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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FUNDATEC 2026

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa392656
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC
Ano
2026
Cargo
PEBTT ( )

O alívio de não ser tão importante

 

Por Pedro Guerra Kuman

 

No início dos anos 2000, um estudante entrou numa sala cheia usando uma camiseta considerada constrangedora. Não era provocação nem descuido: era parte de um experimento de psicologia social. Depois de alguns minutos entre olhares dispersos e conversas paralelas, perguntaram a ele quantas pessoas haviam reparado na vestimenta. “Metade da sala”, respondeu confiante. Todavia, na prática, pouco mais de um quinto percebeu.

 

Lembrei-me dessa história dias atrás, quando um amigo me disse: nós não somos tão importantes assim.

 

Nós, pessoas de pensamento acelerado, tendemos a acreditar que a catástrofe é uma certeza que eventualmente vai nos encontrar. Antecipamos cenários inexistentes, ensaiamos diálogos que nunca existirão, prevemos um enredo que, de tanto ninguém querer ver, ele nem mesmo acontece. Gostamos de acreditar que somos protagonistas da nossa própria história — e, em alguma medida, somos mesmo. A questão é que, na vida dos outros, na maioria das vezes, a gente é só figurante.

 

A Psicologia chama isso de “efeito holofote”: a tendência de acreditar que há sempre um foco apontado para nós, por isso superestimamos o quanto os outros estão nos julgando e nos assistindo. E de fato: a vida é uma eterna performance. Porém, muitas vezes esquecemos que nem sempre seremos o centro da plateia alheia. Não porque sejamos irrelevantes ou porque ninguém se importe em absoluto, mas porque cada um está ocupado demais tentando administrar as próprias dores.

 

Na sociedade da vitrine, nos acostumamos a sermos observados o tempo inteiro. Há reação, há métrica — há sempre algum número medindo nossa existência. As redes sociais reforçaram essa sensação de palco permanente. Sem perceber, passamos a buscar confirmação: eu quero ser aceito para não correr o risco de ficar de fora. Curioso como, em pleno século 21, ainda reagimos como se estivéssemos tentando garantir um lugar na fogueira da caverna.

 

Para mim, a frase do meu amigo foi como um lembrete: nem todo mundo está interessado no que a gente veste, escolhe fazer, diz ou em como nos desempenhamos. É quase mágico esse momento em que percebemos o alívio de não ser tão importante. Funciona quase como uma redenção, um desprender-se. É o local onde se pode errar em paz. Afinal, se o mundo não para por causa dos nossos constrangimentos, ele certamente também não irá parar por conta dos nossos fracassos. E, se repararmos bem, veremos que há uma espécie de humildade nisso. É a constatação de que o mundo é grande demais para girar em torno dos nossos tropeços. E que, ainda assim, seguimos pertencendo a ele.

 

Talvez o erro seja acreditar que precisamos ser protagonistas o tempo todo. Há uma liberdade silenciosa e extraordinária em simplesmente aceitar o papel de coadjuvante vez que outra. Para todos os efeitos, basta estar. Basta aprender a ser espectador. No fim, quem sabe a vida não esteja nem aí para cada malabarismo das nossas performances. Ela só quer que a gente esteja presente e que saibamos existir sem tanto esforço.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2026/03/o-alivio-de-nao-ser-tao-importante-cmmdhxr1b01bg016a3bk8hyoi.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o correto emprego dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir sobre trechos retirados do texto:

 

I. Em “A questão é que, na vida dos outros, na maioria das vezes, a gente é só figurante”, a dupla vírgula hachurada não poderia, em nenhuma circunstância, ser substituída por duplo travessão.

 

II. Em “E de fato: a vida é uma eterna performance”, pode-se substituir os dois-pontos por vírgula.

 

III. Em “Há reação, há métrica há sempre algum número medindo nossa existência”, pode-se substituir o travessão por dois-pontos sem causar prejuízo à correção do período.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas I e II.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: substituição de sinais sem prejuízo de sentido — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. A questão testa se você sabe quando um sinal de pontuação pode ser trocado por outro sem alterar a correção e o sentido do período. A assertiva I está incorreta, pois a dupla vírgula que isola o adjunto adverbial “na maioria das vezes” pode ser substituída por duplo travessão, mantendo a correção. As assertivas II e III estão corretas: os dois-pontos de “E de fato: a vida é uma eterna performance” podem virar vírgula, e o travessão de “Há reação, há métrica — há sempre algum número medindo nossa existência” pode virar dois-pontos, pois ambos introduzem uma explicação. A resposta é D) Apenas II e III.

