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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FURB 2026

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa392372
Banca
FURB
Órgão
FURB
Ano
2026
Cargo
ASA ( )

O Censo do Inep sobre o ensino superior no Brasil e a encruzilhada histórica da juventude diante dos desafios da educação brasileira

 

Dados do Censo 2024 demonstram a necessidade de construirmos um olhar crítico para o atual cenário da educação superior

 

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, segunda-feira (22), os dados do Censo 2024 da Educação Superior no Brasil. Um simples olhar para os resultados aponta para as profundas desigualdades ainda existentes no sistema educacional brasileiro e os desafios colocados no âmbito do debate sobre a educação superior no nosso país.

 

Com mais de 10 milhões de matrículas, as instituições de ensino superior no Brasil ainda seguem refletindo a necessidade de construir uma reforma universitária. As transformações do ensino superior, objetivadas nos dados divulgados pelo Inep, demonstram a persistência do caráter alienante do sistema educacional brasileiro, da concentração das matrículas na rede privada, da necessidade de qualificarmos políticas de inclusão e permanência, sobretudo, na graduação continuada e o abismo entre as universidades e construção de um projeto nacional de desenvolvimento.

 

É certo que a expansão do ensino superior público e as políticas públicas de acesso e permanência no ensino superior implementadas nos ciclos de governos democráticos e progressistas alteraram qualitativamente o perfil das universidades brasileiras — essencialmente, as universidades públicas —, com a democratização das instituições de ensino e uma crescente entrada da juventude da classe trabalhadora brasileira no ensino superior. [...]

 

Alguns dados do Censo 2024 demonstram a necessidade de construirmos um olhar crítico para o atual cenário da educação superior. [...] O crescimento exponencial do ensino à distância [...] é um ponto alarmante. Pela primeira vez na história, a concentração de matrículas no ensino à distância é maior do que as matrículas no ensino presencial, sendo equivalente a 50,75% do número total de matrículas no ensino superior. Mesmo com a conquista do marco regulatório do EAD, que estipula marcadores importantes no sentido de coibir o avanço desenfreado do modelo, principalmente nas instituições presenciais de ensino, os resultados do Censo demonstram que o ensino à distância tem se tornado a principal porta de entrada do ensino superior, ainda que os índices de permanência neste modelo de ensino sejam exíguos diante do número de matrículas. Além dos impactos concretos do crescimento das matrículas no Ensino à Distância (EAD), a dimensão da sociabilidade e a desumanização do ambiente de ensino e aprendizagem também devem nos preocupar, afinal, a vivência universitária é também parte do processo formativo.

 

Por fim, os resultados também expressam as estruturas desiguais da sociedade brasileira. Apenas 21,5% das pessoas entre 18 e 24 anos conseguem acessar o ensino superior, mesmo com a existência de políticas públicas como o FIES, o Prouni e a Lei de Cotas. Quando olhamos para os índices de evasão, o cenário é ainda mais preocupante: do último Censo para o de 2024, a taxa de evasão subiu de 11% para 17%, decorrência de diversos fatores como a ausência de políticas robustas de assistência e permanência estudantil (nas universidades públicas e privadas), a desconexão dos currículos com a realidade das e dos estudantes, as opressões dentro e fora das universidade e, em especial, o acirramento das contradições do mundo do trabalho e da precarização da vida da classe trabalhadora, que expulsa cotidianamente milhares de jovens do ensino superior.

 

Diante deste cenário, temos a tarefa de formular e construir um projeto de educação a serviço da superação dos desafios do ensino superior no Brasil e conectado com as reais necessidades do povo brasileiro, no centro de um projeto de desenvolvimento. Este projeto deve passar, fundamentalmente, pelo fortalecimento e expansão da educação e das universidades públicas, pela luta pelo orçamento da educação pública e das políticas de assistência e permanência estudantil.

 

As contradições do ensino superior são reflexo das contradições da sociedade em que vivemos e, mais uma vez, a juventude brasileira é a mais impactada. Vivemos uma encruzilhada histórica, em que o futuro da juventude brasileira está em disputa; mas para nós, ser jovem é acessar direitos e a educação é um direito fundamental. Por isso, defendemos um projeto popular para educação, com a juventude sendo protagonista das transformações sociais!

 

(Camila Moraes. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2025/09/26/o-censo-do-inep-sobre-o-e nsino-superior-no-brasil-e-a-encruzilhada-historica-da-juventude-diantedos- desafios-da-educacao-brasileira/. Acesso em: 18 mar. 2026. Adaptado.)

O texto seguinte servirá de base para responder a questão a seguir.

   

Leia o excerto a seguir:

 

"É certo que a expansão do ensino superior público e as políticas públicas de acesso e permanência no ensino superior implementadas nos ciclos de governos democráticos e progressistas alteraram qualitativamente o perfil das universidades brasileiras − essencialmente, as universidades públicas −, com a democratização das instituições de ensino e uma crescente entrada da juventude da classe trabalhadora brasileira no ensino superior."

 

A respeito da pontuação nesse excerto, analise as sentenças:

 

I.O travessão duplo foi usado para indicar uma expressão intercalada. Ele poderia ser substituído, nesse contexto, por parênteses, sem comprometer o sentido.

