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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FUNDATEC 2026

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa392860
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Bom Jesus (RS)
Ano
2026
Cargo
Prof ( )

Uso desmedido do celular está cada vez mais ligado a problemas físicos e mentais

 

Por Diogo Sponchiato e Victória Ribeiro

 

Nomofobia, FOMO, text neck, cibercondria, dependência digital... O dicionário de males plantados pela vida entre telas — quase todos com nomes derivados do inglês, a língua-mãe da comunicação on-line — não para de ganhar novas expressões. Não são patologias propriamente ditas, dessas com nome, sobrenome e código no receituário, mas preocupam médicos e pacientes por seus impactos cada vez mais expressivos no dia a dia. O motivo está à sua mão ou vista: o aparelho que nos acompanha para conversar, trabalhar, relaxar e pedir comida. Se cada época tem suas bênçãos e maldições, o celular do qual a sociedade já não pode se desgarrar é o símbolo máximo e tangível de que as comodidades e a conexão têm seu preço. Um preço cobrado na forma de distúrbios físicos e mentais que hoje protagonizam pesquisas científicas e são alvo de novas leis para resguardar cidadãos de todas as idades de um aparelho que cabe no bolso, mas, quando sai de lá (e como sai), pode incitar doenças já consagradas nos manuais médicos.

 

Semana sim, outra também, é publicado um estudo mostrando os efeitos colaterais e nocivos da onipresença das telas. Entre aqueles mais esperados e conhecidos, estão as repercussões psicológicas. Um novo trabalho do Imperial College London, na Inglaterra, com base em dados de 2.000 crianças e adolescentes, constatou que aquelas que ficavam mais de três horas por dia navegando nas redes sociais estavam mais expostas a ansiedade e depressão. Mas há consequências inusitadas também. Pesquisadores sul-coreanos detectaram que a postura e os movimentos cobrados pelo smartphone aumentam a formação de rugas na região do pescoço entre mulheres com menos de 30 anos — o esperado é que os vincos surjam depois dos 40.

 

Os brasileiros estão entre os povos mais conectados do planeta: são, em média, nove horas na internet diariamente. A grande questão é que, entre o estudo, o emprego e a diversão, a maquininha drena tempo, atenção e energia sem que a maioria das pessoas se dê conta. Mas basta algo sair do trilho (ou da tela) para começarem os problemas. “Hoje vemos uma necessidade crescente entre os indivíduos de permanecerem conectados, e há queixas frequentes de irritabilidade ou sofrimento quando há perda ou restrição do acesso”, diz a psicóloga Carla Cavalheiro, do Instituto de Psiquiatria da USP. O desafio é que plataformas como as redes sociais, a um toque dos dedos, são programadas para pescar a atenção do usuário. E, se o cérebro curtir a isca, ficará horas fisgado. Cada vez mais cientes desse cenário propício ao descontrole, as autoridades começam a tomar medidas, amparadas na lei, para mitigar os danos, que, além da saúde mental, também podem afligir os olhos, a coluna...

 

Trata-se de um comportamento que realmente tem as características de um vício. Embora a dependência digital ainda não seja uma classificação diagnóstica formal, especialistas afirmam que vem decolando o número de pacientes que procuram ajuda para ter uma relação mais equilibrada com a peça. “São pessoas com prejuízo funcional, sofrimento psíquico e perda de controle”, descreve Cavalheiro. “Elas vão negligenciando outras áreas da vida e continuam usando o aparelho mesmo percebendo os impactos negativos”.

 

Para não deixar a situação se desgovernar lá adiante, já há um consenso de que o uso de telas deve ser restringido na infância. Factível ou não, a missão dos pais começa a ser amparada por políticas públicas, como a proibição de celulares nas escolas brasileiras. “Um menino que passa oito horas por dia numa tela está sendo destruído. Isso deteriora sua capacidade de prestar atenção e sua saúde mental”, afirma o pediatra Daniel Becker. E não é só o bem-estar psíquico que será cobrado no futuro. A vida em ambientes fechados e cercada de telas já foi associada ao crescimento astronômico dos casos de miopia — metade do planeta deverá usar óculos até 2050 —, ao sedentarismo, que alimenta a pandemia de obesidade, e a uma porção de problemas posturais e ortopédicos que resultam em dores. A coluna que o diga. A cena é conhecida: cabeça inclinada, ombros projetados para a frente, olhar fixo na tela... “Repetida à exaustão, essa postura vai prejudicar a região cervical, podendo comprometer ombros, cintura e punhos e gerando dores persistentes”, diz o ortopedista Luiz Felipe Ambra. É assim que o celular se torna um propulsor de dores crônicas, que atacam até os dedos que não desgrudam da tela.

 

(Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/uso-desmedido-do-celular-esta-cada-vez-mais-ligado-a-problemas-fisicos-e-mentais – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando as características predominantes do texto em relação ao gênero, é correto afirmar que se trata de um texto:
  1. ADescritivo.
  2. BInjuntivo.
  3. CDissertativo-argumentativo.
  4. DD)Dissertativo-expositivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Dissertativo-argumentativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: dissertativo-argumentativo

Gabarito: letra C. O texto é dissertativo-argumentativo porque, embora apresente dados e citações (recursos também usados na exposição), a intenção predominante é persuadir o leitor a concordar com a tese de que o uso desmedido do celular causa problemas físicos e mentais. Como se lê já no título — “Uso desmedido do celular está cada vez mais ligado a problemas físicos e mentais” — e se confirma ao longo do texto, o autor defende um ponto de vista e o sustenta com argumentos, o que caracteriza a argumentação.

