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Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — FUNDATEC 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Adjetivas
Código
qa393209
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Ivorá
Ano
2026
Cargo
ACS ( )

A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais

 

Por Alejandra Martins

 

Você tenta estudar, mas é difícil. Você lê o texto várias vezes, mas não retém nada. A solução não é necessariamente passar cada vez mais horas examinando suas anotações, segundo a especialista em educação Noelia Valle, professora de fisiologia da Universidade Francisco de Vitoria, na Espanha.

 

“Imagine tentar encher uma garrafa d’água com uma mangueira de incêndio com potência máxima”, compara ela, em um artigo no site de notícias acadêmicas The Conversation. “A maior parte da água seria derramada e a garrafa continuaria meio vazia”. A educadora explicou por que o enfoque quantitativo costuma ser ineficaz: “O cérebro humano não aprende por acumulação, mas por integração”, segundo ela. O motivo tem a ver com dois conceitos fundamentais: memória de trabalho e carga cognitiva. E, quando o assunto é aprendizado, menos é mais, afirma a especialista.

 

Valle compartilhou conselhos práticos para melhorar nosso rendimento nos estudos. A memória de trabalho está ligada à capacidade ou ao espaço de trabalho cerebral que manipula certas informações de forma temporária, a fim de realizar tarefas complexas, como o raciocínio. Ela é o processador ou a RAM do nosso cérebro, ou seja, a capacidade de reter e manipular informações durante um breve período de tempo. “É como uma tábua de cortar, o espaço físico onde você coloca todos os ingredientes que precisa cortar e misturar”, compara ela. “Se você colocar ingredientes demais, eles irão cair da tábua. A memória de trabalho não pode ‘cozinhar’ (processar) mais do que cabe naquela tábua”. Portanto, a carga cognitiva é a quantidade de esforço mental (a receita) que a memória de trabalho deve realizar para processar (cozinhar) as novas informações, segundo Valle.

 

A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema, e a extrínseca, que pode aumentar quando o esforço mental for inútil, por ser provocado por explicações confusas ou excesso de estímulos, explica a educadora. “Fazer um ovo frito traz menos carga cognitiva intrínseca do que cozinhar uma paella à valenciana”, compara ela. “E, se a receita estiver mal redigida, se faltar luz ou se alguém estiver perturbando enquanto você cozinha, a dificuldade (carga extrínseca) do processo aumenta”. Nossa capacidade de aprender depende do uso eficiente da nossa memória de trabalho, segundo Valle.

 

O problema é que a nossa capacidade é muito limitada e só pode conter de cinco a nove elementos. Tanto é assim que, se excedermos essa capacidade, se recebermos mais informações em um mesmo momento do que nosso cérebro pode processar, elas irão se perder. Evidências indicam que é mais eficaz estudar duas horas por dia por várias semanas do que estudar muitas horas seguidas no mesmo dia, segundo a educadora. E, nessas duas horas, é importante fazer intervalos para descansar.

 

(Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/ckg1y1gzgypo – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho “A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema [...]”, retirado do texto, o termo “que” classifica-se como:
  1. APronome relativo.
  2. BConjunção integrante.
  3. CConjunção explicativa.
  4. DConjunção conclusiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Pronome relativo.

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O "que" como pronome relativo: identificando a oração adjetiva

Gabarito: letra A. No trecho “A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema [...]”, o termo "que" classifica-se como pronome relativo, pois retoma o substantivo "a intrínseca" e introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa. A prova está na possibilidade de substituir "que" por "a qual" e na função adjetiva da oração: ela caracteriza o antecedente, exatamente como um adjetivo faria.

O comando: classificação morfossintática

A questão pede a classificação do "que" no trecho destacado. Isso exige analisar a função sintática que ele exerce e a relação que estabelece entre as orações. Não se trata de interpretação de sentido, mas de gramática aplicada ao texto: identificar se o "que" é pronome relativo (inicia oração adjetiva), conjunção integrante (inicia oração substantiva) ou conjunção coordenativa (liga orações independentes).

