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Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — Instituto Consulplan 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
qa393434
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Manaus
Ano
2026
Cargo
GM ( )

Calma, gente

 

Alguma coisa não vai bem entre mim e o tempo. Não o tempo de que tratam os filósofos, mas esse tempinho nosso de todo dia, medido em correrias, impaciências, tique-taques, calendários, reencontros (“Há quanto tempo!”), semáforos, luas cheias, aniversários, Natais e – ai – rugas. O tempo sobre o qual se conversa e no qual transitamos, transitórios.

 

Acontece que as pessoas têm pressa, e a pressa delas interfere no ritmo de outras. Na maioria das vezes, é uma agitação inútil e inexplicável. Tem gente que se assusta quando alguém propõe irem caminhando até um determinado lugar, perto: “A pé?!”. Não é pelo esforço, pois até atletas de academia reagem com espanto. Essas pessoas não suportam é “perder” tempo percorrendo uma distância que, de carro, levaria quatro minutos.

 

Em parte, foi essa pretensão de poder comprimir o tempo que derrotou o cavalo como transporte urbano, depois o bonde, o ônibus e promoveu o automóvel, maravilha que transformamos em problema. Ao volante, o raciocínio é: eu tenho o comando, eu decido a velocidade, eu me torno senhor do tempo no espaço.

 

Ilusão.

 

Quem pôde teve a mesma ideia e engarrafou as cidades.

 

O tempo já foi elástico, esticava-se segundo a vontade de quem dispunha dele. Dê tempo ao tempo, diziam umas pessoas para as outras, ralentando-se. Calma, que o Brasil ainda é nosso! – bradava-se, como quem diz: enquanto o país for nosso, vamos devagar. Fazíamos do tempo coisa nossa, como o samba, o futebol e outras bossas.

 

Leiam os romances antigos. Nenhum personagem diz para o outro: “Você tem um minuto?”. Havia muito mais do que um minuto para uma conversa. Vejam um filme clássico. Com que paciência era construída uma situação que iria depois desaguar em outra. John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la. Hoje, no cinema pós-Spielberg, muitas vezes nem percebemos o que aconteceu, tal a rapidez da montagem.

 

A vida on-line traz, em segundos, o mundo. As imagens de um bombardeio da grande potência contra o Iraque depauperado chegaram à casa das pessoas no momento em que estava acontecendo. Chamam a isso “tempo real”. Como se fosse irreal o tempo dos cinejornais da II Guerra Mundial, que mostravam com meses de atraso centenas de milhares de soldados mortos. O tempo real trouxe também a globalização dos dinheiros aventureiros, que em segundos dão a volta ao mundo rapando economias, confrontando desiguais, espalhando o desemprego.

 

O que se faz com o tempo ganho com a pressa? Lembra-me o poeminha do pernambucano Ascenso Ferreira ironizando o gaúcho, que, diz ele, “riscando os cavalos” e tinindo as esporas sai de seus pagos em louca arrancada: “– Para quê? – Para nada”. Talvez para nada os apressados buzinam no trânsito, costuram, furam sinais; a pé, atropelam passantes nas ruas, empurram pessoas nas plataformas do metrô, impacientam-se com idosos, agridem garçons, trombam carrinhos de compras nos supermercados, reclamam do ritmo alheio. Entre a pressa e a falta de educação, a distância é curta.

 

É sábio um ditado russo que li citado pelo escritor Saul Bellow: “Quando estiver com pressa, vá devagar”. Mais ou menos é o que o historiador romano Suetônio, biógrafo dos césares, aconselhou ao imperador Adriano, 1.900 anos atrás: “Apressa-te devagar”. Sem nunca ter lido Suetônio, era quase o que minha mãe dizia quando eu moleque disparava pelas ruas do bairro:

 

“Corre devagar, menino!”.

 

Suspeito que vem daí o meu descompasso com os apressados.

 

(ÂNGELO, Ivan. Revista Veja São Paulo. São Paulo: Editora Abril. Em: 10/09/2003.) 

Em “John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la.”, é possível observar o emprego de:
  1. AOrações explicativas e subordinadas aditivas.
  2. BOração explicativa separada por vírgulas do restante do período.
  3. CPeríodo simples formado por orações subordinadas que se complementam.
  4. DOração que, reconhecidamente, possui a mesma função exercida sintaticamente pelo objeto direto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Oração que, reconhecidamente, possui a mesma função exercida sintaticamente pelo objeto direto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas substantivas: a função de objeto direto

Gabarito: letra D. No trecho “John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la.”, a oração “que também o tínhamos para apreciá-la” é uma subordinada substantiva objetiva direta, pois exerce a mesma função sintática de um objeto direto do verbo “sabia”. A prova está na substituição por “isso”: sabia isso — exatamente o teste clássico das substantivas.

O comando pede que você identifique o emprego de uma oração dentro do período. Isso é uma questão de análise sintática: você precisa reconhecer a relação de subordinação e a função que a oração exerce em relação à principal. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a gramática ao trecho citado.

No período, temos:

“John Ford, por exemplo, tinha tempo para contar uma boa história e sabia que também o tínhamos para apreciá-la.”

Vamos decompor:

  • Oração 1: “John Ford tinha tempo para contar uma boa história” (principal, com verbo “tinha”)

  • Oração 2: “e sabia” (coordenada à anterior, com verbo “sabia”)

  • Oração 3: “que também o tínhamos para apreciá-la” (subordinada à oração 2)

A oração 3 é introduzida pela conjunção integrante “que” e completa o sentido do verbo transitivo direto “sabia”. Quem sabe, sabe algo — esse “algo” é a oração inteira. Substituindo: sabia isso. Portanto, função de objeto direto.

A alternativa D diz exatamente isso: “Oração que, reconhecidamente, possui a mesma função exercida sintaticamente pelo objeto direto.” É a única correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura conceitos de coordenação e subordinação, e ainda tenta confundir com oração adjetiva explicativa (que viria entre vírgulas). Fique atento: a presença da conjunção integrante “que” e a substituição por “isso” são a chave.

1Função sintática
Objetiva direta (completa VTD)
Teste: substituir por "isso"
2Conjunção integrante "que"
3Exemplo
"sabia que também o tínhamos"
"sabia isso"
Oração subordinada substantiva
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Oração subordinada substantiva: Função sintática (Objetiva direta (completa VTD), Teste: substituir por "isso"); Conjunção integrante "que"; Exemplo ("sabia que também o tínhamos", "sabia isso")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Não há orações explicativas nem aditivas subordinadas. O “e” liga duas orações coordenadas, mas a oração “que também o tínhamos...” é subordinada substantiva, não coordenada aditiva. Explicativa seria uma oração que justifica a anterior, o que não ocorre.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A oração “que também o tínhamos...” não está separada por vírgulas do restante do período. Ela vem logo após o verbo “sabia”, sem pausa. A vírgula que aparece em “por exemplo” isola um aposto, não a oração subordinada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O período é composto, não simples, pois apresenta mais de uma oração (três verbos: “tinha”, “sabia”, “tínhamos”). Além disso, as orações não se complementam entre si; há uma relação de subordinação da terceira em relação à segunda.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, a oração “que também o tínhamos para apreciá-la” exerce função de objeto direto do verbo “sabia”. A substituição por “isso” confirma: sabia isso. É uma subordinada substantiva objetiva direta.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar uma oração subordinada substantiva, tente substituí-la por “isso” ou “isto”. Se a frase continuar com sentido, é substantiva. Depois, verifique a função: se completa um verbo transitivo direto, é objetiva direta.

Gabarito: letra D.

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