Na charge acima, a mudança de “deve” para “devia”, no último quadrinho, sugere que a ação de “ter um bom fundamento”:
Aacontece sempre, em toda ocasião.
Bacontece com as opiniões.
Cacontece com as árvores.
Dacontece com as casas.
Enão acontece de fato.
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GabaritoE — não acontece de fato.
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A mudança de “deve” para “devia” na charge
Gabarito: letra E. A troca do presente “deve” pelo pretérito imperfeito “devia” indica que a ação de “ter um bom fundamento” não acontece de fato — ou seja, é uma possibilidade irreal, algo que seria desejável, mas não se concretiza. A pista está no próprio tempo verbal: o pretérito imperfeito, nesse contexto, expressa uma condição hipotética ou contrafactual, e não uma obrigação real.
O comando
A questão pede que você interprete o efeito de sentido da mudança de tempo verbal. Não é uma pergunta de gramática pura (como conjugar o verbo), mas de semântica: o que o autor quis sugerir ao trocar “deve” por “devia”? Perceba que o enunciado usa o verbo “sugere” — isso indica que a resposta não está literal, mas é uma inferência ancorada no texto (a charge).
O texto e a tese
Na charge, o personagem afirma que algo “deve ter um bom fundamento” e, no último quadrinho, reformula para “devia ter um bom fundamento”. A mudança não é gratuita: ela sinaliza uma quebra de expectativa. O presente “deve” expressa uma obrigação ou necessidade (algo que se espera que aconteça); o pretérito imperfeito “devia”, por sua vez, pode indicar:
uma obrigação no passado (ex.: “Ele devia estudar mais” = ele tinha o dever, mas talvez não o cumprisse);
uma condição hipotética ou irreal (ex.: “Devia ser rico” = não é rico, mas seria bom se fosse).
No contexto da charge, o segundo sentido prevalece: o personagem reconhece que algo deveria ter um bom fundamento, mas, na prática, não tem. A ironia da charge está justamente nessa constatação: o que seria desejável não se realiza.
A técnica que decide
A chave é o valor modal do pretérito imperfeito. Em português, o imperfeito pode expressar:
fato passado habitual (ex.: “Ele estudava todos os dias”);
cortesia (ex.: “Eu queria um café”);
irrealidade/hipótese (ex.: “Se eu fosse rico, viajaria” — e também “Devia ser rico” = não é).
Na charge, o uso de “devia” no lugar de “deve” desloca a afirmação do campo da obrigação real para o da possibilidade não concretizada. O personagem não diz que algo tem bom fundamento; diz que algo deveria ter, mas implicitamente admite que não tem. Essa é a leitura que a alternativa E captura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o valor temporal do pretérito imperfeito (passado) e seu valor modal (irrealidade/hipótese). O candidato pode achar que “devia” indica obrigação passada, quando, no contexto, indica que a ação não se concretiza.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver “sugere” no enunciado, procure o efeito de sentido que o autor quer produzir, não o sentido literal do verbo. Pergunte: “o que muda se eu trocar o tempo verbal?” — a resposta está na modalização.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Acontece sempre, em toda ocasião” — extrapolação. O texto não afirma que a ação ocorre sempre; pelo contrário, a mudança para “devia” indica que ela não ocorre. A alternativa inverte o sentido e ainda acrescenta a ideia de “sempre”, que não tem apoio na charge.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Acontece com as opiniões” — tangencia o tema. A charge pode tratar de opiniões, mas a questão pergunta especificamente sobre o efeito da mudança de “deve” para “devia”. A alternativa não responde à pergunta; fala de um elemento periférico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Acontece com as árvores” — fuga ao tema. A charge pode ter árvores como elemento visual, mas a questão não pergunta sobre elas. A alternativa ignora o foco da pergunta (o efeito do tempo verbal) e se prende a um detalhe do desenho.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Acontece com as casas” — fuga ao tema. Assim como a C, a alternativa se prende a um elemento visual (casas) que não é o centro da questão. A pergunta é sobre o sentido do verbo, não sobre os objetos representados.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Não acontece de fato” — inferência correta. A mudança de “deve” para “devia” indica que a ação de “ter um bom fundamento” é uma possibilidade irreal, algo que seria desejável, mas não se concretiza. O pretérito imperfeito, nesse contexto, expressa irrealidade, e não obrigação passada. A charge sugere que, na prática, o fundamento não existe.
Conclusão: a questão testa sua capacidade de inferir o efeito de sentido de uma mudança de tempo verbal. A alternativa E é a única que captura a modalização do imperfeito: o que “deveria ser” não é. As demais ou extrapolam, ou tangenciam o tema, ou se prendem a elementos visuais irrelevantes.