O texto: onde mora a resposta

No trecho, a oração "que é a dificuldade inerente do tema" está entre vírgulas e se refere diretamente a "a intrínseca". Observe:

"A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema [...]"

O "que" retoma "a intrínseca" (substantivo feminino singular) e poderia ser trocado por "a qual": "a intrínseca, a qual é a dificuldade inerente do tema". Essa substituição é o teste clássico do pronome relativo. Além disso, a oração introduzida por ele caracteriza o antecedente, funcionando como um adjetivo: "a intrínseca = a que é a dificuldade inerente". Trata-se de uma oração subordinada adjetiva explicativa, pois vem separada por vírgula e acrescenta uma explicação sobre um termo já específico (a carga intrínseca).

A técnica que decide: o teste do pronome relativo

Para não errar, use dois testes:

  1. Substituição por "o qual/a qual/os quais/as quais": se couber, é pronome relativo. Aqui: "a intrínseca, a qual é a dificuldade..." → coube.

  2. Função de retomada: o pronome relativo sempre retoma um termo anterior (o antecedente). O "que" retoma "a intrínseca". Já a conjunção integrante não retoma nada; ela apenas introduz uma oração que funciona como substantivo (ex.: "Espero que você estude" → "Espero isso").

No trecho, não é possível trocar a oração por "isso": "a intrínseca, isso é a dificuldade" não faz sentido. Portanto, não é conjunção integrante.

Análise das alternativas

1Pronome relativo
Retoma termo anterior
Substituível por "o qual/a qual"
Inicia oração adjetiva
2Conjunção integrante
Inicia oração substantiva
Substituível por "isso"
3Conjunção coordenativa
Explicativa (pois, porque)
Conclusiva (logo, portanto)
"Que" — classificação
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"Que" — classificação: Pronome relativo (Retoma termo anterior, Substituível por "o qual/a qual", Inicia oração adjetiva); Conjunção integrante (Inicia oração substantiva, Substituível por "isso"); Conjunção coordenativa (Explicativa (pois, porque), Conclusiva (logo, portanto))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pronome relativo. O "que" retoma "a intrínseca" e introduz oração subordinada adjetiva explicativa. Prova: substituição por "a qual" e a função adjetiva de caracterizar o antecedente. É a única classificação que se sustenta no trecho.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conjunção integrante. A conjunção integrante introduz oração subordinada substantiva, que exerce função de sujeito, objeto, complemento etc., e pode ser substituída por "isso". No trecho, a oração "que é a dificuldade inerente" não exerce função substantiva; ela caracteriza o substantivo "a intrínseca". Além disso, não cabe a substituição por "isso". Erro: troca de conceito — confunde oração adjetiva com substantiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conjunção explicativa. A conjunção explicativa (como "pois", "porque") liga orações coordenadas, explicando o motivo da anterior. No trecho, o "que" não liga orações independentes; ele subordina uma oração a um termo da principal. A oração "que é a dificuldade inerente" não explica o porquê de algo, apenas qualifica o antecedente. Erro: troca de conceito — confunde subordinação adjetiva com coordenação explicativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Conjunção conclusiva. A conjunção conclusiva (como "logo", "portanto") introduz uma conclusão a partir da oração anterior. No trecho, não há relação de conclusão; o "que" apenas retoma e caracteriza. Erro: troca de conceito — atribui valor conclusivo a um pronome relativo.

Fechamento

A regra de ouro: todo "que" que puder ser substituído por "o qual/a qual" e retomar um termo anterior é pronome relativo. As conjunções (integrante, explicativa, conclusiva) não retomam termos e não admitem essa troca. Questão resolvida com o teste da substituição — guarde esse método para todas as questões de classificação do "que".

Gabarito: letra A.

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