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Questão de Português — Figuras de Linguagem — FUNDATEC 2026

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa393204
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Ivorá
Ano
2026
Cargo
ACS ( )

A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais

 

Por Alejandra Martins

 

Você tenta estudar, mas é difícil. Você lê o texto várias vezes, mas não retém nada. A solução não é necessariamente passar cada vez mais horas examinando suas anotações, segundo a especialista em educação Noelia Valle, professora de fisiologia da Universidade Francisco de Vitoria, na Espanha.

 

“Imagine tentar encher uma garrafa d’água com uma mangueira de incêndio com potência máxima”, compara ela, em um artigo no site de notícias acadêmicas The Conversation. “A maior parte da água seria derramada e a garrafa continuaria meio vazia”. A educadora explicou por que o enfoque quantitativo costuma ser ineficaz: “O cérebro humano não aprende por acumulação, mas por integração”, segundo ela. O motivo tem a ver com dois conceitos fundamentais: memória de trabalho e carga cognitiva. E, quando o assunto é aprendizado, menos é mais, afirma a especialista.

 

Valle compartilhou conselhos práticos para melhorar nosso rendimento nos estudos. A memória de trabalho está ligada à capacidade ou ao espaço de trabalho cerebral que manipula certas informações de forma temporária, a fim de realizar tarefas complexas, como o raciocínio. Ela é o processador ou a RAM do nosso cérebro, ou seja, a capacidade de reter e manipular informações durante um breve período de tempo. “É como uma tábua de cortar, o espaço físico onde você coloca todos os ingredientes que precisa cortar e misturar”, compara ela. “Se você colocar ingredientes demais, eles irão cair da tábua. A memória de trabalho não pode ‘cozinhar’ (processar) mais do que cabe naquela tábua”. Portanto, a carga cognitiva é a quantidade de esforço mental (a receita) que a memória de trabalho deve realizar para processar (cozinhar) as novas informações, segundo Valle.

 

A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema, e a extrínseca, que pode aumentar quando o esforço mental for inútil, por ser provocado por explicações confusas ou excesso de estímulos, explica a educadora. “Fazer um ovo frito traz menos carga cognitiva intrínseca do que cozinhar uma paella à valenciana”, compara ela. “E, se a receita estiver mal redigida, se faltar luz ou se alguém estiver perturbando enquanto você cozinha, a dificuldade (carga extrínseca) do processo aumenta”. Nossa capacidade de aprender depende do uso eficiente da nossa memória de trabalho, segundo Valle.

 

O problema é que a nossa capacidade é muito limitada e só pode conter de cinco a nove elementos. Tanto é assim que, se excedermos essa capacidade, se recebermos mais informações em um mesmo momento do que nosso cérebro pode processar, elas irão se perder. Evidências indicam que é mais eficaz estudar duas horas por dia por várias semanas do que estudar muitas horas seguidas no mesmo dia, segundo a educadora. E, nessas duas horas, é importante fazer intervalos para descansar.

 

(Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/ckg1y1gzgypo – texto adaptado especialmente para esta prova).

Ao utilizar expressões como “paella à valenciana” para explicar o funcionamento do cérebro, o texto apresenta um recurso que demonstra:
  1. APredomínio da tipologia textual injuntiva.
  2. BIntertextualidade por meio de analogias.
  3. CUso exclusivo de linguagem técnica.
  4. DEstrutura narrativa de ficção científica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Intertextualidade por meio de analogias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Analogia: a comparação que explica o cérebro

Gabarito: letra B. A expressão “paella à valenciana” é usada como analogia — uma comparação implícita entre o esforço mental (carga cognitiva) e o ato de cozinhar — para tornar concreto um conceito abstrato. O texto não cita outro texto, não usa linguagem exclusivamente técnica, não é injuntivo e não narra ficção científica.

O comando

A questão pede que você identifique o recurso expressivo usado no trecho: “Ao utilizar expressões como ‘paella à valenciana’ para explicar o funcionamento do cérebro, o texto apresenta um recurso que demonstra”. Isso é uma tarefa de interpretação de recursos de linguagem — você deve reconhecer a figura e relacioná-la ao efeito que produz no texto. Não se trata de compreensão literal, mas de análise do como o autor constrói o sentido.

