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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2026

PortuguêsConjunção
Código
qa393205
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Ivorá
Ano
2026
Cargo
ACS ( )

A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais

 

Por Alejandra Martins

 

Você tenta estudar, mas é difícil. Você lê o texto várias vezes, mas não retém nada. A solução não é necessariamente passar cada vez mais horas examinando suas anotações, segundo a especialista em educação Noelia Valle, professora de fisiologia da Universidade Francisco de Vitoria, na Espanha.

 

“Imagine tentar encher uma garrafa d’água com uma mangueira de incêndio com potência máxima”, compara ela, em um artigo no site de notícias acadêmicas The Conversation. “A maior parte da água seria derramada e a garrafa continuaria meio vazia”. A educadora explicou por que o enfoque quantitativo costuma ser ineficaz: “O cérebro humano não aprende por acumulação, mas por integração”, segundo ela. O motivo tem a ver com dois conceitos fundamentais:  memória de trabalho e carga cognitiva. E, quando o assunto é aprendizado, menos é mais, afirma a especialista.

 

Valle compartilhou conselhos práticos para melhorar nosso rendimento nos estudos. A memória de trabalho está ligada à capacidade ou ao espaço de trabalho cerebral que manipula certas informações de forma temporária, a fim de realizar tarefas complexas, como o raciocínio. Ela é o processador ou a RAM do nosso cérebro, ou seja, a capacidade de reter e manipular informações durante um breve período de tempo. “É como uma tábua de cortar, o espaço físico onde você coloca todos os ingredientes que precisa cortar e misturar”, compara ela. “Se você colocar ingredientes demais, eles irão cair da tábua. A memória de trabalho não pode ‘cozinhar’ (processar) mais do que cabe naquela tábua”. Portanto, a carga cognitiva é              quantidade de esforço mental (a receita) que a memória de trabalho deve realizar para processar (cozinhar) as novas informações, segundo Valle.

 

A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema, e a extrínseca, que pode aumentar quando o esforço mental for inútil, por ser provocado por explicações confusas ou excesso de estímulos, explica a educadora. “Fazer um ovo frito traz menos carga cognitiva intrínseca do que cozinhar uma paella à valenciana”, compara ela. “E, se a receita estiver mal redigida, se faltar luz ou se alguém estiver perturbando enquanto você cozinha, a dificuldade (carga extrínseca) do processo aumenta”. Nossa capacidade de aprender depende do uso eficiente da nossa memória de trabalho, segundo Valle.

 

O problema é que a nossa capacidade é muito limitada e só pode conter de cinco a nove elementos. Tanto é assim que, se excedermos essa capacidade, se recebermos mais informações em um mesmo momento do que nosso cérebro pode processar, elas irão se perder. Evidências indicam que é mais eficaz estudar duas horas por dia por várias semanas do que estudar muitas horas seguidas no mesmo dia, segundo a educadora. E, nessas duas horas, é importante fazer intervalos para descansar.

 

(Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/ckg1y1gzgypo – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho “Portanto, a carga cognitiva é ___ quantidade de esforço mental [...]”, o conectivo “portanto” introduz uma:
  1. AJustificativa teórica.
  2. BOposição de ideias.
  3. CCondição necessária.
  4. DConclusão lógica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Conclusão lógica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conectivo "portanto" — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. O conectivo "portanto" introduz uma conclusão lógica, pois retoma a explicação anterior sobre a memória de trabalho e a carga cognitiva para apresentar a definição desta última como um desfecho do raciocínio. Como se lê no 3º parágrafo: "Portanto, a carga cognitiva é ___ quantidade de esforço mental (a receita) que a memória de trabalho deve realizar para processar (cozinhar) as novas informações". A palavra "portanto" é uma conjunção coordenativa conclusiva, que sinaliza que a informação seguinte é uma consequência ou síntese do que foi dito antes.