O comando

A questão pede que você identifique o gênero/tipo textual predominante — ou seja, a intenção comunicativa que organiza o texto. Não se trata de compreender o conteúdo, mas de classificar a tipologia com base na finalidade: narrar, descrever, expor, argumentar ou instruir. O comando “considerando as características predominantes” indica que o texto pode ter traços de mais de um tipo, mas você deve apontar o que prevalece.

O texto

O texto é uma reportagem da revista Veja sobre os males do uso excessivo do celular. A tese é clara: o celular, apesar das comodidades, cobra um preço em distúrbios físicos e mentais. Para sustentá-la, o autor argumenta com:

  • Dados de pesquisa (estudo do Imperial College London sobre ansiedade e depressão em crianças que usam redes sociais por mais de 3 horas);

  • Exemplos concretos (rugas no pescoço em mulheres jovens, miopia, sedentarismo, dores na coluna);

  • Opiniões de especialistas (psicóloga Carla Cavalheiro, pediatra Daniel Becker, ortopedista Luiz Felipe Ambra);

  • Apelos emocionais (“Um menino que passa oito horas por dia numa tela está sendo destruído”).

Todos esses elementos servem a um único propósito: convencer o leitor de que o uso desmedido do celular é nocivo e que medidas devem ser tomadas. Isso é argumentação, não mera exposição.

A técnica que decide

A distinção central é entre dissertativo-expositivo e dissertativo-argumentativo:

Critério

Dissertativo-expositivo

Dissertativo-argumentativo

Objetivo

Informar, explicar

Persuadir, convencer

Posição do autor

Neutra, impessoal

Defende uma tese

Recursos

Dados, definições, explicações

Argumentos, exemplos, opiniões de autoridade

Estrutura

Introdução, desenvolvimento, conclusão (recapitulação)

Introdução (tese), desenvolvimento (argumentos), conclusão (reafirmação)

O texto em questão não é neutro: o autor opina (“o celular do qual a sociedade já não pode se desgarrar é o símbolo máximo e tangível de que as comodidades e a conexão têm seu preço”) e defende essa opinião com argumentos. A presença de dados e citações não o torna expositivo, pois esses recursos são usados como estratégia argumentativa — para dar credibilidade à tese, não para informar imparcialmente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre expor e argumentar. O texto tem dados e citações (típicos da exposição), mas a intenção é persuadir. Não se deixe enganar pela aparência informativa: pergunte-se “o autor quer apenas informar ou quer convencer?”.

1Dissertativo-argumentativo
Tese (opinião)
Argumentos (dados, exemplos, autoridades)
Objetivo: persuadir
2Dissertativo-expositivo
Posição neutra
Objetivo: informar
3Descritivo
Caracteriza seres/objetos
Verbos de estado
4Injuntivo
Instrui/prescreve
Verbos no imperativo
Tipologia textual
LEVELsoulevel.com.br
Tipologia textual: Dissertativo-argumentativo (Tese (opinião), Argumentos (dados, exemplos, autoridades), Objetivo: persuadir); Dissertativo-expositivo (Posição neutra, Objetivo: informar); Descritivo (Caracteriza seres/objetos, Verbos de estado); Injuntivo (Instrui/prescreve, Verbos no imperativo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descritivo. O texto descritivo caracteriza pessoas, objetos, lugares ou situações, com riqueza de adjetivos e verbos de estado, sem progressão temporal. Aqui, embora haja trechos descritivos (“cabeça inclinada, ombros projetados para a frente, olhar fixo na tela”), eles são ilustrativos de um argumento, não o objetivo do texto. O texto não se limita a descrever; ele defende uma tese. Erro: tangenciar — foca em um traço secundário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Injuntivo. O texto injuntivo tem como objetivo instruir, dar ordens, orientações ou prescrever procedimentos (manuais, bulas, receitas). O texto não dá instruções ao leitor; ele discute um problema e defende uma posição. Não há verbos no imperativo orientando ações. Erro: fora do escopo — o texto não tem finalidade instrucional.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Dissertativo-argumentativo. O texto apresenta uma tese (o uso desmedido do celular causa problemas físicos e mentais) e a defende com argumentos: dados de pesquisa, opiniões de especialistas e exemplos. A intenção é persuadir o leitor. Como afirma o material de apoio, o dissertativo-argumentativo é “voltado para a exposição de uma TESE ou OPINIÃO, seguida de argumentos que visam convencer ou persuadir o leitor”. É exatamente o que ocorre aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Dissertativo-expositivo. O texto expositivo tem finalidade informativa, com posição neutra e impessoal. Embora o texto apresente dados e informações, ele não é neutro: o autor opina e defende uma tese. A presença de dados não torna o texto expositivo, pois eles são usados como argumentos. Erro: troca de conceito — confunde exposição com argumentação.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir expositivo de argumentativo, pergunte: “o autor quer apenas informar ou quer convencer?”. Se há uma tese defendida com argumentos, é argumentativo, mesmo que haja dados.

Gabarito: letra C.

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