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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — Avança SP 2026

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
qa393217
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Taiúva
Ano
2026
Cargo
Ass Soc ( )

Não tenho medo de avião

 

Acho avião uma criatura muito simpática – me parece um golfinho metálico, de óculos escuros, com enormes nadadeiras e uma barbatana retardatária, lá na cauda.

 

Tampouco tenho medo de voar.

 

Meu medo é justamente que, em algum momento entre a decolagem e o pouso, ele não voe.

 

Toda véspera de voo, vem esse sobressalto: e se...

 

Sim, já trabalhei isso na análise. Era culpa. A queda seria a punição por eu estar me divertindo (mesmo que a viagem seja a trabalho), gastando dinheiro à toa (mesmo que a passagem seja paga pelo patrão, pelo cliente ou cortesia da companhia aérea).

 

Meu id e meu ego entenderam perfeitamente e se puseram de acordo. O problema sempre foi o superego, que invariavelmente pedia para ir ao banheiro quando esse assunto vinha à tona – e se escafedia no meio da sessão.

 

Tirando uma vez, num voo da Pluna para Madri, em que meu assento não existia (e uma comissária teve que ir em pé para que eu pudesse me sentar) e um aguaceiro (certamente condensação de ar condicionado) desabou sobre minha cabeça, e me fez cruzar o Atlântico mais encharcado do que se tivesse ido a nado. (...)

 

Tirando isso – e alguns outros perrengues de menor porte – nunca tive motivos para ter medo de fazer check-in, afivelar os cintos, etc. Mas não deixo de ter vontade de fazer algum comentário que, caso ocorra o pior, possa ser interpretado como “Nossa, era um pressentimento!”. (...)

 

Se na hora em que você estiver lendo este texto (...) eu já tiver desembarcado em Congonhas, são e salvo, terá sido um texto como qualquer outro. Caso contrário, não faltará quem diga “Gente, parece que ele sabia!”.

 

Não, não sabia. A gente quase que nada sabe – mas desconfia de muita coisa, como escreveu Guimarães Rosa.

 

AFFONSO, Eduardo. Não tenho medo de avião. Veja Rio. Disponível em <https://vejario.abril.com.br/coluna/lu-lacerda/cronica-por-eduardo-affonso-nao-tenho-medo-de-aviao/>.

Leia o texto a seguir para responder a questão.     O narrador do texto “Não tenho medo de avião” se caracteriza por fazer a narração em:
  1. Aprimeira pessoa, de maneira bastante próxima do leitor, com um tom bem subjetivo.
  2. Bprimeira pessoa, de maneira bastante distante do leitor, com um tom bem objetivo.
  3. Cterceira pessoa, de maneira bastante próxima do leitor, com um tom bem subjetivo.
  4. Dterceira pessoa, de maneira bastante distante do leitor, com um tom bem objetivo.
  5. Esegunda pessoa, contando fatos que aconteceram com alguém conhecido do autor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — primeira pessoa, de maneira bastante próxima do leitor, com um tom bem subjetivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pessoa do Discurso e Tom na Narração

Gabarito: letra A. O narrador do texto se caracteriza por narrar em primeira pessoa, de maneira bastante próxima do leitor, com tom bem subjetivo — como se comprova pelo uso constante de verbos e pronomes de 1ª pessoa ("acho", "meu", "eu") e pela exposição de sentimentos e opiniões pessoais. A passagem que ancora essa leitura é o trecho em que o autor confessa:

"Meu medo é justamente que, em algum momento entre a decolagem e o pouso, ele não voe."

Aqui ele fala de si, de sua própria emoção, o que é a marca da subjetividade.

O Comando

A questão pede que você identifique como o narrador se caracteriza: em que pessoa gramatical ele narra e qual é a relação com o leitor (próxima ou distante) e o tom (subjetivo ou objetivo). Isso é uma questão de compreensão direta — a resposta está explícita no texto, não exige inferência. Basta observar as marcas linguísticas de pessoa e o conteúdo emocional.