O comando

A questão pede que você identifique a relação semântica que o conectivo "portanto" estabelece no trecho. Isso é uma questão de coesão sequencial: o foco não é o significado isolado da palavra, mas o efeito de sentido que ela cria entre as partes do texto. Para resolver, você precisa (1) reconhecer a classe do conectivo (conjunção coordenativa conclusiva) e (2) verificar se o contexto confirma esse valor — ou seja, se a oração introduzida por "portanto" é uma conclusão do que veio antes.

O texto e o movimento argumentativo

O texto explica por que estudar mais tempo nem sempre ajuda a aprender. No 3º parágrafo, a autora define memória de trabalho (a "tábua de cortar" onde as informações são processadas) e, em seguida, usa o conectivo "portanto" para introduzir a definição de carga cognitiva:

"Portanto, a carga cognitiva é ___ quantidade de esforço mental (a receita) que a memória de trabalho deve realizar para processar (cozinhar) as novas informações"

A definição de carga cognitiva depende do conceito de memória de trabalho apresentado antes. O "portanto" sinaliza que o que vem a seguir é uma conclusão — um fechamento lógico do raciocínio que vinha sendo construído. Não há oposição, condição ou justificativa: há uma síntese.

A técnica que decide

Conjunções coordenativas conclusivas (portanto, logo, pois deslocado, por conseguinte, assim) introduzem uma ideia de conclusão ou consequência em relação à oração anterior. Para testar, substitua mentalmente "portanto" por "logo" ou "por conseguinte": se a frase continuar fazendo sentido, o valor é conclusivo. No trecho, "Logo, a carga cognitiva é a quantidade de esforço mental..." funciona perfeitamente — confirma a conclusão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conectivos de causa (justificativa) e de conclusão. A alternativa A ("justificativa teórica") parece atraente porque a definição de carga cognitiva é uma explicação, mas o conectivo "portanto" não introduz uma causa — ele introduz o resultado do raciocínio. A causa estaria marcada por "porque", "pois", "já que".

Alternativa A — ❌ Incorreta

Justificativa teórica. O conectivo "portanto" não introduz uma justificativa. Uma justificativa explicaria por que algo é verdadeiro (marcada por "porque", "pois", "já que"). No trecho, a definição de carga cognitiva é apresentada como consequência da explicação anterior sobre a memória de trabalho, não como causa. A alternativa confunde causa com conclusão — são relações inversas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Oposição de ideias. Oposição seria marcada por "mas", "porém", "contudo", "entretanto". No trecho, não há quebra de expectativa nem contraste entre a memória de trabalho e a carga cognitiva — há uma relação de continuidade lógica. A alternativa troca o conectivo conclusivo por um adversativo, que não existe no contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Condição necessária. Condição seria marcada por "se", "caso", "desde que", "contanto que". O trecho não estabelece uma relação condicional ("se X, então Y"); ele apresenta uma definição como desfecho do raciocínio. A alternativa introduz uma relação lógica que o texto não autoriza — é uma extrapolação do valor semântico do conectivo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conclusão lógica. O conectivo "portanto" é uma conjunção coordenativa conclusiva. No trecho, ele retoma a explicação sobre a memória de trabalho (a "tábua de cortar") e apresenta a definição de carga cognitiva como síntese desse raciocínio. A passagem "Portanto, a carga cognitiva é ___ quantidade de esforço mental..." confirma que a informação seguinte é uma conclusão do que foi dito antes. Substituir por "logo" mantém o sentido: "Logo, a carga cognitiva é...".

PEGA ESSA DICA!

Para questões de conectivo, teste a substituição por um sinônimo da mesma classe. Se "portanto" pode virar "logo" ou "por conseguinte" sem mudar o sentido, o valor é conclusivo. Se pudesse virar "mas", seria adversativo; se virasse "porque", seria causal.

Gabarito: letra D. A regra de ouro: o conectivo não tem sentido fixo fora do contexto — é a relação entre as ideias que define seu valor. No trecho, "portanto" amarra a explicação anterior e a definição seguinte, marcando uma conclusão lógica.

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