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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa392489
Banca
Quadrix
Órgão
CRBM 6
Ano
2026
Cargo
Adv ( )

Dados genéticos e proteção da privacidade:
biobancos e a aplicação da LGPD


A informação genética ocupa um lugar peculiar no sistema jurídico por seu caráter híbrido. É, ao mesmo tempo, um dado individual, profundamente identitário, e um dado relacional, com implicações para familiares, grupos étnicos e até populações inteiras.


A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) classificou os dados genéticos como sensíveis, sujeitando‑os a um regime mais rigoroso de tratamento. Entretanto, os dispositivos legais revelam‑se insuficientes diante da complexidade das novas práticas envolvendo bancos de dados genômicos, especialmente os biobancos. Esses repositórios, públicos ou privados, armazenam material biológico humano e informações genéticas com fins de pesquisa, diagnóstico ou desenvolvimento tecnológico, e vêm sendo utilizados cada vez mais por empresas farmacêuticas, instituições acadêmicas e corporações internacionais.


A LGPD exige que o consentimento para o tratamento de dados sensíveis seja livre, informado, inequívoco e vinculado a finalidades específicas. No entanto, a prática da pesquisa científica, especialmente em genética, frequentemente demanda o uso futuro e não previsto dos dados. Isso gera impasses jurídicos quanto à validade do consentimento amplo.


Ademais, a promessa de anonimização como instrumento de proteção de dados genéticos revela‑se, em muitos casos, ilusória. Devido à singularidade do genoma, à possibilidade de cruzamento com bancos públicos e ao avanço de ferramentas de reidentificação, a suposta anonimização pode ser revertida, colocando em risco a confidencialidade e a segurança do titular.


O risco de mercantilização da informação genética,sobretudo no setor privado, também deve ser enfrentado com seriedade. O crescimento de empresas que oferecem testes genéticos diretos ao consumidor ilustra uma nova forma de economia de dados, em que a genômica se converte em produto de mercado.


Portanto, mais do que adequar a prática científica aos limites da LGPD, é necessário repensar os próprios fundamentos da regulação da genética humana. O direito à privacidade, a proteção contra a discriminação genética e a defesa do bem comum devem ser os pilares de uma nova abordagem jurídica – mais protetiva, preventiva e participativa. Sem isso, o risco é transformar o avanço biotecnológico em um vetor de exclusão, vigilância e exploração.


Internet: <www.conjur.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Acerca do texto e dos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

 

Na construção “Entretanto, os dispositivos legais revelam‑se insuficientes”, o adjetivo “insuficientes” pode ser substituído, sem alteração do sentido original do texto, pelo seu antônimo suficientes, desde que o conectivo “Entretanto” seja suprimido, mantendo‑se a coerência do parágrafo.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "insuficientes" por "suficientes" e supressão de "Entretanto": inversão de sentido

Gabarito: E (Errado). A proposta de substituir o adjetivo "insuficientes" pelo seu antônimo "suficientes" e suprimir o conectivo "Entretanto" não mantém o sentido original do texto, pois inverte a relação de oposição que o conectivo estabelece. No parágrafo, o autor afirma que a LGPD classificou os dados genéticos como sensíveis, mas que, apesar disso, os dispositivos legais são insuficientes. A troca proposta faria o texto dizer que os dispositivos são suficientes, o que contraria a tese central do parágrafo e do próprio texto, que defende a necessidade de repensar a regulação.

O comando: reescrita sem alteração de sentido

A questão pede que se julgue se a substituição de uma palavra por seu antônimo, acompanhada da supressão de um conectivo, preserva o sentido original. Isso é uma questão de reescritura de frases — o foco está em verificar se a nova redação mantém a mesma informação e a mesma relação lógica entre as ideias. Não se trata de simplesmente trocar uma palavra por outra; é preciso avaliar o efeito de sentido no contexto.

O texto: a oposição é estrutural

No segundo parágrafo, o autor constrói uma relação de contraste entre dois fatos:

"A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) classificou os dados genéticos como sensíveis, sujeitando‑os a um regime mais rigoroso de tratamento. Entretanto, os dispositivos legais revelam‑se insuficientes diante da complexidade das novas práticas envolvendo bancos de dados genômicos, especialmente os biobancos."

O conectivo "Entretanto" sinaliza que, apesar de a LGPD ter criado um regime rigoroso, isso não é suficiente. A oposição é essencial para o argumento: o autor quer mostrar que a lei, embora avançada, não dá conta da realidade. Se trocarmos "insuficientes" por "suficientes" e retirarmos o "Entretanto", a frase passaria a afirmar que os dispositivos legais são suficientes, o que contradiz diretamente a tese do parágrafo e do texto como um todo.

A técnica: antônimo exige inversão do conectivo

Quando se substitui uma palavra por seu antônimo, é necessário inverter também o conectivo que expressa a relação lógica. Veja:

  • Original: "Entretanto, os dispositivos legais revelam-se insuficientes." → ideia de contraste (apesar de a LGPD ser rigorosa, não basta).

  • Se trocarmos por "suficientes", a relação de contraste se perde. Para manter o sentido, seria preciso usar um conectivo que indicasse conclusão ou conformidade, como "Portanto" ou "Assim": "Portanto, os dispositivos legais revelam-se suficientes." — mas isso ainda mudaria o sentido, pois o texto original afirma o contrário.

A supressão do "Entretanto" sem a devida adaptação do conectivo quebra a coerência do parágrafo, pois a oposição que justifica a sequência argumentativa desaparece.

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que a substituição pode ser feita sem alteração do sentido é falsa. O texto original estabelece uma oposição entre a classificação da LGPD e a insuficiência dos dispositivos legais. Trocar "insuficientes" por "suficientes" e suprimir o "Entretanto" inverte o sentido: o texto passaria a dizer que os dispositivos são suficientes, o que contraria a tese do autor. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa de que a substituição não pode ser feita sem alteração de sentido é correta. A troca proposta altera o sentido e quebra a coerência do parágrafo, pois elimina a relação de oposição que o conectivo "Entretanto" estabelece. O texto original afirma que os dispositivos legais são insuficientes; a proposta faria o texto afirmar o contrário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que, ao trocar um adjetivo por seu antônimo, basta suprimir o conectivo de oposição para manter o sentido. Na verdade, a supressão do conectivo inverte a relação lógica, tornando a frase incoerente com o restante do parágrafo.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescritas, pergunte-se: "a nova frase mantém a mesma relação entre as ideias?" Se o conectivo de oposição for suprimido, a relação de contraste desaparece — a menos que outro recurso (como uma conjunção adversativa) seja usado.

Conclusão: a substituição de "insuficientes" por "suficientes" não preserva o sentido, pois inverte a tese do autor. A supressão do "Entretanto" agrava o problema, eliminando a oposição que sustenta o argumento. Portanto, o item está errado.

Gabarito: letra E.

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