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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa392495
Banca
Quadrix
Órgão
CRBM 6
Ano
2026
Cargo
Adv ( )

Dados genéticos e proteção da privacidade:
biobancos e a aplicação da LGPD


A informação genética ocupa um lugar peculiar no sistema jurídico por seu caráter híbrido. É, ao mesmo tempo, um dado individual, profundamente identitário, e um dado relacional, com implicações para familiares, grupos étnicos e até populações inteiras.


A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) classificou os dados genéticos como sensíveis, sujeitando‑os a um regime mais rigoroso de tratamento. Entretanto, os dispositivos legais revelam‑se insuficientes diante da complexidade das novas práticas envolvendo bancos de dados genômicos, especialmente os biobancos. Esses repositórios, públicos ou privados, armazenam material biológico humano e informações genéticas com fins de pesquisa, diagnóstico ou desenvolvimento tecnológico, e vêm sendo utilizados cada vez mais por empresas farmacêuticas, instituições acadêmicas e corporações internacionais.


A LGPD exige que o consentimento para o tratamento de dados sensíveis seja livre, informado, inequívoco e vinculado a finalidades específicas. No entanto, a prática da pesquisa científica, especialmente em genética, frequentemente demanda o uso futuro e não previsto dos dados. Isso gera impasses jurídicos quanto à validade do consentimento amplo.


Ademais, a promessa de anonimização como instrumento de proteção de dados genéticos revela‑se, em muitos casos, ilusória. Devido à singularidade do genoma, à possibilidade de cruzamento com bancos públicos e ao avanço de ferramentas de reidentificação, a suposta anonimização pode ser revertida, colocando em risco a confidencialidade e a segurança do titular.


O risco de mercantilização da informação genética,sobretudo no setor privado, também deve ser enfrentado com seriedade. O crescimento de empresas que oferecem testes genéticos diretos ao consumidor ilustra uma nova forma de economia de dados, em que a genômica se converte em produto de mercado.


Portanto, mais do que adequar a prática científica aos limites da LGPD, é necessário repensar os próprios fundamentos da regulação da genética humana. O direito à privacidade, a proteção contra a discriminação genética e a defesa do bem comum devem ser os pilares de uma nova abordagem jurídica – mais protetiva, preventiva e participativa. Sem isso, o risco é transformar o avanço biotecnológico em um vetor de exclusão, vigilância e exploração.


Internet: <www.conjur.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Acerca do texto e dos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

 

O período “O risco de mercantilização da informação genética, sobretudo no setor privado, também deve ser enfrentado com seriedade” pode ser reescrito, mantendo‑se a correção gramatical e o sentido original do texto, da seguinte forma: Deve‑se também enfrentar com seriedade o risco de mercantilização da informação genética, sobretudo no setor privado.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: voz passiva analítica e sintética

Gabarito: C (Certo). A reescrita proposta mantém a correção gramatical e o sentido original, pois converte a voz passiva analítica em voz passiva sintética, sem alterar a informação veiculada. A passagem que sustenta a equivalência é o trecho original: “O risco de mercantilização da informação genética, sobretudo no setor privado, também deve ser enfrentado com seriedade”, que na reescrita vira “Deve-se também enfrentar com seriedade o risco de mercantilização da informação genética, sobretudo no setor privado”.

O comando pede que se julgue se a reescrita mantém a correção gramatical e o sentido original. Isso é uma questão de reescritura de frases, em que se testa a equivalência semântica e a validade sintática. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de reconhecer que duas construções podem expressar a mesma ideia.

No texto, o período original está na voz passiva analítica: “O risco ... deve ser enfrentado”. O sujeito paciente é “o risco de mercantilização da informação genética, sobretudo no setor privado”. A reescrita usa a voz passiva sintética com o pronome “se”: “Deve-se também enfrentar com seriedade o risco ...”. Nessa construção, o verbo “enfrentar” concorda com o sujeito paciente (“o risco”), que agora aparece como objeto direto, mas a relação semântica é idêntica: algo (o risco) deve ser enfrentado.

A técnica para resolver é verificar se a reescrita preserva os mesmos participantes e a mesma relação entre eles. No original, quem sofre a ação é o risco; na reescrita, o risco continua sendo o elemento que recebe a ação de enfrentar. Não há mudança de agente, de paciente ou de circunstância (o “sobretudo no setor privado” permanece). Também não há alteração de tempo, modo ou aspecto verbal: “deve ser enfrentado” e “deve-se enfrentar” estão ambos no presente do indicativo, com valor de obrigação.

A pegadinha da banca, aqui, é justamente a inversão da ordem e a troca da voz verbal. Muitos candidatos podem achar que a mudança de “deve ser enfrentado” para “deve-se enfrentar” altera o sentido, mas não altera: são apenas duas formas de expressar a mesma voz passiva. A banca também poderia tentar confundir com uma troca de sujeito, mas isso não ocorre.

1Analítica
Verbo ser + particípio
Ex.: "deve ser enfrentado"
2Sintética
Verbo + pronome "se"
Ex.: "deve-se enfrentar"
3Equivalência
Mesmos participantes
Mesma relação semântica
Reescrita preserva sentido
Voz passiva
LEVELsoulevel.com.br
Voz passiva: Analítica (Verbo ser + particípio, Ex.: "deve ser enfrentado"); Sintética (Verbo + pronome "se", Ex.: "deve-se enfrentar"); Equivalência (Mesmos participantes, Mesma relação semântica, Reescrita preserva sentido)

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita está correta. Vejamos por quê:

  • Correção gramatical: a forma “Deve-se enfrentar” é a voz passiva sintética, com o pronome apassivador “se”. O verbo “enfrentar” fica no infinitivo, e a concordância é feita com o sujeito paciente “o risco”, que está no singular. A frase é gramaticalmente perfeita.

  • Sentido original: o período original afirma que o risco de mercantilização deve ser enfrentado com seriedade, especialmente no setor privado. A reescrita diz exatamente o mesmo: “Deve-se também enfrentar com seriedade o risco de mercantilização da informação genética, sobretudo no setor privado”. A palavra “também” é mantida, preservando a ideia de que esse risco se soma a outros pontos já mencionados.

  • Equivalência semântica: não há acréscimo, omissão ou inversão de sentido. O “sobretudo no setor privado” continua especificando onde o risco é mais relevante.

Portanto, a reescrita é válida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que a reescrita está errada, mas isso não procede. Não há nenhum erro gramatical nem mudança de sentido. A banca, ao colocar essa opção, tenta fazer o candidato acreditar que a inversão da ordem ou a troca da voz verbal alteraria o conteúdo, o que não acontece. A reescrita é uma paráfrase fiel do original.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, teste sempre se a nova redação mantém os mesmos participantes (quem faz, quem sofre a ação) e a mesma relação entre eles. Se sim, o sentido está preservado, mesmo que a ordem das palavras mude.

Conclusão: a reescrita mantém a correção gramatical e o sentido original, pois apenas converte a voz passiva analítica em sintética, sem alterar a informação. Portanto, o item está Certo.

Gabarito: letra C.

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