O comando

O enunciado pede que você analise a possibilidade de substituição de sinais de pontuação em três trechos. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a função de cada sinal isoladamente; é preciso verificar se a troca preserva a correção gramatical e o sentido do período. A banca não pergunta “o que o sinal faz”, mas “posso trocar por outro?”. Então, o método é: para cada assertiva, pergunte-se “a troca mantém o período correto e com o mesmo sentido?”.

O texto e a técnica

O texto é um artigo de opinião sobre o “efeito holofote” e o alívio de não ser o centro das atenções. A pontuação, aqui, é usada para isolar termos intercalados (vírgulas e travessões) e para introduzir explicações (dois-pontos). A regra central que decide a questão é:

  • Vírgula e travessão podem ser usados indistintamente para isolar termos intercalados (adjuntos adverbiais deslocados, orações interferentes, apostos). Ex.: “Pedro, sem pensar muito, comprou um carro” = “Pedro — sem pensar muito — comprou um carro”.

  • Dois-pontos e travessão podem ser usados para introduzir uma explicação, enumeração ou citação. Ex.: “Ela só queria isto: ser aprovada” = “Ela só queria isto — ser aprovada”.

  • Dois-pontos e vírgula também podem ser equivalentes quando o que segue é uma explicação curta. Ex.: “Ele tinha um sonho: viajar” = “Ele tinha um sonho, viajar”.

A pegadinha da banca está em fazer você achar que vírgula nunca pode virar travessão (assertiva I) ou que travessão não pode virar dois-pontos (assertiva III). Na verdade, são trocas perfeitamente válidas quando a função é a mesma.

1Vírgula ↔ Travessão
Isolam termos intercalados
Troca válida
2Dois-pontos ↔ Vírgula
Introduzem explicação
Troca válida
3Travessão ↔ Dois-pontos
Introduzem explicação
Troca válida
Substituição de sinais de pontuação
LEVELsoulevel.com.br
Substituição de sinais de pontuação: Vírgula ↔ Travessão (Isolam termos intercalados, Troca válida); Dois-pontos ↔ Vírgula (Introduzem explicação, Troca válida); Travessão ↔ Dois-pontos (Introduzem explicação, Troca válida)

Assertiva I — ❌ Incorreta

“A questão é que, na vida dos outros, na maioria das vezes, a gente é só figurante”

A dupla vírgula isola o adjunto adverbial “na maioria das vezes”, que está intercalado na oração. Adjuntos adverbiais deslocados podem ser isolados por vírgula, travessão ou parênteses. Portanto, a substituição por duplo travessão é perfeitamente possível e mantém a correção:

“A questão é que, na vida dos outros — na maioria das vezes — a gente é só figurante”

A assertiva diz que “não poderia, em nenhuma circunstância, ser substituída” — isso é falso. O erro é de generalização indevida: a banca tenta fazer você acreditar que vírgula e travessão não são intercambiáveis, mas são, quando ambos isolam um termo intercalado.

Assertiva II — ✅ Correta

“E de fato: a vida é uma eterna performance”

Os dois-pontos aqui introduzem uma explicação (o que é “de fato”? que a vida é uma eterna performance). Essa mesma função pode ser exercida pela vírgula, sem prejuízo de sentido ou correção:

“E de fato, a vida é uma eterna performance”

A vírgula, nesse caso, marca uma pausa e introduz o esclarecimento. A troca é válida. A assertiva está correta.

Assertiva III — ✅ Correta

“Há reação, há métrica — há sempre algum número medindo nossa existência”

O travessão, aqui, introduz uma explicação (o que é “há métrica”? que há sempre um número medindo nossa existência). Os dois-pontos têm exatamente essa função de anteceder explicação. A troca é válida:

“Há reação, há métrica: há sempre algum número medindo nossa existência”

Não há prejuízo à correção nem ao sentido. A assertiva está correta.

Conclusão

A única assertiva incorreta é a I, pois a vírgula pode sim ser substituída por travessão quando isola um adjunto adverbial intercalado. As assertivas II e III estão corretas, pois dois-pontos, vírgula e travessão podem ser intercambiáveis quando introduzem explicação. Portanto, o gabarito é D) Apenas II e III.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, desconfie de afirmações com “em nenhuma circunstância” ou “nunca”. Na pontuação, quase tudo é possível se a função for a mesma. Teste a troca mentalmente: se o período continua claro e correto, a substituição é válida.

Gabarito: letra D

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