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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2026

PortuguêsCrase
Código
qa392663
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Bom Jesus (RS)
Ano
2026
Cargo
Ass Adm ( )

Pinguim de geladeira

 

Por Rafael Battaglia Popp

 

Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um pinguim de geladeira.

 

A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins veem a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.

 

Convido os leitores a pôrde lado o preconceito contra a fofoca por um momento e analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro – mas também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.

 

Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego bacana. Sentiremos saudade – mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás. No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado) e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã, Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim ...... casa torna.

 

Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.

 

(Disponível em: //super.abril.com.br/cronica/pinguim-de-geladeira/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas dos trechos a seguir, retirados do texto.   \bullet “Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na Avenida Paulista”.   \bullet “Desta vez, nas mãos da minha irmã, Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice”.   \bullet “O bom pinguim ...... casa torna”.
  1. Aà – a – a
  2. Bà – à – à
  3. Ca – à – à
  4. Da – a – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — à – à – à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preposição + artigo feminino nas lacunas do texto

Gabarito: letra B. As três lacunas exigem crase: "rumo à maternidade" (preposição a exigida por rumo + artigo a de maternidade), "deu à luz" (locução verbal feminina cristalizada) e "à casa torna" (locução adverbial feminina à casa, com sentido de "para casa"). A alternativa B é a única que apresenta à – à – à, como se lê nos trechos do texto: "rumo ..... maternidade na Avenida Paulista", "que deu ..... luz sua primeira filha" e "O bom pinguim ...... casa torna".

O comando da questão

O enunciado pede que você preencha as lacunas com a forma correta — e isso é uma questão de crase, ou seja, de reconhecer quando há a fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou com o a de pronomes demonstrativos/locuções). Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra gramatical no contexto das frases. O comando "correta e respectivamente" indica que a ordem das lacunas importa: você deve analisar cada uma isoladamente e depois conferir se a sequência bate com alguma alternativa.

O texto e o movimento argumentativo

O texto é uma crônica narrativa sobre a memória de infância do autor e a história do pinguim de geladeira. As lacunas estão em trechos específicos que descrevem ações: ir à maternidade, dar à luz e o pinguim voltar para casa. O que importa para a questão não é o sentido global, mas a regência e o uso do artigo em cada trecho. Vejamos cada um:

  1. "rumo ..... maternidade": a palavra rumo exige a preposição a (quem vai em rumo, vai a algum lugar). Maternidade é um substantivo feminino que aceita o artigo a. Logo, preposição + artigo = à.

  1. "deu ..... luz": a expressão dar à luz é uma locução verbal cristalizada, sempre com crase. Não se analisa a regência do verbo dar aqui; é um caso de uso fixo, como à toa, à vontade, à noite.

  1. "...... casa torna": a expressão à casa é uma locução adverbial de lugar, com sentido de "para casa". Embora a palavra casa geralmente dispense artigo ("voltei a casa"), aqui ela está especificada pelo contexto — o pinguim volta para a casa do autor, não para qualquer casa. Por isso, o artigo é usado e a crase é obrigatória.

A técnica que decide

A regra central da crase é simples: crase = preposição a + artigo feminino *a* (ou + aquele, aquela, aquilo, a qual). Para saber se há crase, você deve verificar duas coisas: (1) o termo anterior exige a preposição a? (2) o termo seguinte aceita o artigo feminino a? Se as duas respostas forem sim, há crase.

No caso das locuções (dar à luz, à casa), a crase é obrigatória porque são expressões fixas da língua. Não há exceção: dar à luz sempre tem crase; à casa com sentido de "para casa" também, quando o substantivo está determinado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a (preposição ou artigo) e à (preposição + artigo). Nas alternativas, ela mistura as três lacunas para testar se você sabe identificar quando o a é apenas preposição (sem artigo) e quando é preposição + artigo (com crase). A letra A, por exemplo, erra ao colocar a na segunda lacuna, ignorando que dar à luz é locução fixa.

Análise das alternativas

Crase (preposição a + artigo a)
  • 1Casos obrigatórios
    • Regência + artigo
      • "rumo à maternidade"
    • Locução verbal fixa
      • "dar à luz"
    • Locução adverbial com artigo
      • "à casa torna"
  • 2Técnica de verificação
    • Termo anterior exige preposição a?
    • Termo seguinte aceita artigo a?
    • Sim + sim = crase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência à – a – a erra na segunda e na terceira lacuna. A segunda lacuna exige crase porque dar à luz é locução fixa; a terceira exige crase porque à casa é locução adverbial com artigo. A alternativa A restringe a crase apenas à primeira lacuna, tratando as outras como se fossem apenas preposição a — o que contradiz o uso cristalizado das expressões.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência à – à – à é a única que preenche corretamente as três lacunas. Na primeira, rumo à maternidade (preposição + artigo); na segunda, deu à luz (locução fixa); na terceira, à casa torna (locução adverbial com artigo). Todas exigem crase, e a alternativa B é a única que apresenta essa sequência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência a – à – à erra na primeira lacuna. Rumo exige a preposição a, e maternidade aceita o artigo a — portanto, há crase. A alternativa C contradiz a regra ao colocar apenas a, como se não houvesse artigo, o que tornaria a frase "rumo a maternidade" incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência a – a – à erra na primeira e na segunda lacuna. A primeira exige crase (rumo à maternidade), e a segunda também (deu à luz). A alternativa D generaliza a ausência de crase para as duas primeiras lacunas, ignorando a regência de rumo e a locução fixa dar à luz.

Conclusão

A questão testa se você domina os casos de crase obrigatória: preposição + artigo feminino e locuções fixas. A regra de ouro é: pergunte sempre se o termo anterior exige a e se o seguinte aceita artigo *a* — se sim, há crase. Nas locuções, decore os casos fixos (dar à luz, à toa, à vontade). Com isso, você elimina as alternativas que usam a sem crase onde ela é obrigatória.

Gabarito: letra B

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