O Texto

O texto é uma crônica em que o autor fala de si, de seu medo de avião. Desde o título — "Não tenho medo de avião" — até o final, tudo é narrado em 1ª pessoa: "Acho avião uma criatura muito simpática", "Tampouco tenho medo de voar", "Meu medo é justamente...", "Sim, já trabalhei isso na análise". O narrador é também o personagem principal, e ele expõe seus pensamentos, sentimentos e até sua análise psicanalítica. Isso cria uma proximidade com o leitor, como se estivesse conversando, e um tom subjetivo, pois tudo é filtrado pela visão pessoal do autor.

A Técnica que Decide

A chave está em identificar a pessoa do discurso pelas desinências verbais e pronomes. No texto, os verbos estão quase todos na 1ª pessoa do singular ("acho", "tenho", "trabalhei", "desconfio"), e os pronomes possessivos "meu", "minha" reforçam essa marca. A proximidade com o leitor vem do tom confessional e coloquial — o autor compartilha medos íntimos e até piadas internas ("meu id e meu ego entenderam perfeitamente"). O tom subjetivo é evidente porque o texto não relata fatos objetivos, mas sim impressões, sentimentos e opiniões pessoais.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a pessoa do discurso, grife todos os verbos e pronomes do texto. Se a maioria estiver em 1ª pessoa (eu/meu/minha), a narração é em 1ª pessoa. O tom (subjetivo/objetivo) se revela pela presença de opiniões e sentimentos.

1Pessoa do discurso
1ª pessoa (eu/meu)
2ª pessoa (tu/você)
3ª pessoa (ele/ela)
2Relação com o leitor
Próxima (confessional)
Distante (impessoal)
3Tom
Subjetivo (opiniões/sentimentos)
Objetivo (fatos neutros)
Narrador
LEVELsoulevel.com.br
Narrador: Pessoa do discurso (1ª pessoa (eu/meu), 2ª pessoa (tu/você), 3ª pessoa (ele/ela)); Relação com o leitor (Próxima (confessional), Distante (impessoal)); Tom (Subjetivo (opiniões/sentimentos), Objetivo (fatos neutros))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque o texto é narrado integralmente em primeira pessoa, com proximidade do leitor e tom subjetivo. O autor usa "eu" e "meu" em quase todos os parágrafos, e compartilha sentimentos íntimos, como em:

"Toda véspera de voo, vem esse sobressalto: e se..."

A interrogação "e se..." é uma marca de subjetividade — é o pensamento do autor sendo exposto diretamente ao leitor, criando intimidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que o narrador é distante do leitor e tem tom objetivo. O texto é exatamente o oposto: o autor se expõe, fala de seus medos e de sua análise, o que cria proximidade e subjetividade. O erro é de contradição com o texto — troca "próxima" por "distante" e "subjetivo" por "objetivo".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a narração é em terceira pessoa. Todo o texto é em primeira pessoa — o narrador é o próprio autor, que fala de si. O erro é de troca de pessoa do discurso: a banca tenta confundir quem não percebe que "acho", "tenho", "meu" são marcas de 1ª pessoa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra duplamente: afirma que a narração é em terceira pessoa (quando é em primeira) e que o tom é objetivo (quando é subjetivo). É a combinação de dois erros — troca de pessoa e contradição com o tom do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a narração é em segunda pessoa e que conta fatos de alguém conhecido do autor. O texto é em primeira pessoa e fala do próprio autor — não de outra pessoa. O erro é de troca de pessoa do discurso e fuga ao tema (o texto não narra fatos de terceiros).

Conclusão: A resposta correta é a letra A, pois o texto é uma crônica confessional em 1ª pessoa, com proximidade e subjetividade. As demais alternativas erram ao trocar a pessoa do discurso ou o tom.

Gabarito: letra A

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