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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2026

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa392664
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Bom Jesus (RS)
Ano
2026
Cargo
Ass Adm ( )

Pinguim de geladeira

 

Por Rafael Battaglia Popp

 

Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo à maternidade na Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um pinguim de geladeira.

 

A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins veem a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.

 

Convido os leitores a pôr de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro – mas também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.

 

Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego bacana. Sentiremos saudade – mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás. No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado) e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã, Fernanda, que deu a luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim a casa torna.

 

Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.

 

(Disponível em: //super.abril.com.br/cronica/pinguim-de-geladeira/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Com base nos trechos apresentados, retirados do texto, e considerando os mecanismos de coesão referencial, analise as assertivas a seguir:

 

I. Em “a fabricante Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os colocassem em cima dos aparelhos da empresa”, o pronome oblíquo “os” retoma o termo “pinguins”.

 

II. Em “com o tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante populares até algumas décadas atrás”, o pronome “Elas” retoma o termo “pessoas”.

 

III. Em “Convido os leitores a pôr de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista”, o pronome oblíquo “la” retoma o termo “fofoca”.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I e II.
  2. BApenas I e III.
  3. CApenas II e III.
  4. DI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o referente dos pronomes — Gabarito: letra B.

Gabarito: letra B. As assertivas I e III estão corretas, pois os pronomes “os” e “la” retomam, respectivamente, “pinguins” e “fofoca” — como se comprova pela leitura direta dos trechos. A assertiva II está incorreta: o pronome “Elas” não retoma “pessoas”, mas sim “estatuetas” (que, por sua vez, retoma “pinguins de cerâmica”). A banca arma a pegadinha clássica de coesão: o pronome aparece logo após “pessoas”, mas o referente real é outro, recuperável pela concordância e pelo contexto.

O comando

A questão pede que você identifique o referente de pronomes em três trechos do texto — ou seja, que você aplique o conceito de coesão referencial anafórica (quando um pronome retoma um termo já mencionado). Não se trata de interpretar o sentido global do texto, mas de rastrear a cadeia de referência: quem é o “os”? quem é o “Elas”? quem é o “la”? A técnica é simples: substitua o pronome pelo termo que você acha que ele retoma e veja se a frase continua fazendo sentido e mantendo a concordância.

O texto e a técnica

No trecho do item I, temos: “a fabricante Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os colocassem em cima dos aparelhos”. O pronome “os” é objeto direto de “colocassem” e só pode se referir a “pinguins de cerâmica” — são eles que os vendedores colocam em cima das geladeiras. A concordância confirma: “os” é masculino plural, assim como “pinguins”.

No item III, “analisá-la” — o “la” é objeto direto de “analisar” e retoma “fofoca” (feminino singular). O contexto é claro: o autor convida o leitor a analisar a fofoca sob as lentes da psicologia evolucionista. Não há outra palavra feminina singular no trecho que pudesse ser o referente.

Já no item II, a armadilha: “as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante populares até algumas décadas atrás”. O pronome “Elas” está imediatamente após “pessoas”, mas o sentido exige que se refira a “estatuetas” — são as estatuetas que foram populares, não as pessoas. A concordância também ajuda: “Elas” é feminino plural, e “estatuetas” é feminino plural; “pessoas” também é, mas o contexto semântico decide. Se substituíssemos “Elas” por “as pessoas”, a frase ficaria absurda: “as pessoas foram bastante populares”. Portanto, o referente é “estatuetas”.

Item I — ✅ Correto

“a fabricante Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os colocassem em cima dos aparelhos da empresa”

O pronome oblíquo “os” é anafórico e retoma “pinguins de cerâmica” (ou simplesmente “pinguins”). A prova: são os pinguins que os vendedores colocam sobre os aparelhos. A concordância de gênero e número (masculino plural) confirma. Item correto.

Item II — ❌ Incorreto

“com o tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante populares até algumas décadas atrás”

O pronome “Elas” retoma “as estatuetas”, e não “as pessoas”. A pista decisiva é o sentido: estatuetas é que foram populares. A banca explora a proximidade — “Elas” vem logo depois de “pessoas” — mas a coesão referencial se resolve pelo contexto e pela lógica, não pela ordem linear. Item incorreto.

Item III — ✅ Correto

“Convido os leitores a pôr de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista”

O pronome oblíquo “la” (em “analisá-la”) retoma “fofoca”. É o único termo feminino singular do trecho que pode ser objeto de “analisar”. Item correto.

Conclusão

Corretos os itens I e III; incorreto o item II. Portanto, a alternativa que reúne os itens corretos é a letra B.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome, substitua-o pelo termo candidato e veja se a frase mantém o sentido. Desconfie quando o pronome estiver perto de um termo “pegajoso” — a banca adora colocar o referente errado logo antes.

Gabarito: letra B.

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