 

II.Em nenhuma situação, independente do contexto, o travessão pode ser substituído por vírgulas.

 

III.Após "progressistas" falta uma vírgula, conferindo mais clareza a um trecho extenso.

 

Está correto o que se afirma em:

  1. AII e III, apenas.
  2. BII, apenas.
  3. CI e III, apenas.
  4. DI, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: Travessão Duplo, Parênteses e Vírgula (FURB/2026)

Gabarito: letra D (I, apenas). A única afirmativa correta é a I: o travessão duplo isola uma expressão intercalada e pode ser substituído por parênteses sem comprometer o sentido. A afirmativa II é falsa porque o travessão pode sim ser substituído por vírgulas em contextos de intercalação. A afirmativa III é falsa porque a vírgula após "progressistas" seria proibida, já que separaria o sujeito composto do verbo. A passagem que ancora a análise é o trecho do excerto: "...implementadas nos ciclos de governos democráticos e progressistas alteraram qualitativamente o perfil das universidades brasileiras − essencialmente, as universidades públicas −, com a democratização...".

O comando pede uma análise metalinguística da pontuação: não se trata de interpretar o conteúdo do texto, mas de julgar afirmações sobre o uso dos sinais no excerto. Para resolver, é preciso (1) identificar a função sintática do trecho isolado pelos travessões e (2) aplicar as regras de substituição entre travessão, parênteses e vírgula. A banca testa exatamente o conhecimento das equivalências entre esses sinais e os casos proibidos de vírgula.

No excerto, o trecho "− essencialmente, as universidades públicas −" é um aposto explicativo (ou expressão intercalada): ele acrescenta uma explicação sobre "as universidades brasileiras" sem ser essencial à estrutura da frase. Por isso, pode ser isolado por travessão, parênteses ou vírgulas, pois todos esses sinais têm a função de isolar termos acessórios. A substituição por parênteses mantém o sentido, como em: "...o perfil das universidades brasileiras (essencialmente, as universidades públicas), com a democratização...". A substituição por vírgulas também seria possível: "...o perfil das universidades brasileiras, essencialmente, as universidades públicas, com a democratização...".

A afirmativa II erra ao afirmar que "em nenhuma situação" o travessão pode ser substituído por vírgulas. Isso é falso: quando o travessão isola um termo intercalado (aposto, oração interferente, adjunto deslocado), a vírgula é plenamente cabível. O travessão só não é substituível por vírgula quando marca mudança de interlocutor no diálogo (discurso direto), mas esse não é o caso do excerto.

A afirmativa III erra ao sugerir que falta uma vírgula após "progressistas". Na verdade, a vírgula ali seria proibida, pois separaria o sujeito composto "a expansão do ensino superior público e as políticas públicas de acesso e permanência no ensino superior implementadas nos ciclos de governos democráticos e progressistas" do verbo "alteraram". A regra é clara: não se separa sujeito de verbo.

Travessão duplo
  • 1Função: isolar termo intercalado
  • 2Substituível por
    • Parênteses
    • Vírgulas
  • 3Não substituível por vírgula
    • Mudança de interlocutor (diálogo)
  • 4Vírgula
    • Proibida entre sujeito e verbo
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Item I — ✅ Correto

O travessão duplo foi usado para isolar uma expressão intercalada — mais especificamente, um aposto explicativo que detalha "as universidades brasileiras". Como se trata de termo acessório, pode ser substituído por parênteses sem alterar o sentido. Veja o trecho:

"...alteraram qualitativamente o perfil das universidades brasileiras − essencialmente, as universidades públicas −, com a democratização..."

A substituição por parênteses fica: "...o perfil das universidades brasileiras (essencialmente, as universidades públicas), com a democratização...". O sentido permanece idêntico, pois ambos os sinais isolam uma informação acessória. Item correto.

Item II — ❌ Incorreto

A afirmativa diz que "em nenhuma situação, independente do contexto, o travessão pode ser substituído por vírgulas". Isso é falso. Quando o travessão isola um termo intercalado (como no excerto), a vírgula é uma alternativa válida. O travessão só não é substituível por vírgula quando marca mudança de locutor no diálogo, mas esse não é o caso. A afirmativa comete uma generalização indevida ao usar o absoluto "em nenhuma situação". Item incorreto.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmativa sugere que "após 'progressistas' falta uma vírgula". Isso é falso e, na verdade, a vírgula seria proibida ali. O trecho "a expansão do ensino superior público e as políticas públicas de acesso e permanência no ensino superior implementadas nos ciclos de governos democráticos e progressistas" forma o sujeito composto da oração, e o verbo é "alteraram". A regra é: não se separa sujeito de verbo. Colocar vírgula após "progressistas" quebraria essa estrutura. Item incorreto.

Conclusão: apenas o item I está correto. Como a banca pediu "está correto o que se afirma em", o gabarito é a letra D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os casos em que o travessão pode ser substituído por vírgulas (intercalação) e os casos em que não pode (diálogo). Além disso, testa se o candidato sabe que a vírgula não pode separar sujeito de verbo.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar pontuação, identifique primeiro a função sintática do trecho isolado. Se for termo acessório (aposto, adjunto, oração interferente), travessão, parênteses e vírgulas são intercambiáveis. Se for sujeito, a vírgula é proibida.

Gabarito: letra D

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