O texto e o movimento argumentativo

O texto explica a carga cognitiva e a memória de trabalho usando comparações do cotidiano: a memória é comparada a uma “tábua de cortar” e a uma “mangueira de incêndio”; a carga cognitiva, a uma “receita”. A passagem decisiva está no 3º parágrafo:

“Fazer um ovo frito traz menos carga cognitiva intrínseca do que cozinhar uma paella à valenciana”

Aqui, a autora aproxima dois domínios diferentes — o esforço mental e o preparo de um prato — para ilustrar a diferença entre cargas cognitivas. Essa aproximação é uma analogia: uma comparação implícita que transfere características de um campo (cozinha) para outro (cognição). O objetivo é didático: tornar o abstrato concreto.

A técnica que decide

A analogia é uma figura de linguagem que estabelece uma relação de semelhança entre dois elementos de universos distintos. Diferente da metáfora (que substitui um termo por outro: “a memória é uma tábua”), a analogia explicita a comparação — aqui, o texto diz que “fazer um ovo frito” equivale a uma carga menor, e “cozinhar uma paella” a uma maior. O leitor entende que, assim como a paella exige mais ingredientes e passos, certos conteúdos exigem mais esforço mental.

A alternativa B fala em “intertextualidade por meio de analogias”. Intertextualidade, em sentido estrito, é o diálogo entre textos (citação, paródia, alusão). Aqui não há referência a outro texto — há apenas o uso de uma analogia como recurso explicativo. A banca usa o termo de forma ampla, mas o núcleo é a analogia, que é o recurso que “demonstra” o funcionamento do cérebro.

Análise das alternativas

1Comparação implícita
Aproxima dois universos
Explica o abstrato pelo concreto
2Efeito didático
Torna o conceito acessível
3Distinção da metáfora
Metáfora: substitui
Analogia: compara explicitamente
Analogia
LEVELsoulevel.com.br
Analogia: Comparação implícita (Aproxima dois universos, Explica o abstrato pelo concreto); Efeito didático (Torna o conceito acessível); Distinção da metáfora (Metáfora: substitui, Analogia: compara explicitamente)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Predomínio da tipologia textual injuntiva. O texto é dissertativo-argumentativo: apresenta uma tese (“menos é mais”), explica conceitos e defende um ponto de vista. Não há instruções ou ordens ao leitor (como “faça isso”, “estude assim”), que caracterizariam o tipo injuntivo. A analogia da paella é explicativa, não prescritiva. Erro: contradiz o texto — o texto não é injuntivo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Intertextualidade por meio de analogias. A expressão “paella à valenciana” é uma analogia — comparação implícita entre o esforço mental e o ato de cozinhar. O texto usa essa comparação para explicar a carga cognitiva, como se vê no trecho:

“Fazer um ovo frito traz menos carga cognitiva intrínseca do que cozinhar uma paella à valenciana”

A analogia é o recurso que demonstra o funcionamento do cérebro, aproximando o abstrato (carga cognitiva) do concreto (cozinhar). A banca chama de “intertextualidade” de forma ampla, mas o essencial é a analogia — e é isso que a alternativa captura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Uso exclusivo de linguagem técnica. O texto não usa apenas linguagem técnica; pelo contrário, recorre a comparações do cotidiano (tábua de cortar, mangueira de incêndio, ovo frito, paella) para didatizar o conteúdo. A palavra “exclusivo” é o alerta: o texto mistura termos técnicos (“memória de trabalho”, “carga cognitiva”) com exemplos populares. Erro: restringe — o texto não é exclusivamente técnico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Estrutura narrativa de ficção científica. O texto é um artigo de divulgação científica, não uma narrativa. Não há enredo, personagens ou elementos de ficção científica. A analogia da paella é apenas um exemplo, não uma história. Erro: fuga ao tema — a alternativa fala de algo que o texto não aborda.

Fechamento

A questão testa sua capacidade de reconhecer a função de um recurso expressivo no texto. A analogia é a figura que aproxima dois universos para explicar um conceito. Ao ver uma comparação implícita, pergunte: “que relação o autor estabelece?” — se for de semelhança para explicar, é analogia. Gabarito: letra B.

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