Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2026

PortuguêsCrase
Código
qa393208
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Ivorá
Ano
2026
Cargo
ACS ( )

A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais

 

Por Alejandra Martins

 

Você tenta estudar, mas é difícil. Você lê o texto várias vezes, mas não retém nada. A solução não é necessariamente passar cada vez mais horas examinando suas anotações, segundo a especialista em educação Noelia Valle, professora de fisiologia da Universidade Francisco de Vitoria, na Espanha.

 

“Imagine tentar encher uma garrafa d’água com uma mangueira de incêndio com potência máxima”, compara ela, em um artigo no site de notícias acadêmicas The Conversation. “A maior parte da água seria derramada e a garrafa continuaria meio vazia”. A educadora explicou por que o enfoque quantitativo costuma ser ineficaz: “O cérebro humano não aprende por acumulação, mas por integração”, segundo ela. O motivo tem a ver com dois conceitos fundamentais: memória de trabalho e carga cognitiva. E, quando o assunto é aprendizado, menos é mais, afirma a especialista.

 

Valle compartilhou conselhos práticos para melhorar nosso rendimento nos estudos. A memória de trabalho está ligada ___ capacidade ou ao espaço de trabalho cerebral que manipula certas informações de forma temporária, a fim de realizar tarefas complexas, como o raciocínio. Ela é o processador ou a RAM do nosso cérebro, ou seja, ___ capacidade de reter e manipular informações durante um breve período de tempo. “É como uma tábua de cortar, o espaço físico onde você coloca todos os ingredientes que precisa cortar e misturar”, compara ela. “Se você colocar ingredientes demais, eles irão cair da tábua. A memória de trabalho não pode ‘cozinhar’ (processar) mais do que cabe naquela tábua”. Portanto, a carga cognitiva é ___ quantidade de esforço mental (a receita) que a memória de trabalho deve realizar para processar (cozinhar) as novas informações, segundo Valle.

 

A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema, e a extrínseca, que pode aumentar quando o esforço mental for inútil, por ser provocado por explicações confusas ou excesso de estímulos, explica a educadora. “Fazer um ovo frito traz menos carga cognitiva intrínseca do que cozinhar uma paella à valenciana”, compara ela. “E, se a receita estiver mal redigida, se faltar luz ou se alguém estiver perturbando enquanto você cozinha, a dificuldade (carga extrínseca) do processo aumenta”. Nossa capacidade de aprender depende do uso eficiente da nossa memória de trabalho, segundo Valle.

 

O problema é que a nossa capacidade é muito limitada e só pode conter de cinco a nove elementos. Tanto é assim que, se excedermos essa capacidade, se recebermos mais informações em um mesmo momento do que nosso cérebro pode processar, elas irão se perder. Evidências indicam que é mais eficaz estudar duas horas por dia por várias semanas do que estudar muitas horas seguidas no mesmo dia, segundo a educadora. E, nessas duas horas, é importante fazer intervalos para descansar.

 

(Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/ckg1y1gzgypo – texto adaptado especialmente para esta prova).

Em relação ao acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do texto.
  1. Aà – a – a
  2. Ba – a – à
  3. Ca – à – a
  4. Dà – à – a
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — à – a – a

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase nas lacunas do texto — Gabarito: letra A.

A sequência correta é à – a – a, como se lê no trecho: “A memória de trabalho está ligada à capacidade ou ao espaço de trabalho cerebral que manipula certas informações de forma temporária, a fim de realizar tarefas complexas, como o raciocínio. Ela é o processador ou a RAM do nosso cérebro, ou seja, a capacidade de reter e manipular informações durante um breve período de tempo.” A primeira lacuna exige crase (preposição a + artigo a), enquanto a segunda e a terceira recebem apenas a preposição a, sem artigo, pois os termos seguintes são verbos no infinitivo.

O comando da questão

O enunciado pede que você preencha as lacunas com o acento indicativo de crase, correta e respectivamente. Isso significa que você deve analisar cada lacuna isoladamente, verificando se há a fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou com o a inicial de pronomes demonstrativos). A crase nunca ocorre antes de verbo, pois não há artigo antes de verbo. Essa é a chave para resolver a questão.

