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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2026

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa392668
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Bom Jesus (RS)
Ano
2026
Cargo
ASoc ( )

Proibir o acesso a redes sociais para menores de 16 anos realmente os protege?

 

Por Ricard Martínez Martínez

 

A limitação da idade de acesso às redes sociais está no centro do debate político nos últimos dias na Espanha. Trata-se de uma questão extremamente complexa que requer uma abordagem ponderada e baseada em evidências

 

Vários relatórios, como os elaborados pela EU Kids Online, têm constatado de forma consistente o crescimento significativo dos riscos da internet para os menores de idade. Há uma queda constante na idade em que os jovens e crianças se conectam à internet, têm um celular, consomem pornografia ou se cadastram em uma rede social. O recente Relatório do UNICEF sobre o impacto da tecnologia na infância e na adolescência confirma essa tendência com dados preocupantes que apontam para um uso viciante dos smartphones e das redes sociais, para o aumento dos conflitos ou da exposição à pornografia, acompanhados por demandas por educação e até mesmo por desconexão.

 

O diagnóstico do relatório promovido pelo Ministério da Juventude e Infância da Espanha é devastador. Ele aponta que as redes sociais geram um contexto de alto risco para a saúde mental e física dos menores, de superexposição ao assédio e crimes contra a liberdade sexual, acesso à pornografia e aquisição de hábitos e comportamentos nocivos. Isso coincide com estudos que vêm alertando sobre o aumento de doenças mentais em crianças e adolescentes. As redes sociais podem substituir experiências presenciais e reduzir os espaços de socialização autônoma, especialmente em usos intensivos.

 

As plataformas de redes sociais estão plenamente conscientes dos riscos do seu modelo de negócios e, ainda assim, continuam a promovê-lo. As redes sociais se aproveitam de mecanismos de recompensa que geram dependência. Esses mecanismos são acentuados pela hiperestimulação e pelo uso noturno, que pode prejudicar a higiene do sono. Cada like, emoji, chat ou filtro de imagem responde a um objetivo claro: promover o engajamento, manter a atenção do usuário e monetizar a privacidade. Além disso, os algoritmos de personalização favorecem o “engajamento” do usuário e proporcionam uma visão da realidade por meio de filtros que geram uma bolha de conteúdos personalizados. Enquanto isso, a monetização publicitária parece incentivar a polarização, o discurso de ódio, o negacionismo ou a pornografia.

 

Por outro lado, é inegável que existe uma quota de responsabilidade social e administrativa. O primeiro contato de uma criança ou adolescente com uma rede social geralmente é promovido pelos próprios pais ou a própria escola, por exemplo, ao adquirir um smartphone para eles ou solicitar tarefas digitais. Nesse contexto, a ação legislativa empreendida pelo Ministério da Juventude e Infância da Espanha é adequada. A limitação de idade encontra plena justificativa na garantia de um desenvolvimento adequado da personalidade. Mas esta não deve ser a única medida. Crianças e adolescentes devem ter voz. Devemos entender como viabilizar uma socialização e um aprendizado da tecnologia inspirados em valores democráticos e inclusivos. Não podemos ser vítimas da urgência regulatória e nos concentrar exclusivamente na proibição.

 

Vivemos na sociedade da inteligência artificial. É necessário que adotemos uma nova maneira de fazer as coisas e novas capacidades. Não estamos em guerra com a tecnologia, mas com um uso antissocial que coisifica as pessoas.

 

Por fim, os reguladores mais diretamente envolvidos devem passar da recomendação para a fiscalização, a coerção e a sanção às plataformas. O tempo de contemporizar já passou. Existe uma firme vontade por parte dos dirigentes das plataformas de ameaçar a regulamentação e quebrá-la. A democracia nos tornou livres e nos transformou de súditos em cidadãos: não permitamos que nos transformem em servos digitais, começando pelos nossos filhos, filhas e jovens.

 

(Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/02/07/proibir-o-acesso-a-redes-sociais-paramenores- de-16-anos-realmente-os-protege.ghtml – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os seguintes trechos retirados do texto, em relação aos mecanismos de coesão referencial e uso de pronomes, analise as assertivas abaixo:

 

I. Em “O diagnóstico do relatório promovido pelo Ministério da Juventude e Infância da Espanha é devastador. Ele aponta que as redes sociais geram um contexto de alto risco para a saúde mental”, o termo “Ele” retoma o “diagnóstico”.

 

II. Em “As plataformas de redes sociais estão plenamente conscientes dos riscos do seu modelo de negócios e, ainda assim, continuam a promovê-lo”, o pronome oblíquo “-lo” retoma “modelo de negócios”.

