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Questão de Português — Partícula "Se" — Quadrix 2026

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa392850
Banca
Quadrix
Órgão
CREFITO 17
Ano
2026
Cargo
Aux Adm ( )

Terapia ocupacional contribui para repensar a
centralidade do trabalho na vida das pessoas


O equilíbrio é a palavra‑chave para se pensarem os papéis e as atividades que temos ao longo da vida, e a terapia ocupacional (TO) pode nos ajudar nesse desafio. Em tempos de aumento de transtornos mentais, intensificação e precarização laboral, é fundamental repensar a centralidade do trabalho em nossa vida.


A terapia ocupacional traz como fundamento a distribuição equilibrada entre trabalho, descanso, lazer e sono para uma participação mais efetiva dos homens e das mulheres no mundo. Isso porque ela considera que os indivíduos se engajam em atividades, tanto as que precisam ser feitas como as que desejamos fazer.


“As práticas da terapia ocupacional permitem analisar as ocupações nas quais as pessoas estão engajadas e correlacionar com os processos de saúde e bem‑estar”, afirmam os pesquisadores Angela Simonelli e José Marçal, da Universidade Federal do Paraná e da Fundacentro, respectivamente.

 

Na vida adulta, o trabalho se destaca como a principal ocupação esperada pela sociedade. “Embora trabalhar – na sociedade capitalista – seja a ocupação principal do ciclo da vida adulta, associada à realização pessoal, não é a única atividade desempenhada nesse ciclo. O trabalho deveria, idealmente, estar equilibrado com as demais atividades que precisamos ou desejamos desempenhar: lazer, atividade física, gestão da saúde, atividades da vida diária (descanso e sono), educação e participação social”, apontam os pesquisadores.


Outro aspecto importante a considerar é que o início de um novo papel ocupacional na vida pode alterar a importância, o tempo despendido e o engajamento daqueles desempenhados anteriormente. Esses são os casos, por exemplo, de uma pessoa que tem um filho ou se aposenta. “A terapia ocupacional questiona e relativiza a supremacia do trabalho sobre as demais ocupações, já que reconhece a importância do equilíbrio nos diversos papéis como fator determinante de saúde e desenvolvimento”, concluem.


Internet: <gov.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

 

Em “para se pensarem os papéis”, a flexão da forma verbal justifica‑se pela presença da partícula “se”, que atua como índice de indeterminação do sujeito, exigindo que o verbo concorde com o termo preposicionado subsequente.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função da partícula "se" e concordância verbal

Gabarito: E (Errado). A afirmativa está incorreta porque, em "para se pensarem os papéis", o "se" é partícula apassivadora (PA), e não índice de indeterminação do sujeito (IIS). Além disso, o verbo "pensarem" concorda com o sujeito paciente "os papéis" — e não com um "termo preposicionado subsequente", como afirma o item. A passagem do texto que autoriza a análise é o trecho inicial: "O equilíbrio é a palavra‑chave para se pensarem os papéis e as atividades que temos ao longo da vida".

O comando

A questão pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma análise sintática e de concordância verbal. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: é preciso identificar a função do "se" e a regra de concordância que rege a forma verbal "pensarem". O comando exige conhecimento técnico de sintaxe, não apenas leitura.

O texto

O texto discute a importância do equilíbrio entre trabalho, descanso, lazer e sono, defendendo que a terapia ocupacional ajuda a repensar a centralidade do trabalho. No primeiro parágrafo, lê-se: "O equilíbrio é a palavra‑chave para se pensarem os papéis e as atividades que temos ao longo da vida". Essa é a frase que interessa: nela, o verbo "pensar" está na forma infinitiva flexionada "pensarem", precedida da partícula "se".

A técnica que decide

Para resolver, é preciso dominar as funções da partícula "se" e a concordância verbal correspondente. Veja o passo a passo:

  1. Identifique a transitividade do verbo. Em "pensar os papéis", o verbo "pensar" é transitivo direto (pensa-se algo: os papéis). Quando o "se" acompanha um verbo transitivo direto, ele é partícula apassivadora (PA), formando a voz passiva sintética. Exemplo clássico: "Vendem-se casas" — "casas" é sujeito paciente, e o verbo concorda com ele.

  1. Diferencie PA de IIS. O índice de indeterminação do sujeito (IIS) ocorre com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, como em "Precisa-se de funcionários" (VTI) ou "Vive-se bem aqui" (VI). Nesses casos, o verbo fica sempre no singular, pois não há sujeito para concordar. Já na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente (que é o objeto direto da voz ativa).

  1. Aplique ao trecho. Em "para se pensarem os papéis", temos:

    • Verbo "pensar" + objeto direto "os papéis" → VTD.

    • "Se" = partícula apassivadora.

    • "Os papéis" = sujeito paciente (equivale a "os papéis sejam pensados").

    • O verbo "pensarem" concorda com "os papéis" (3ª pessoa do plural), exatamente como em "Vendem-se casas".

  1. Refute a afirmativa. O item diz que o "se" é IIS e que o verbo concorda com "termo preposicionado subsequente". Isso é duplamente falso:

    • O "se" é PA, não IIS.

    • O verbo concorda com o sujeito paciente "os papéis", que não é preposicionado (não há preposição antes dele).

Partícula "se"
  • 1Partícula apassivadora (PA)
    • Verbo transitivo direto
    • Concorda com sujeito paciente
    • Ex.: "Vendem-se casas"
  • 2Índice de indeterminação do sujeito (IIS)
    • Verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação
    • Verbo fica no singular
    • Ex.: "Precisa-se de funcionários"
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Análise da afirmativa

A afirmativa comete dois erros conceituais: classifica o "se" como IIS e afirma que a concordância se dá com termo preposicionado. Na verdade, o "se" é partícula apassivadora, e a concordância é com o sujeito paciente. Se fosse IIS, o verbo ficaria no singular: "para se pensar os papéis" (o que seria gramaticalmente incorreto, pois "pensar" é VTD e exigiria PA).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura dois conceitos que costumam confundir: PA e IIS. A dica é verificar a transitividade do verbo: se for VTD, é PA; se for VTI/VI/VL, é IIS. Além disso, o termo "preposicionado" é um chamariz: o sujeito paciente nunca é preposicionado.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar "se" + verbo, pergunte: "o verbo pede objeto direto?" Se sim, é PA e o verbo concorda com o sujeito paciente. Se não, é IIS e o verbo fica no singular.

Conclusão

A afirmativa está errada porque classifica erroneamente o "se" como índice de indeterminação do sujeito e atribui a concordância a um termo preposicionado. O correto é: "se" = partícula apassivadora; verbo concorda com o sujeito paciente "os papéis". Portanto, gabarito: E (Errado).

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