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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2026

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa393278
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Ivorá
Ano
2026
Cargo
ACI ( )

O que são os “cristais de memória” que desafiam as leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados

 

Por Laurie Clarke

 

Durante uma visita ao Japão, em 1999, o pesquisador Peter Kazansky encontrou um fenômeno físico misterioso, o que o levou a acreditar que esta seja a chave para o futuro do armazenamento de dados. No laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, os cientistas testavam como escrever em vidro usando lasers ultrarrápidos de femtossegundo, emitindo um pulso de luz a cada quadrilionésimo de segundo. Nesse momento, observou-se algo incomum na forma pela qual a luz trafegava através do vidro tratado com laser: a dispersão de Rayleigh é um efeito bem conhecido. Ela descreve como pequenas partículas refletem a luz branca em todas as direções — o que explica, entre outras coisas, por que o céu parece ser azul.

 

Mas, nesse caso, a luz não se refletia conforme o esperado. “Foi difícil explicar”, afirmou Kazansky, que é professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, no Reino Unido. “Nós observamos a luz se dispersar de uma forma que parecia desafiar as leis da física”. A desconcertante observação acabou provocando “um autêntico momento Eureka”, segundo ele. Os pesquisadores descobriram nanoestruturas ocultas dentro do vidro de sílica, criadas por microexplosões geradas pelos lasers de femtossegundo. “Imagine que você sustente um grosso pedaço de cristal contra a luz e observe como a luz é refletida em muitas direções”. Com a técnica do laser, os pesquisadores de Kyoto criaram acidentalmente pequenos orifícios que tinham essa mesma propriedade.

 

Cerca de mil vezes menores que a espessura de um cabelo humano, esses “redemoinhos” de luz são tão minúsculos que são imperceptíveis para o olho humano. No entanto, logo ficou claro para os cientistas que seu potencial era transformador. “Essa foi a primeira prova de que podemos usar a luz para imprimir padrões complexos dentro de materiais transparentes, em escala menor que o comprimento de onda da luz”, explica Kazansky. Agora, 27 anos depois, espera-se que a descoberta feita no Japão possa ajudar a resolver um dos problemas da nossa era da informação: o armazenamento massivo de dados.

 

Na era da internet, da inteligência artificial, das casas inteligentes e do capitalismo de vigilância, existe algo que simplesmente não paramos de produzir: dados. A empresa de análises IDC prevê que, até 2028, geraremos coletivamente 394 trilhões de zettabytes de informações todos os anos (um zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes). Toda vez que fazemos qualquer coisa na internet, como assistir a um vídeo no YouTube, enviar um e-mail ou fazer uma pergunta a um chatbot de IA, cadeias de pontos de dados saem em disparada rumo ao ciberespaço. A ideia de que os dados “pesam pouco” é enganosa.

 

Nós imaginamos as informações viajando de forma etérea por cabos submarinos ou flutuando suavemente “na nuvem”. Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável. Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais, e seu crescimento exponencial nos obriga a buscar alternativas radicais. Esse dilema vem impulsionando soluções inovadoras, e uma delas é a proposta de Kazansky, que é a de gravar dados por meio de lasers. Outras opções, como a armazenagem de informações em DNA, também estão sendo exploradas por cientistas e empresas como a Microsoft.

 

(Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/cj32g6dnl30o – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise a função dos termos destacados nos trechos a seguir, retirados do texto:

 

\bullet “‘Foi difícil explicar’, afirmou Kazansky, que é professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, no Reino Unido”.

 

\bulletMas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável”.

 

Os termos destacados estabelecem, respectivamente, relações de:

  1. ARestrição e conclusão.
  2. BCausa e concessão.
  3. CConsequência e alternância.
  4. DExplicação e adversatividade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Explicação e adversatividade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações semânticas dos conectivos "que" e "mas" — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. Os termos destacados estabelecem, respectivamente, relações de explicação e adversatividade. No primeiro trecho, o "que" é um pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa, acrescentando uma informação sobre Kazansky (explicação). No segundo, o "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa, que introduz uma oposição à ideia anterior (adversatividade). Como se lê no texto: "afirmou Kazansky, que é professor de optoeletrônica" e "Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos".

O comando

A questão pede que você analise a função dos termos destacados — ou seja, identifique a relação semântica que cada conectivo estabelece no trecho. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o valor lógico dos conectivos. Para isso, é essencial saber a classificação e o sentido de cada um: o "que" pode ser pronome relativo (explicação) ou conjunção (causa, consequência, etc.); o "mas" é sempre adversativo (oposição).

O texto

O texto fala sobre os "cristais de memória" e o armazenamento de dados. No trecho citado, Kazansky afirma que foi difícil explicar o fenômeno, e o autor acrescenta uma informação sobre ele: "que é professor de optoeletrônica". Essa informação é um esclarecimento sobre quem é Kazansky — daí a relação de explicação. No segundo trecho, o autor contrasta a ideia de que os dados "pesam pouco" com a realidade de que "exigem enormes recursos físicos" — daí a relação de adversatividade (oposição).

A técnica

Para resolver, identifique a classe e o valor de cada conectivo:

  • "que" no trecho "Kazansky, que é professor" é um pronome relativo (retoma "Kazansky") e introduz uma oração adjetiva explicativa — ela explica algo sobre o antecedente. Não é conjunção causal nem consecutiva.

  • "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa — estabelece oposição entre duas ideias. No trecho, opõe a ideia de que os dados "pesam pouco" (implícita) à ideia de que exigem recursos físicos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o "que" pronome relativo (explicação) e outras funções do "que" (como conjunção causal), e testa se você reconhece o valor adversativo de "mas" — que nunca é conclusivo ou alternativo.

Conectivos
  • 1"que" (pronome relativo)
    • Retoma "Kazansky"
    • Oração adjetiva explicativa
    • Explicação
  • 2"mas" (conjunção coordenativa)
    • Adversativa
    • Estabelece oposição
    • Adversatividade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Restrição e conclusão. O "que" não restringe (não limita o sentido de "Kazansky"); ele explica. O "mas" não conclui; ele opõe. A alternativa troca os valores dos conectivos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Causa e concessão. O "que" não indica causa (não diz por que Kazansky é professor); ele explica quem é. O "mas" não é concessivo (não expressa "embora"); é adversativo. A alternativa confunde os conceitos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Consequência e alternância. O "que" não indica consequência (não diz o que resultou); ele explica. O "mas" não é alternativo (não expressa "ou"); é adversativo. A alternativa inverte os valores.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Explicação e adversatividade. O "que" introduz uma oração adjetiva explicativa — acrescenta uma informação que explica quem é Kazansky. O "mas" é uma conjunção adversativa — estabelece oposição entre a ideia de que os dados "pesam pouco" e a realidade de que exigem recursos físicos. Como se lê no texto:

"afirmou Kazansky, que é professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton"

"Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável"

No primeiro trecho, o "que" explica (dá uma informação adicional sobre Kazansky). No segundo, o "mas" opõe (contrapõe a ideia de que os dados são etéreos à realidade de que exigem recursos).

Conclusão

A questão testa o reconhecimento do valor semântico dos conectivos. Para acertar, lembre-se: "que" pronome relativo = explicação; "mas" = adversatividade. As demais alternativas trocam esses valores por outros (causa, consequência, concessão, etc.).

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "que" após um nome, verifique se ele retoma o nome (pronome relativo) — se sim, é explicação. E "mas" é sempre adversativo, nunca conclusivo.

Gabarito: letra D

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