lente na casca permitem a passagem de gases entre as células vivas no interior e o ar externo, fazendo com que as cerejeiras consigam “respirar” também por seu tronco.
Os botânicos também usam o formato das lenticelas para identificar árvores. Algumas árvores, como a cerejeira e a bétula, têm lenticelas bem proeminentes, mas a maioria é invisível a olho nu. Mesmo que você não consiga vê-las, elas estão lá, ajudando as árvores ___ sobreviverem até mesmo nos dias mais quentes.
(Disponível em: www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2026/02/as-cerejeiras-podem-respirar-a-ciencia-explica-como-isso-e-possivel – texto adaptado especialmente para esta prova).
Com base na regência verbal e nas regras de uso do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas nas linhas, do texto.
AHá – às – a
BHá – as – a
CA – às – à
DÀ – as – à
EA – as – à
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GabaritoA — Há – às – a
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Crase e regência: preenchendo as lacunas do texto
Gabarito: letra A. A sequência correta é Há – às – a, pois a primeira lacuna exige o verbo "haver" no sentido de tempo decorrido (impessoal), a segunda exige crase pela fusão da preposição "a" (exigida por "chegar") com o artigo feminino "as" (que determina "estruturas internas"), e a terceira é apenas a preposição "a" exigida pelo verbo "ajudar" antes de verbo no infinitivo, sem artigo, portanto sem crase. Como se lê no texto: "___ séculos, elas despertam o interesse" e "impede que insetos e doenças cheguem ___ estruturas internas da árvore" e "ajudando as árvores ___ sobreviverem".
O comando
A questão pede que você preencha as lacunas com base em regência verbal e crase. Isso significa que a resposta não depende apenas de decorar regras isoladas: é preciso analisar, em cada lacuna, o verbo que rege o termo seguinte e verificar se há fusão da preposição "a" com um artigo feminino ou pronome. O comando "correta e respectivamente" indica que a ordem das lacunas no texto deve ser seguida exatamente como nas alternativas.
O texto e a técnica
O texto fala sobre a fisiologia das cerejeiras, explicando como elas "respiram" pelas lenticelas. As lacunas estão em trechos que exigem análise de regência e crase. A técnica central é: para saber se há crase, verifique se o termo regido admite artigo feminino e se o verbo exige a preposição "a". Se houver os dois, há crase; se faltar um, não há.
A regra que decide
Primeira lacuna: "___ séculos, elas despertam o interesse de estudiosos". Aqui, o sentido é de tempo decorrido ("há séculos"). O verbo "haver" no sentido de tempo é impessoal e invariável, e não se usa crase antes dele. Portanto, a forma correta é Há.
Segunda lacuna: "impede que insetos e doenças cheguem ___ estruturas internas da árvore". O verbo "chegar" rege a preposição "a" (quem chega, chega a algum lugar). O termo "estruturas internas" é feminino plural e admite o artigo "as". Há, portanto, a fusão: preposição a + artigo as = às. A crase é obrigatória.
Terceira lacuna: "ajudando as árvores ___ sobreviverem". O verbo "ajudar" é transitivo direto (quem ajuda, ajuda alguém), não exige preposição. O termo seguinte é um verbo no infinitivo ("sobreviverem"), e não há crase antes de verbo. Portanto, a forma correta é apenas a preposição a (que, neste caso, é uma preposição que introduz uma oração reduzida de infinitivo, mas sem artigo, logo sem crase).
1Verbo exige preposição a?
2Termo admite artigo a/as?
3Sim + sim = crase
4Faltou um = sem crase
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sequência Há – às – a preenche corretamente as lacunas: "Há séculos" (verbo haver com sentido de tempo), "cheguem às estruturas internas" (preposição a + artigo as = crase) e "ajudando as árvores a sobreviverem" (preposição a antes de verbo, sem crase). É a única alternativa que respeita as três regras simultaneamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A sequência Há – as – a erra na segunda lacuna: "cheguem as estruturas" está incorreto, pois o verbo "chegar" exige a preposição "a". Sem a preposição, a regência verbal é violada. O erro é de regência (omissão da preposição exigida).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A sequência A – às – à erra na primeira e na terceira lacuna. Na primeira, "A séculos" está incorreto: o sentido de tempo decorrido exige o verbo "haver" (Há), não a preposição "a". Na terceira, "sobreviverem à" está incorreto, pois não há crase antes de verbo. O erro é de troca de vocábulo (usar preposição onde cabe verbo) e de crase indevida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A sequência À – as – à erra na primeira e na terceira lacuna. "À séculos" está incorreto (não há crase antes de palavra masculina "séculos" e o sentido exige o verbo haver). "Sobreviverem à" também está incorreto (crase antes de verbo). O erro é de crase indevida em dois pontos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A sequência A – as – à erra na primeira e na segunda lacuna. "A séculos" está incorreto (deveria ser "Há"). "Cheguem as estruturas" está incorreto (falta a preposição exigida por "chegar"). O erro é de troca de vocábulo e regência.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o verbo "haver" (tempo decorrido) e a preposição "a", e entre a crase obrigatória (preposição + artigo) e a crase proibida antes de verbo. A alternativa C e E tentam seduzir com "à" na terceira lacuna, mas "sobreviver" é verbo — nunca há crase antes de verbo.
PEGA ESSA DICA!
Para cada lacuna, faça duas perguntas: 1) o verbo exige a preposição "a"? 2) o termo seguinte admite artigo feminino "a/as"? Se as duas respostas forem "sim", há crase. Se uma delas for "não", não há. Na terceira lacuna, "sobreviverem" é verbo — a resposta à segunda pergunta é "não", logo sem crase.
Gabarito: letra A. A regra de ouro: crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a/as" ou com o "a" de pronomes demonstrativos/relativos. Antes de verbo, nunca há crase. E o verbo "haver" com sentido de tempo é impessoal e invariável, escrito com "h" e sem acento.