O texto e a localização das lacunas

O texto trata da carga cognitiva e da memória de trabalho. As lacunas estão no segundo parágrafo, em um trecho que define esses conceitos. A primeira lacuna está após o verbo ligada (que exige a preposição a), a segunda após a expressão ou seja (que introduz uma explicação) e a terceira após o verbo é (que liga o sujeito ao predicativo).

A técnica que decide: crase = preposição + artigo

A crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou com o a inicial de pronomes demonstrativos). Para saber se há crase, você precisa verificar duas coisas: (1) se o termo anterior exige a preposição a; (2) se o termo seguinte é uma palavra feminina que aceita o artigo a. Se ambos ocorrerem, há crase. Se faltar um deles, não há.

No caso da primeira lacuna, o verbo ligar (no sentido de conectar) exige a preposição a: quem está ligado, está ligado a algo. O termo seguinte é capacidade, um substantivo feminino que aceita o artigo a. Portanto, temos a (preposição) + a (artigo) = à.

Na segunda lacuna, a expressão ou seja introduz uma explicação. O termo seguinte é capacidade, mas aqui ele está seguido de um verbo no infinitivo: capacidade de reter e manipular. Nesse caso, capacidade está sendo usado de forma genérica, sem artigo definido. Além disso, a preposição a não é exigida por nenhum termo anterior. Portanto, não há crase: apenas a preposição a (ou nenhuma preposição, dependendo da análise). Na verdade, a lacuna é preenchida apenas com a preposição a, que rege o verbo reter (capacidade de reter = capacidade a reter? Não, aqui a preposição é de, não a). Vamos analisar com calma.

Na segunda lacuna, o trecho é: “ou seja, a capacidade de reter e manipular informações”. Aqui, a é apenas o artigo feminino que acompanha capacidade, e não há preposição. Portanto, não há crase. A banca coloca a lacuna para testar se você sabe que, antes de verbo, não há crase, e que o artigo a sozinho não recebe acento grave.

Na terceira lacuna, o trecho é: “a carga cognitiva é a quantidade de esforço mental”. Aqui, a é o artigo feminino que acompanha quantidade, e não há preposição. Portanto, não há crase. Novamente, a banca testa a ausência de crase antes de substantivo feminino sem preposição.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência à – a – a está correta. A primeira lacuna tem crase (preposição a + artigo a), a segunda e a terceira têm apenas o artigo a (sem preposição). Isso é confirmado pelo trecho: “A memória de trabalho está ligada à capacidade” e “ou seja, a capacidade de reter” e “a carga cognitiva é a quantidade”.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência a – a – à está incorreta. A primeira lacuna deveria ter crase (à), pois há preposição + artigo. A terceira lacuna não deveria ter crase, pois quantidade não é precedida de preposição. A banca tenta confundir ao colocar crase na terceira lacuna, mas o texto não autoriza.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência a – à – a está incorreta. A primeira lacuna deveria ter crase (à), e a segunda não deveria ter crase, pois capacidade está antes de verbo e não há preposição. A banca inverte a primeira e a segunda lacunas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência à – à – a está incorreta. A segunda lacuna não deveria ter crase, pois capacidade está antes de verbo e não há preposição. A banca coloca crase em duas lacunas, mas apenas a primeira tem crase.

Conclusão

A resposta correta é a letra A. A crase ocorre apenas na primeira lacuna, pois há a fusão da preposição a (exigida por ligada) com o artigo a (que acompanha capacidade). Nas demais lacunas, não há preposição, apenas o artigo a, que não recebe acento grave. Lembre-se: crase é a fusão de duas vogais a; se não houver preposição, não há crase.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, teste cada lacuna substituindo o termo feminino por um masculino. Se aparecer ao, há crase; se aparecer o, não há. Ex.: “ligada ao espaço” (masculino) → “ligada à capacidade” (feminino) → crase. “a capacidade de reter” → “o capacidade”? Não, não faz sentido, então não há artigo definido, logo não há crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a preposição a (sem crase) e a crase em locuções adverbiais femininas, além de testar a regra de que não há crase antes de verbo. A pegadinha está em achar que a capacidade (segunda lacuna) e a quantidade (terceira lacuna) deveriam ter crase por serem femininas, mas estão antes de verbos no infinitivo.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qa393208