 

III. Em “Existe uma firme vontade por parte dos dirigentes das plataformas de ameaçar a regulamentação e quebrá-la”, o pronome oblíquo “-la” retoma “regulamentação”.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I e II.
  2. BApenas I e III.
  3. CApenas II e III.
  4. DI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: identificando o referente dos pronomes

Gabarito: letra D (I, II e III). As três assertivas estão corretas porque cada pronome apontado retoma, de fato, o termo indicado: “Ele” retoma “diagnóstico”; “-lo” retoma “modelo de negócios”; “-la” retoma “regulamentação”. A prova está nos próprios trechos citados no enunciado, como se vê na análise de cada item abaixo.

O comando: o que a banca pede

A questão é de coesão referencial — o mecanismo que evita repetições usando pronomes para retomar termos já mencionados (anáfora). O comando pede que você identifique o referente de cada pronome destacado: a que palavra, dita antes, ele aponta? Não há inferência nem interpretação de sentido global; é uma tarefa de localização e substituição: troque o pronome pelo termo que ele substitui e veja se a frase continua fazendo sentido.

O texto: onde mora a resposta

Os três trechos foram retirados do texto-base e cada um contém um pronome cujo referente está imediatamente antes dele. A técnica é simples: o pronome retoma o termo mais próximo com o qual concorda em gênero e número (ou que faça sentido sintático). Vejamos:

  • No item I, “Ele” é um pronome pessoal reto, masculino singular. No período anterior, os candidatos masculinos singulares são “diagnóstico” e “relatório”. Mas o sujeito da frase “Ele aponta que…” só pode ser “diagnóstico”, pois é ele que “aponta” o conteúdo — e o texto diz: “O diagnóstico do relatório […] é devastador. Ele aponta que…”.

  • No item II, “-lo” é objeto direto de “promovê-lo”. O verbo “promover” pede objeto direto; o termo que faz sentido ser “promovido” é “modelo de negócios” (as plataformas promovem o modelo de negócios), não “riscos”.

  • No item III, “-la” é objeto direto de “quebrá-la”. O que se pode “quebrar” é a “regulamentação” — os dirigentes ameaçam quebrar a regulamentação.

A técnica que decide: teste da substituição

Para cada pronome, faça a substituição mental pelo termo candidato e verifique se a frase permanece coerente:

  • “Ele aponta que…” → “O diagnóstico aponta que…” ✅ (faz sentido)

  • “promovê-lo” → “promover o modelo de negócios” ✅ (faz sentido)

  • “quebrá-la” → “quebrar a regulamentação” ✅ (faz sentido)

Se a substituição gera uma frase lógica, o referente está correto. Se gera absurdo, o referente é outro. Essa é a prova objetiva que a banca espera.

Coesão referencial (anáfora)
  • 1Pronome retoma termo anterior
  • 2Teste da substituição
    • Trocar pronome pelo candidato
    • Frase lógica = referente certo
  • 3Itens
    • I: "Ele" → diagnóstico
    • II: "-lo" → modelo de negócios
    • III: "-la" → regulamentação
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Item I — ✅ Correto

“O diagnóstico do relatório promovido pelo Ministério da Juventude e Infância da Espanha é devastador. Ele aponta que as redes sociais geram um contexto de alto risco para a saúde mental”

O pronome “Ele” retoma “diagnóstico”, pois é o diagnóstico que “aponta” o que se segue. O termo “relatório” também é masculino singular, mas não é ele que “aponta” — é o diagnóstico do relatório. A concordância e o sentido confirmam o referente.

Item II — ✅ Correto

“As plataformas de redes sociais estão plenamente conscientes dos riscos do seu modelo de negócios e, ainda assim, continuam a promovê-lo

O pronome oblíquo “-lo” (forma de “o”) retoma “modelo de negócios”: as plataformas promovem o modelo de negócios. Note que “riscos” é plural e não poderia ser retomado por “-lo” (singular); além disso, semanticamente, não se “promovem riscos” no contexto.

Item III — ✅ Correto

“Existe uma firme vontade por parte dos dirigentes das plataformas de ameaçar a regulamentação e quebrá-la

O pronome oblíquo “-la” (forma de “a”) retoma “regulamentação”: os dirigentes ameaçam quebrar a regulamentação. O termo é feminino singular, e o pronome concorda perfeitamente.

Conclusão

As três assertivas estão corretas, pois cada pronome retoma exatamente o termo indicado. A banca não armou pegadinha aqui — os referentes são claros e imediatos. A dica de ouro: sempre teste a substituição do pronome pelo termo candidato; se a frase continuar lógica, o referente está certo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, sublinhe o pronome e pergunte: “quem/o quê?”. O referente é o termo que responde a essa pergunta sem gerar contradição.

Gabarito: letra D

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